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Setor Sucroalcooleiro

Mercado de açúcar exige gestão de risco diante da volatilidade da safra, do mix entre açúcar e etanol e da queda nas exportações

Especialistas alertam que produção recorde de cana não garante maior oferta de açúcar. Decisões sobre o mix produtivo, câmbio, logística, estoques e preços internacionais ampliam os desafios para usinas e tradings na safra 2026/27.


Publicado em: 13/08/2026 às 16:00hs

Mercado de açúcar exige gestão de risco diante da volatilidade da safra, do mix entre açúcar e etanol e da queda nas exportações

A perspectiva de uma safra robusta de cana-de-açúcar no Brasil não elimina os desafios enfrentados pelo mercado de açúcar. Pelo contrário. Em um cenário marcado por mudanças no mix de produção, oscilações cambiais, volatilidade das cotações internacionais e custos financeiros elevados, a gestão de risco tornou-se um dos principais fatores para preservar a rentabilidade das usinas.

Segundo a Tria Trading, empresa especializada nos mercados de açúcar, energia e crédito estruturado, uma estratégia eficiente precisa considerar toda a cadeia produtiva, desde o processamento da cana até a entrega do produto ao comprador internacional.

A avaliação ganha relevância em um momento em que a destinação da matéria-prima entre açúcar e etanol vem mudando rapidamente, alterando a oferta disponível para exportação e influenciando diretamente a formação dos preços.

Mix entre açúcar e etanol altera disponibilidade do produto

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostram que, na segunda quinzena de abril, 59,66% da cana processada no Centro-Sul foi destinada à produção de etanol, percentual superior aos 54,31% registrados no mesmo período da safra anterior.

Até o início de junho, a moagem acumulada na principal região produtora do país alcançou 144,71 milhões de toneladas de cana, enquanto a produção de açúcar somava 6,84 milhões de toneladas.

Os números demonstram que, mesmo diante de uma moagem elevada, a oferta de açúcar pode variar significativamente conforme a estratégia adotada pelas usinas para aproveitar as oportunidades entre os mercados de açúcar e biocombustíveis.

Safra recorde aumenta potencial produtivo, mas não elimina incertezas

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil deverá colher 709,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior e um dos maiores volumes da série histórica.

Apesar do avanço da produção, especialistas destacam que fatores como clima, qualidade da matéria-prima, rendimento industrial, competitividade do etanol, eficiência operacional e demanda internacional continuam influenciando diretamente o volume final de açúcar disponível para o mercado.

Exportações de açúcar recuam e preços internacionais seguem pressionados

O comércio exterior também reflete o cenário de maior volatilidade.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, com base nas estatísticas do Comex Stat, mostram que o Brasil exportou 12,27 milhões de toneladas de açúcar no primeiro semestre de 2026, volume aproximadamente 4,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Além da redução dos embarques, o preço médio das exportações caiu de US$ 458,80 para US$ 359,69 por tonelada, representando retração de aproximadamente 21,6%, resultado da maior oferta global e das oscilações observadas no mercado internacional.

Esse ambiente reforça a necessidade de estratégias comerciais mais sofisticadas para proteger margens e reduzir a exposição às variações de preços.

Gestão de risco vai muito além das cotações internacionais

Para Paulo von Oertzen, responsável pela mesa de açúcar da Tria Trading, o sucesso das operações depende de uma visão integrada de diversos fatores que afetam a comercialização.

Segundo o executivo, o risco não está restrito às oscilações das bolsas internacionais.

Elementos como condições climáticas, câmbio, logística, disponibilidade de fretes, custos financeiros, capacidade de armazenagem, contratos comerciais, estoques, prazos de entrega e confiabilidade das contrapartes também exercem influência direta sobre a rentabilidade das operações.

Mesmo contratos fechados em momentos favoráveis podem perder valor caso algum desses componentes não seja adequadamente administrado.

Fixação de preços escalonada reduz exposição ao mercado

Outro ponto considerado estratégico é a definição do momento ideal para fixação dos preços.

Como boa parte das operações permite que o preço seja definido após a contratação física do produto, especialistas defendem a realização de fixações graduais ao longo da safra.

A estratégia busca reduzir a dependência de um único momento de mercado, equilibrando proteção financeira, fluxo de caixa, custos de produção e oportunidades comerciais.

O acompanhamento permanente da oferta e demanda global, aliado às ferramentas de hedge, permite que as usinas construam posições mais seguras diante da elevada volatilidade do mercado internacional.

Estoques e logística também impactam a rentabilidade

A decisão de manter açúcar armazenado à espera de preços mais elevados exige uma análise criteriosa dos custos envolvidos.

Com a taxa básica de juros ainda em patamar elevado, o carregamento de estoques incorpora despesas financeiras relevantes, além de gastos com armazenagem, seguro, transporte e movimentação da carga.

No comércio exterior, fatores logísticos também podem comprometer os resultados. Disponibilidade de armazéns, janelas portuárias, contratação de navios, equipamentos, documentação, qualidade do produto e cumprimento dos cronogramas de embarque são determinantes para evitar perdas financeiras.

Inteligência de mercado fortalece competitividade do setor sucroenergético

A Tria Trading atua na originação de açúcar diretamente junto às usinas, oferecendo soluções que integram comercialização, logística internacional, financiamento, hedge e gestão de risco.

Segundo a empresa, a combinação entre inteligência de mercado, planejamento comercial e capacidade de execução tornou-se indispensável em um ambiente cada vez mais complexo para o setor sucroenergético.

Com a expectativa de uma safra volumosa, mas sujeita às oscilações do mix entre açúcar e etanol, especialistas avaliam que decisões baseadas em análise de dados, planejamento financeiro e gestão integrada deverão ser determinantes para manter a competitividade das usinas brasileiras no mercado global.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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