Etanol de milho pode ganhar mercado em aviação e diesel renovável com projeto de US$ 2 bilhões
JetBio estuda unidade em Paulínia para produzir SAF e combustível renovável; decisão de investimento está prevista para 2027 e operação, para 2030
Publicado em: 27/10/2026 às 19:00hs
A produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável a partir do etanol de milho pode abrir novos mercados para a cadeia brasileira do cereal. A avaliação é do engenheiro agrônomo Felipe Treitinger, para quem a diversificação representa uma oportunidade de reduzir a dependência do setor em relação à demanda dos veículos flex.
Um dos projetos que apontam nessa direção é o da JetBio, do Summit Agricultural Group, em Paulínia (SP). A empresa reformulou uma iniciativa estimada em US$ 2 bilhões para produzir combustíveis de aviação e diesel renovável a partir do etanol.
A proposta prevê tecnologia da Honeywell UOP e o fornecimento de aproximadamente 1,8 bilhão de litros de etanol por ano pela FS. A decisão final de investimento está prevista para 2027, com início da produção projetado para 2030.
Diesel renovável amplia possibilidades do projeto
A reformulação ocorre em um cenário no qual a demanda por SAF evoluiu abaixo do esperado. O diesel, por sua vez, representa um mercado de maior volume e pode ampliar as alternativas comerciais para o combustível renovável.
Dados da StoneX citados por Treitinger mostram que o Brasil importou 17,3 bilhões de litros de diesel em 2025, aproximadamente 20% do consumo nacional. A dependência do produto externo evidencia a dimensão do mercado que poderia ser atendido por diferentes fontes de abastecimento.
A maior parte da produção prevista para o projeto, entretanto, deverá ser exportada. O diesel renovável também tende a ter custo superior ao do combustível fóssil, o que torna as condições de mercado e a competitividade da rota fatores decisivos para o investimento.
Viabilidade econômica e escala ainda precisam ser avaliadas
Para Treitinger, a possibilidade de transformar etanol em combustíveis para aviões e caminhões amplia o horizonte da cadeia, mas a consolidação dessa rota depende de viabilidade econômica e escala de produção.
A decisão final sobre a unidade ainda não foi tomada. Por isso, os volumes de fornecimento e o início da operação devem ser tratados como projeções vinculadas ao desenvolvimento do projeto.
O analista também ressalta que a capacidade de produção, isoladamente, não determina o sucesso da iniciativa. A expansão dependerá da existência de compradores e de condições competitivas para os combustíveis renováveis.
Novos mercados podem reduzir concentração de risco
Para os produtores de milho, a diversificação do destino do etanol pode contribuir para ampliar a liquidez e distribuir os riscos entre diferentes mercados consumidores.
Para as usinas, a entrada nas cadeias de aviação e transporte pesado pode trazer oportunidades de contratos, ao mesmo tempo que exige atenção a certificação, eficiência produtiva e pegada de carbono.
Treitinger avalia que o potencial do etanol de milho brasileiro ainda está em desenvolvimento. Em sua análise, acompanhar as possibilidades de uso do produto além do abastecimento de automóveis será importante para as empresas que pretendem participar da expansão dos combustíveis renováveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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