Açúcar fecha semana em queda nas bolsas internacionais; petróleo, câmbio e oferta global pressionam preços da commodity
Cotações do açúcar recuam em Nova York, Londres e mercado físico brasileiro. Analistas apontam aumento da oferta, melhora da safra da Índia e perda de competitividade do etanol como principais fatores, mas avaliam que mercado pode estar próximo do piso
Publicado em: 13/07/2026 às 10:50hs
O mercado internacional de açúcar encerrou a semana em baixa, refletindo uma combinação de fatores que aumentaram a pressão sobre as cotações da commodity. A desvalorização do petróleo, a valorização do real frente ao dólar, a melhora das perspectivas para a safra indiana e o avanço das fixações de preços pelas usinas contribuíram para novas perdas nas bolsas de Nova York e Londres. No Brasil, o mercado físico também acompanhou o movimento, com recuo nas cotações do açúcar cristal.
Apesar do cenário negativo, especialistas avaliam que boa parte das notícias baixistas já pode estar precificada, embora a recuperação dependa da evolução das próximas safras da Índia, Tailândia e do desempenho da produção brasileira ao longo dos próximos meses.
Açúcar recua em Nova York e Londres
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam a sexta-feira em queda.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 recuou 0,24 ponto, encerrando a 14,88 cents de dólar por libra-peso. O contrato março de 2027 caiu para 15,85 cents/lbp, enquanto maio de 2027 fechou a 15,67 cents/lbp. As demais posições também registraram perdas.
Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco acompanhou o movimento negativo.
O contrato agosto de 2026 caiu US$ 11,50, encerrando a US$ 467,10 por tonelada. O vencimento outubro de 2026 recuou para US$ 464,60 por tonelada, enquanto dezembro de 2026 fechou cotado a US$ 464,00, também em baixa.
Ao longo da semana, o contrato outubro/2026 acumulou desvalorização de aproximadamente 36 pontos, equivalente a cerca de US$ 8 por tonelada. A pressão também atingiu os vencimentos entre março de 2027 e março de 2028, evidenciando um movimento vendedor disseminado por toda a curva futura.
Mercado físico acompanha movimento de baixa
No mercado brasileiro, o indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo também apresentou retração.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 91,21, queda diária de 1,08%. Com esse desempenho, o indicador passou a acumular leve recuo de 0,07% em julho.
Segundo analistas, o comportamento reflete principalmente o aumento da oferta disponível no mercado físico e uma postura mais cautelosa dos compradores diante das perspectivas internacionais.
Petróleo e câmbio ampliam pressão sobre o setor sucroenergético
Entre os fatores que mais influenciaram o mercado na semana está a queda do petróleo.
Com preços mais baixos da commodity energética, diminui a competitividade dos biocombustíveis, especialmente do etanol, reduzindo sua atratividade frente aos combustíveis fósseis. Como consequência, cresce a expectativa de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, elevando a oferta global.
Outro fator relevante foi a valorização do real frente ao dólar.
Embora um câmbio mais forte beneficie diversos segmentos da economia, ele reduz a competitividade das exportações brasileiras de açúcar e torna a gasolina relativamente mais barata no mercado interno, diminuindo a competitividade do etanol hidratado.
Esse cenário incentivou diversas usinas que ainda possuíam volumes em aberto a acelerar as operações de fixação de preços, especialmente para os contratos de outubro, ampliando a pressão vendedora sobre os futuros.
Safra da Índia reduz preocupações do mercado
Outro fator importante para a queda das cotações foi a melhora das condições climáticas na Índia.
O déficit das chuvas durante a temporada de monções diminuiu para aproximadamente 15% abaixo da média histórica até o início de julho, reduzindo parte das preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
A melhora nas perspectivas para a safra indiana contribuiu para um movimento de realização de lucros por parte dos investidores e reforçou as expectativas de maior disponibilidade da commodity no mercado global.
Além da Índia, o mercado acompanha atentamente o desenvolvimento da próxima safra na Tailândia, outro importante exportador mundial.
Mercado encontra forte resistência para subir
Especialistas observam que os contratos futuros continuam enfrentando dificuldades para romper importantes níveis técnicos.
O vencimento outubro de 2026 encontra forte resistência próxima de 15 centavos de dólar por libra-peso. Sempre que os preços se aproximam dessa faixa, aumenta o volume de vendas por parte das usinas que buscam proteger margens.
Situação semelhante ocorre com o contrato março de 2027, cuja resistência permanece próxima dos 16 centavos por libra-peso.
Esse comportamento reflete uma estratégia de gestão de risco adotada por produtores que ainda precisam comercializar parte da safra, priorizando a proteção das margens diante da elevada volatilidade do mercado.
Gestão de risco ganha importância
Analistas destacam que muitas usinas deixaram de aproveitar oportunidades de fixação quando os preços estavam significativamente superiores aos atuais.
A atual necessidade de comercialização em níveis mais baixos reforça um dos principais princípios da gestão de risco: o objetivo não é vender exatamente no topo do mercado, mas garantir margens economicamente satisfatórias quando elas surgem.
Mesmo com a recente desvalorização, as fixações acompanhadas de contratos de dólar a termo (NDF) para a safra 2027/28 ainda apresentam remuneração considerada adequada para boa parte das usinas brasileiras, desde que os custos de produção estejam corretamente dimensionados.
O pior da queda pode ter ficado para trás?
Apesar da pressão registrada nas últimas semanas, parte dos analistas acredita que o mercado esteja se aproximando de um piso.
Na avaliação dos especialistas, boa parte dos fatores negativos já foi incorporada aos preços, o que reduz o espaço para novas quedas expressivas caso não ocorram mudanças relevantes nos fundamentos.
Entretanto, uma recuperação consistente dependerá de fatores importantes nos próximos meses, como:
- evolução das safras da Índia e da Tailândia;
- condições climáticas durante a safra brasileira;
- ritmo da moagem de cana;
- comportamento do ATR;
- definição do mix entre açúcar e etanol;
- evolução dos preços do petróleo e do câmbio.
Caso ocorram problemas climáticos ou redução na produção dos principais exportadores asiáticos, o equilíbrio global poderá mudar rapidamente e favorecer uma recuperação das cotações.
Análise técnica aponta níveis decisivos
Sob a ótica gráfica, o contrato outubro de 2026 testa uma importante região de suporte entre 14,82 e 14,87 cents de dólar por libra-peso, faixa onde se concentram as médias móveis de 50, 100 e 200 dias.
Se o mercado recuperar esse nível, poderá voltar a mirar resistências em 15,50, 15,85 e posteriormente 16,54 cents por libra-peso.
Por outro lado, caso esse suporte seja definitivamente rompido, os próximos objetivos técnicos ficam próximos de 14,15 e 13,80 cents por libra-peso.
Enquanto isso, o mercado segue atento aos fundamentos globais e às condições das principais regiões produtoras, que deverão definir a direção dos preços do açúcar ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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