Açúcar sobe nas bolsas internacionais, cristal reage no Brasil e etanol amplia recuperação em agosto
Mercado global é sustentado por expectativa de déficit na oferta, enquanto açúcar cristal volta a subir no mercado interno e etanol mantém trajetória positiva em Paulínia.
Publicado em: 05/08/2026 às 11:40hs
O mercado do açúcar registrou mais um dia de valorização nesta terça-feira (4), impulsionado pelo fortalecimento das expectativas de um déficit na oferta global da commodity. As cotações avançaram nas bolsas internacionais de Nova York e Londres, enquanto o mercado brasileiro interrompeu a sequência de baixas, com recuperação dos preços do açúcar cristal e nova alta do etanol hidratado.
O movimento reforça a percepção de que o equilíbrio entre oferta e demanda deverá permanecer apertado ao longo da safra 2026/27, cenário que continua dando sustentação aos preços internacionais.
Açúcar bruto fecha em alta na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures de Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em terreno positivo.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 avançou 0,03 ponto, fechando cotado a 15,04 cents de dólar por libra-peso. O vencimento março de 2027 subiu 0,07 ponto, para 15,98 cents/lbp, enquanto o contrato maio de 2027 registrou alta de 0,09 ponto, encerrando o dia em 15,80 cents/lbp.
Os demais vencimentos também acompanharam o movimento de valorização, refletindo o otimismo do mercado em relação ao cenário global de oferta.
Açúcar branco também avança em Londres
Na ICE Futures Europe, o açúcar branco repetiu o desempenho positivo observado em Nova York.
O contrato outubro de 2026 ganhou US$ 3,20, encerrando o pregão em US$ 472,70 por tonelada. Já o vencimento dezembro de 2026 subiu US$ 3,80, para US$ 472,30 por tonelada, enquanto o contrato março de 2027 avançou US$ 3,60, fechando em US$ 473,90 por tonelada.
O desempenho reforça a tendência de recuperação dos preços internacionais diante das perspectivas de menor disponibilidade da commodity.
Mercado interno interrompe sequência de quedas
No mercado doméstico, o açúcar cristal branco voltou a registrar valorização.
De acordo com o indicador CEPEA/ESALQ, referência para o estado de São Paulo, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 91,89, alta diária de 1,18%.
Com esse desempenho, o indicador passou a acumular valorização de 0,43% em agosto, equivalente a uma cotação próxima de US$ 17,90 por saca.
O resultado interrompe a sequência recente de desvalorizações e sinaliza uma retomada gradual dos preços no mercado físico.
Etanol hidratado amplia recuperação em Paulínia
O mercado de etanol também apresentou desempenho positivo.
Segundo o Indicador Diário de Paulínia, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.141,50 por metro cúbico, avanço de 0,45% em relação ao fechamento anterior.
No acumulado de agosto, o biocombustível registra alta de 0,54%, refletindo uma melhora gradual na demanda e na dinâmica de comercialização.
Déficit global continua sustentando os preços
A sustentação das cotações internacionais está diretamente ligada às revisões realizadas por consultorias especializadas para a safra mundial 2026/27.
A Covrig Analytics passou a estimar um déficit global de aproximadamente 300 mil toneladas, enquanto outras consultorias, como Green Pool e StoneX, também revisaram para cima suas projeções de déficit para a próxima temporada.
Esse cenário reforça a percepção de menor disponibilidade de açúcar no mercado internacional, fator que mantém investidores atentos ao comportamento da produção nos principais países exportadores.
Clima no Centro-Sul segue no radar do mercado
Além do balanço global de oferta e demanda, os agentes continuam monitorando as condições climáticas nas regiões produtoras brasileiras.
A evolução do fenômeno El Niño poderá favorecer o desenvolvimento dos canaviais do Centro-Sul, mas também pode provocar atrasos na colheita caso o volume de chuvas aumente nos próximos meses. Um cenário de precipitações mais intensas também pode afetar os níveis de ATR (Açúcar Total Recuperável), indicador fundamental para a rentabilidade da indústria sucroenergética.
Enquanto isso, o mercado físico brasileiro permanece com liquidez moderada, com compradores atuando de forma seletiva e aguardando melhores oportunidades de negociação.
Com fundamentos internacionais mais favoráveis e sinais de recuperação no mercado doméstico, o setor sucroenergético segue acompanhando de perto a evolução da oferta global, das condições climáticas e da demanda por açúcar e etanol, fatores que devem continuar determinando o comportamento dos preços nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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