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Mercado de açúcar oscila com safra brasileira abaixo do esperado e possível aumento das exportações da Índia

Preços internacionais reagem a preocupações climáticas no Brasil e expectativas de oferta extra do mercado indiano; contratos variam nas bolsas de Nova York e Londres


Publicado em: 14/08/2025 às 10:50hs

Mercado de açúcar oscila com safra brasileira abaixo do esperado e possível aumento das exportações da Índia

O mercado global do açúcar segue registrando oscilações, influenciado tanto por fatores domésticos quanto externos. A atual safra brasileira, marcada por produtividade abaixo do previsto, e a possibilidade de aumento das exportações da Índia na próxima temporada têm movimentado as cotações nas bolsas internacionais.

Safra brasileira preocupa e sustenta altas recentes

Nos primeiros dias da semana, os contratos futuros do açúcar registraram alta, impulsionados por receios com o desempenho da safra brasileira. O Açúcar Total Recuperável (ATR) está menor e a produção apresenta queda em relação à temporada 2024/25, reflexo das condições climáticas adversas registradas no último ano.

Projeções da Covrig Analytics indicam que a colheita nacional pode ficar abaixo de 600 milhões de toneladas — distante da estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê 663,4 milhões. Segundo a Bloomberg, a seca no início do desenvolvimento das lavouras reduziu a produtividade, limitando a oferta global.

Apesar das dificuldades, dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram crescimento na produção. Na primeira quinzena de julho, o Centro-Sul produziu 3,4 milhões de toneladas, alta de 15% sobre o mesmo período de 2024. A destinação da cana para açúcar também subiu, de 50% no ano passado para 54% neste ciclo.

Movimento dos fundos e impacto nas cotações

O mercado monitora de perto as posições vendidas dos fundos em Nova York, que podem intensificar movimentos de alta quando ocorre a recompra dos contratos. Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), divulgado na última sexta-feira (8), as posições vendidas líquidas cresceram em 25.923 contratos, totalizando 151.004 — o maior volume em quase seis anos.

Expectativa de exportações indianas pressiona preços

No cenário externo, a atenção se volta à Índia. Com chuvas de monções acima da média histórica, o país pode autorizar suas usinas a exportar açúcar na temporada 2025/26, que começa em outubro.

Até 4 de agosto, o Departamento Meteorológico indiano registrou 500,8 mm de precipitação acumulada, 4% acima da média. A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (INDA) informou que solicitará permissão para exportar até 2 milhões de toneladas, movimento que aumentaria a oferta global e poderia pressionar as cotações.

Oscilações nas bolsas internacionais

Na ICE Futures, em Nova York, o contrato outubro/25 chegou a recuar 1,07%, cotado a 16,67 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março/26 caiu 0,97%, para 17,36 cents. Já o contrato julho/27 registrou alta de 7 pontos, negociado a 17,22 cents.

Na ICE Europe, em Londres, o contrato outubro/25 caiu 0,21%, para US$ 486,20 por tonelada, e dezembro/25 subiu US$ 0,20, para US$ 479,60.

Mercado doméstico: açúcar cristal e etanol

No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq (USP) registrou queda de 0,06% no açúcar cristal, com a saca de 50 kg cotada a R$ 119,85. Já o Indicador Diário Paulínia apontou alta de 0,07% no etanol hidratado, com o metro cúbico negociado a R$ 2.752,50 nas usinas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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