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Brasil pode assegurar superávit global de açúcar de 3 milhões de toneladas em 2026/27

Hedgepoint projeta avanço da produção no Centro-Sul brasileiro e avalia que maior oferta nacional poderá compensar perdas na Índia, Tailândia, México e outros importantes produtores


Publicado em: 24/08/2026 às 10:30hs

Brasil pode assegurar superávit global de açúcar de 3 milhões de toneladas em 2026/27

O Brasil deverá assumir papel decisivo no equilíbrio do mercado mundial de açúcar na temporada 2026/27. De acordo com projeção da Hedgepoint, o ciclo poderá registrar superávit comercial global de aproximadamente 3 milhões de toneladas, sustentado principalmente pelo aumento da produção no Centro-Sul brasileiro.

A estimativa contrasta com as previsões de outras consultorias privadas, que passaram a indicar possível déficit mundial diante das perdas esperadas em países como Índia, Tailândia, México, Guatemala e El Salvador. As adversidades climáticas associadas ao El Niño estão entre os principais fatores de risco para essas regiões produtoras.

Alta dos preços favorece produção de açúcar no Brasil

Segundo a Hedgepoint, a valorização recente do açúcar tende a incentivar as usinas brasileiras a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação da commodity, reduzindo proporcionalmente a produção de etanol.

Para a atual safra 2026/27, a consultoria elevou de 47,3% para 47,7% sua projeção para o mix açucareiro do Centro-Sul. O ajuste considera a vantagem econômica do açúcar em relação ao biocombustível, apesar das limitações operacionais provocadas pelas chuvas mais frequentes ao longo do ciclo.

A expectativa é de que essa resposta das unidades produtoras brasileiras ajude a compensar a retração da oferta prevista em outros países e mantenha o fluxo internacional de açúcar em situação confortável.

Produção do Centro-Sul pode chegar a 43 milhões de toneladas

Para a próxima temporada, a Hedgepoint estima que a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro poderá alcançar 43 milhões de toneladas. A projeção considera uma moagem de 655 milhões de toneladas de cana, incluindo cerca de 5 milhões de toneladas remanescentes da safra atual.

Nesse cenário, aproximadamente 50% da matéria-prima processada pelas usinas seria destinada à produção de açúcar. Além dos preços favoráveis, a expectativa de maior volume de chuvas nos próximos meses poderá beneficiar o desenvolvimento dos canaviais e ampliar a disponibilidade de cana na próxima colheita.

Murilo Mello, responsável pela mesa de açúcar da Hedgepoint, avalia que o mercado deverá apresentar um fluxo comercial confortável. Mesmo diante de um cenário climático mais severo provocado pelo El Niño, a consultoria ainda prevê excedente relevante de oferta.

Cenário mais adverso ainda indicaria oferta excedente

A Hedgepoint também calculou os impactos de uma combinação menos favorável para o mercado. Caso o mix açucareiro do Centro-Sul fique próximo de 47,1%, a produção brasileira poderá ser reduzida em cerca de 500 mil toneladas.

Se, paralelamente, a Índia facilitar a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar, o excedente global estimado diminuiria em 1,5 milhão de toneladas. Ainda assim, o mercado encerraria a temporada com superávit aproximado de 1,5 milhão de toneladas.

Na avaliação da consultoria, esse volume continuaria sendo suficiente para preservar uma condição relativamente equilibrada no comércio internacional. Além disso, chuvas mais volumosas no Centro-Sul durante o atual ciclo poderiam favorecer uma safra ainda maior no próximo ano, ampliando novamente a produção brasileira de açúcar.

Hedgepoint vê preços internacionais acima dos fundamentos

Diante da perspectiva de maior disponibilidade global, a Hedgepoint considera que preços internacionais entre 17 e 18 centavos de dólar por libra-peso podem estar acima do nível justificado pelos fundamentos de oferta e demanda.

A recuperação das cotações tem sido alimentada principalmente pelas preocupações climáticas e pelas expectativas de quebra de produção em importantes origens exportadoras. Entretanto, uma resposta mais intensa das usinas brasileiras poderá limitar novas altas e exercer pressão sobre os preços ao longo da temporada.

Produção deve recuar em importantes países

A projeção global da Hedgepoint considera quedas de produção em diversas regiões. Nos Estados Unidos, a retração estimada é de 2%, enquanto o México poderá registrar redução de 15%.

Para Guatemala e El Salvador, a consultoria trabalha com perdas de aproximadamente 10%. A produção da Índia deve recuar 3%, enquanto a Tailândia poderá enfrentar uma queda mais expressiva, de 20%.

Na Europa, a redução prevista é de 15%, e, na Ucrânia, de 17%. Mesmo com esse conjunto de perdas, a capacidade produtiva do Brasil deverá assegurar uma oferta mundial superior à demanda comercial em 2026/27, reforçando o protagonismo do país na formação dos preços e no abastecimento global de açúcar.

Fonte: Portal do Agronegócio

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