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Setor Sucroalcooleiro

EUA reduzem cota de açúcar do Brasil em 36%; setor do Nordeste estima impacto de US$ 30 milhões

Brasil poderá exportar 100 mil toneladas de açúcar bruto com tarifa reduzida no ano fiscal de 2027, cerca de 56 mil toneladas abaixo da cota tradicional


Publicado em: 28/09/2026 às 10:35hs

EUA reduzem cota de açúcar do Brasil em 36%; setor do Nordeste estima impacto de US$ 30 milhões

Os Estados Unidos fixaram em 100 mil toneladas a cota brasileira de exportação de açúcar bruto de cana com tarifa reduzida para o ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027. O volume é cerca de 56 mil toneladas inferior à cota tradicional de aproximadamente 156 mil toneladas, uma redução próxima de 36%.

A distribuição entre os países fornecedores foi concluída na quarta-feira (23). O Brasil havia recebido as 100 mil toneladas na primeira etapa, em julho, e não foi contemplado na partilha do saldo realizada nesta semana.

Redução da cota afeta planejamento das usinas do Nordeste

Renato Cunha, presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio) e do Sindaçúcar-PE, estima em US$ 30 milhões o impacto potencial da redução sobre as exportações de açúcar do Nordeste. Segundo ele, as usinas poderão buscar outros compradores, mas os destinos alternativos podem oferecer preços inferiores aos obtidos no mercado americano.

O dirigente afirma que a mudança afeta o planejamento das usinas nordestinas para a safra 2026/27. Como a produção regional começa entre agosto e setembro, parte das decisões comerciais já considera a receita esperada com os embarques aos Estados Unidos.

Cunha também aponta possíveis efeitos ao longo da cadeia sucroalcooleira regional, que, segundo ele, reúne cerca de 20 mil fornecedores de cana-de-açúcar e emprega aproximadamente 270 mil trabalhadores.

Como ficou a cota de importação dos Estados Unidos

Para o ano fiscal de 2027, o governo americano manteve a cota total de importação de açúcar bruto de cana em 1.117.195 toneladas, em equivalente de açúcar bruto, para distribuição entre 39 países fornecedores.

Desse volume, 1.061.202 toneladas foram distribuídas em julho, incluindo a parcela destinada ao Brasil. As 55.993 toneladas restantes foram alocadas agora a outros países, sem ampliação da cota brasileira.

De acordo com Cunha, o Brasil vinha recebendo ao menos 150 mil toneladas anuais desde 2014. Em alguns ciclos, a autorização foi ampliada ao longo do período, e os embarques brasileiros aos Estados Unidos superaram 200 mil toneladas nas safras 2023/24 e 2024/25.

Mercado europeu surge como alternativa

Uma possibilidade apontada pelo setor é direcionar parte do açúcar à União Europeia, que abriu uma cota de 180 mil toneladas no âmbito do acordo com o Mercosul. Ainda não há, porém, uma referência definida de quanto o mercado europeu pagará pelo produto brasileiro.

Para as usinas, a questão imediata será encontrar compradores para o volume que deixa de contar com o acesso tarifário previsto nos Estados Unidos e avaliar como essa mudança afetará a receita das exportações na safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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