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Açúcar sobe no Brasil e em Nova York com oferta restrita no Centro-Sul

Cristal branco chega a R$ 120,13 por saca e acumula alta de 5,61% em setembro; menor produção, atraso na colheita e mix favorável ao etanol sustentam o mercado interno


Publicado em: 22/09/2026 às 11:10hs

Açúcar sobe no Brasil e em Nova York com oferta restrita no Centro-Sul

Os preços do açúcar iniciaram a semana em alta no Brasil e na Bolsa de Nova York, apoiados pela menor disponibilidade do produto no Centro-Sul. Em São Paulo, o Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ alcançou R$ 120,13 por saca de 50 quilos na segunda-feira (21).

O avanço diário foi de 0,07%, elevando a valorização acumulada em setembro para 5,61%. Em dólar, a saca foi cotada a US$ 23,52.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a sustentação dos preços está relacionada à oferta limitada de açúcar no mercado spot paulista e em outros estados produtores. A menor disponibilidade ocorre em um momento de redução da produção e dificuldades no avanço da colheita.

Produção de açúcar recua no Centro-Sul

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na segunda quinzena de agosto ficou abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025.

A redução reforça a percepção de disponibilidade mais ajustada para os próximos meses. Além da menor quantidade de cana-de-açúcar nesta temporada, a destinação da matéria-prima continua relativamente favorável ao etanol, limitando a fabricação do adoçante.

Para o Cepea, essa combinação tende a manter a oferta restrita e dar suporte às cotações no mercado interno.

Chuvas atrasam colheita da cana-de-açúcar

As condições climáticas também influenciam o ritmo das usinas. Pesquisadores do Cepea apontam que as chuvas atrasaram a colheita da cana-de-açúcar em algumas regiões produtoras.

Com as interrupções nos trabalhos, parte das unidades pode prolongar a moagem até fevereiro. A maioria das usinas, entretanto, ainda planeja encerrar as atividades entre dezembro e janeiro.

O alongamento da safra pode distribuir a oferta de matéria-prima por um período maior, mas não elimina a expectativa de menor disponibilidade de açúcar diante da redução da cana processada e da concorrência com a produção de etanol.

Açúcar bruto avança na Bolsa de Nova York

No mercado internacional, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em alta na ICE Futures U.S. na segunda-feira, recuperando parte das perdas registradas no fim da semana anterior.

O contrato outubro de 2026 avançou 0,12 ponto, para 17,48 centavos de dólar por libra-peso. Março de 2027 ganhou 0,15 ponto e encerrou a 18,39 centavos por libra-peso.

O vencimento maio de 2027 subiu 0,19 ponto, para 17,86 centavos por libra-peso, enquanto julho avançou 0,18 ponto, a 17,61 centavos. Os demais contratos também terminaram o pregão em valorização.

Açúcar branco tem desempenho misto em Londres

Na ICE Futures Europe, o açúcar branco apresentou oscilações entre os vencimentos. Dezembro de 2026 caiu US$ 1,30, para US$ 507,50 por tonelada, enquanto março de 2027 recuou US$ 0,10, a US$ 514,80.

Os contratos mais distantes avançaram. Maio de 2027 subiu US$ 1,40, para US$ 518,10 por tonelada, e agosto ganhou US$ 2,00, encerrando a US$ 515,20. Outubro avançou US$ 3,00, para US$ 511,90 por tonelada. Nas posições mais longas, os ganhos chegaram a US$ 3,80.

Etanol recua no dia, mas acumula alta de 9,76%

Enquanto o açúcar cristal avançou, o etanol hidratado apresentou queda no mercado paulista. Em Paulínia, o Indicador Diário foi cotado a R$ 2.711,50 por metro cúbico, baixa de 0,40% em relação ao pregão anterior.

Apesar da correção diária, o biocombustível ainda acumula valorização de 9,76% em setembro. Esse desempenho mantém a relação entre açúcar e etanol entre os fatores decisivos para a definição do mix industrial das usinas.

Oferta global de açúcar permanece no radar

As perspectivas para a produção brasileira também influenciam as negociações internacionais. Segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citada na análise de mercado, o Brasil deverá produzir 42,5 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, volume 3% inferior ao do ciclo anterior.

Além do desempenho brasileiro, o mercado acompanha os possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre importantes países produtores, como Índia e Tailândia. A evolução do clima, o ritmo da moagem no Centro-Sul e a destinação da cana entre açúcar e etanol devem continuar orientando as cotações nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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