Publicado em: 22/04/2026 às 11:10hs
O mercado de açúcar e etanol no Brasil segue pressionado em abril, refletindo a combinação de demanda enfraquecida, avanço da nova safra 2026/27 e maior oferta no curto prazo. Ao mesmo tempo, o cenário internacional apresenta volatilidade, com oscilações nas bolsas influenciadas tanto pelo excesso de oferta quanto pelos movimentos do petróleo.
Os preços do açúcar cristal branco no mercado spot de São Paulo continuam em queda, de acordo com dados do Cepea. A desvalorização é resultado direto da demanda mais fraca e da expectativa de aumento na oferta com o avanço da safra 2026/27.
Compradores adotaram postura mais cautelosa nos últimos dias, aguardando possíveis novas quedas nos preços. Do lado da produção, mesmo com as usinas ainda em fase inicial, o aumento gradual da moagem já contribui para ampliar a disponibilidade do produto no curto prazo.
Outro fator que influencia o mercado interno é o desempenho internacional. A queda nas cotações do açúcar bruto na bolsa de Nova York também exerce pressão, ainda que de forma mais moderada, sobre os preços domésticos.
A última referência disponível do indicador CEPEA/ESALQ, divulgada antes do feriado de Tiradentes, apontou o valor da saca de 50 quilos em R$ 99,39, com recuo de 0,51% no dia.
No acumulado de abril, a queda chega a 5,76%, evidenciando a continuidade da pressão sobre o mercado físico do açúcar no país.
No cenário externo, o mercado do açúcar apresentou movimentos distintos no início da semana.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos do açúcar bruto registraram variações moderadas. O vencimento maio/2026 teve leve queda, enquanto os contratos para julho e outubro avançaram, assim como os vencimentos mais longos.
Já na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco apresentou valorização. Os contratos com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2026 registraram alta, indicando recuperação nos preços internacionais do produto refinado.
Apesar de algumas altas pontuais, os preços internacionais do açúcar seguem limitados pela ampla oferta global. Ainda assim, o mercado encontrou suporte recente na valorização do petróleo, impulsionada pela retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O aumento nos preços da energia tende a favorecer o açúcar, já que pode estimular as usinas a direcionarem maior volume de cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta do adoçante.
Após atingir mínimas de cinco anos, o açúcar bruto reagiu levemente, com o contrato maio/2026 voltando a subir. No entanto, na semana anterior, o mercado acumulou perdas, refletindo o excesso de oferta global.
O mercado de etanol segue a mesma tendência de desvalorização. No estado de São Paulo, o Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.601,50 por metro cúbico, com queda de 1,12% no comparativo diário.
No acumulado de abril, a retração já chega a 14,07%, reforçando o cenário de pressão consistente sobre os biocombustíveis.
O atual cenário indica que tanto o açúcar quanto o etanol devem continuar enfrentando pressão no curto prazo, diante do avanço da safra e da maior oferta disponível.
Ao mesmo tempo, o mercado internacional segue sensível a fatores externos, como o comportamento do petróleo e as tensões geopolíticas, que podem influenciar o direcionamento da produção nas usinas e trazer volatilidade adicional aos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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