Publicado em: 26/03/2026 às 19:20hs
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de açúcar, deve reduzir em 14,2% suas exportações na safra 2026/27, que começa em abril. A projeção é da Safras & Mercado, que aponta o redirecionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol como principal fator para a queda nos embarques.
A expectativa é que o país exporte 29 milhões de toneladas de açúcar, abaixo das 33,8 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.
De acordo com a consultoria, a produção total de açúcar deve cair de 43,5 milhões para 40,3 milhões de toneladas na safra 2026/27. Em contrapartida, a produção de etanol, incluindo o combustível derivado do milho, deve crescer 10,7%, atingindo 42,58 bilhões de litros.
Esse movimento reflete a maior atratividade econômica do etanol no cenário atual, influenciado principalmente pela valorização do petróleo no mercado internacional.
As usinas brasileiras têm flexibilidade para definir o destino da cana, podendo priorizar açúcar ou etanol conforme as condições de mercado. Para a nova safra, a projeção é que:
Na safra anterior, a participação do açúcar era de 49%, evidenciando a mudança de estratégia do setor.
Segundo Mauricio Muruci, analista da Safras & Mercado, há expectativa de que o governo brasileiro aumente a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 35% no segundo semestre.
Caso a medida seja confirmada, a demanda por etanol anidro deve crescer de forma significativa. A estimativa é que cada ponto percentual adicional na mistura represente cerca de 920 milhões de litros extras de etanol no mercado interno.
O cenário externo, marcado pela alta do petróleo e tensões geopolíticas, como a guerra no Irã, reforça a competitividade do etanol. No entanto, os preços da gasolina no Brasil ainda não foram reajustados pela Petrobras após o início do conflito.
Atualmente, os preços internos da gasolina estão cerca de 40% abaixo da paridade de importação, o que pode limitar, no curto prazo, o repasse integral das altas internacionais ao mercado doméstico.
O cenário projetado para a safra 2026/27 indica um reposicionamento estratégico das usinas, priorizando o etanol diante de melhores margens e possível aumento da demanda interna.
A combinação de:
deve manter o etanol como protagonista no setor, ao mesmo tempo em que reduz a oferta de açúcar para exportação, com impacto direto no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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