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Maquinas e Implementos

Importação de tratores da China cresce 117% em 2026 e acende alerta da Anfavea

China e Índia concentram 93% dos tratores importados pelo Brasil; avanço ocorre enquanto vendas internas de máquinas agrícolas recuam e crédito caro limita investimentos


Publicado em: 23/10/2026 às 10:35hs

Importação de tratores da China cresce 117% em 2026 e acende alerta da Anfavea

As importações brasileiras de tratores agrícolas da China cresceram 117% entre janeiro e setembro de 2026, alcançando cerca de 5,2 mil unidades, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O avanço contrasta com a retração do mercado interno, no qual as vendas de tratores caíram 14,1% até agosto.

A Índia também ganhou relevância, com volume semelhante ao chinês. Juntos, os dois países responderam por 93% dos tratores importados no período.

Para a Anfavea, o cenário exige atenção às condições de concorrência e aos critérios utilizados nas compras públicas, especialmente quanto à manutenção, à disponibilidade de peças e à assistência técnica durante a vida útil dos equipamentos.

Compras públicas ampliam presença de tratores importados

Levantamento da entidade com base no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) mostra que 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados em 2025 eram importados.

Considerando o conjunto de máquinas agrícolas e rodoviárias, as licitações envolveram 10,6 mil unidades e R$ 3,7 bilhões naquele ano. Os equipamentos produzidos na China representaram 33,5% das unidades e 26% do valor, aproximadamente R$ 960 milhões.

Os demais países estrangeiros, somados, ficaram abaixo de 1% nesse recorte. A classificação considera o local de fabricação: máquinas de marcas estrangeiras produzidas em fábricas brasileiras são contabilizadas como nacionais.

Vendas de máquinas agrícolas caem 15,8% no varejo

As vendas internas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades até agosto, queda de 15,8%. No segmento de colheitadeiras, a retração foi de 39,4%.

Em sentido contrário, as importações de máquinas agrícolas cresceram 42% de janeiro a setembro, para 11,2 mil unidades. O volume foi mais que o dobro das cerca de 5 mil máquinas exportadas no mesmo intervalo.

Segundo a Anfavea, o avanço dos produtos importados ocorre em um mercado que apresenta encolhimento desde 2021.

Tratores de até 100 HP predominam nas importações

Os equipamentos de menor potência concentram a maior parte das compras externas. Conforme o levantamento, 90% dos tratores importados têm até 100 HP.

A faixa entre 50 e 100 HP reuniu 6.412 unidades, com crescimento de 56% no período analisado.

Esse movimento acontece em um ambiente de maior pressão financeira sobre os produtores rurais. Endividamento, menor rentabilidade e custo elevado do crédito dificultam a renovação das frotas e a aquisição de máquinas novas.

Crédito e custos industriais pressionam o setor

Dados do Banco Central compilados pela Anfavea apontam que a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7% em agosto. A restrição financeira se soma à queda dos preços de commodities, reduzindo a disposição para novos investimentos.

Do lado das fabricantes instaladas no Brasil, a entidade relata aumento dos custos de produção. Entre os fatores citados estão a alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e medidas antidumping aplicadas a determinados produtos.

Segundo estimativas das associadas, o impacto sobre os componentes plásticos utilizados nas máquinas pode variar de 4% a 7%.

A situação difere da observada nas máquinas rodoviárias. Nesse segmento, lançamentos imobiliários e investimentos em infraestrutura têm sustentado a demanda por escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras.

Anfavea defende avaliação do custo durante toda a vida útil

Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, o preço de aquisição deve ser analisado junto aos gastos e às condições de operação ao longo dos anos.

O dirigente destaca que a continuidade do trabalho depende de peças, manutenção, assistência técnica e capacidade de atendimento. Por isso, defende que as licitações considerem o custo total de propriedade, além do valor pago na compra.

A entidade afirma que a entrada de novas marcas e tecnologias deve ocorrer com requisitos compatíveis de qualidade, segurança, suporte técnico e responsabilidade sobre o produto, de modo a equilibrar a concorrência entre fabricantes nacionais e importadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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