Açúcar sobe em Nova York, mas custos e preço da cana ainda pressionam produtores
Na Conferência DATAGRO, especialistas destacam recuperação das cotações internacionais e alertam para os desafios de rentabilidade e renovação dos canaviais na safra 2026/27.
Publicado em: 27/10/2026 às 10:35hs
A recuperação dos preços internacionais do açúcar melhorou as perspectivas para o setor sucroenergético, mas ainda não garante alívio financeiro aos fornecedores de cana-de-açúcar. A avaliação marcou o painel “Perspectivas para a safra 26/27 no Brasil e no mundo”, realizado nesta segunda-feira (26), durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
O presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, destacou a valorização do açúcar em Nova York e a situação dos estoques de etanol no mercado brasileiro. Já o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), Paulo Leal, chamou a atenção para os custos de produção e para os recursos necessários à renovação dos canaviais.
O debate teve mediação de Luiz Gustavo Wiechoreki, coordenador-geral de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Açúcar reage no mercado internacional
Segundo Nastari, as cotações do açúcar bruto em Nova York passaram de cerca de 13,5 centavos de dólar por libra-peso em junho para a faixa de 20 a 21 centavos, movimento que evidencia a recuperação do mercado após as dificuldades enfrentadas pelo setor ao longo de 2026.
No Brasil, o presidente da DATAGRO afirmou que a reação do consumo de etanol, combinada à menor produção, contribui para manter os estoques controlados até o fim da entressafra.
O executivo também criticou intervenções nos preços dos combustíveis. Em sua avaliação, controle de preços e subvenções limitaram a valorização do etanol e dificultaram a percepção de sua competitividade no mercado.
Preço da cana não acompanha automaticamente a recuperação do açúcar
Para os fornecedores de cana, a melhora das cotações internacionais ainda precisa ser traduzida em remuneração suficiente para cobrir custos e sustentar investimentos.
Paulo Leal afirmou que a safra começou com expectativa de produtividade próxima de 80 toneladas por hectare, mas com preços da cana em torno de R$ 100 a R$ 110 por tonelada no Centro-Sul.
Segundo o presidente da FEPLANA, produzir mais não é suficiente: o setor precisa transformar a produção em renda e capacidade de investimento para os agricultores. A recuperação do preço do açúcar, portanto, não significa necessariamente melhora imediata na situação financeira dos fornecedores.
Renovação dos canaviais exige investimento contínuo
A capacidade de financiar os tratos culturais e a reforma das lavouras está entre as preocupações destacadas por Leal.
De acordo com o dirigente, é necessário renovar anualmente entre 12% e 20% dos canaviais para sustentar a produtividade e o crescimento da cadeia. O custo de implantação de novas áreas aumenta a necessidade de planejamento financeiro.
O setor acompanhará se a melhora das condições de mercado será suficiente para remunerar os produtores e permitir a manutenção desses investimentos ao longo da safra 2026/27.
Conferência DATAGRO debate etanol, SAF e financiamento
Realizada nos dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo, a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol reúne produtores, executivos, especialistas e representantes do poder público.
Além das perspectivas para a safra brasileira e o mercado internacional, a programação aborda a Lei do Combustível do Futuro, a expansão do uso do etanol, o combustível sustentável de aviação (SAF), a descarbonização do transporte marítimo, novas tecnologias e alternativas de financiamento.
Para os fornecedores de cana, a trajetória dos preços e dos custos continuará sendo decisiva para as escolhas de produção e renovação dos canaviais nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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