Bioestimulantes de algas fortalecem pastagens e ampliam oferta de alimento para o gado
Soluções à base de Ascophyllum nodosum podem estimular raízes, melhorar a rebrota das forrageiras e aumentar a produção de biomassa, contribuindo para maior eficiência na pecuária
Publicado em: 19/08/2026 às 15:30hs
A busca por pastagens mais produtivas, resistentes e eficientes tem ampliado o interesse dos pecuaristas pelo uso de bioestimulantes à base de extratos de algas marinhas. As tecnologias atuam sobre processos fisiológicos das plantas e podem contribuir para o desenvolvimento das raízes, o aproveitamento de água e nutrientes e a recuperação das forrageiras após o pastejo.
Entre as matérias-primas utilizadas nesse segmento está a alga marinha Ascophyllum nodosum, reconhecida por sua capacidade de sobreviver em ambientes submetidos a condições extremas. Segundo especialistas, os compostos bioativos presentes no extrato podem auxiliar as plantas cultivadas na resposta a diferentes situações de estresse.
Bioestimulantes ajudam no desenvolvimento das pastagens
De acordo com Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond para a BU Atlantic, que reúne Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, o fortalecimento das pastagens está diretamente relacionado à melhoria da fisiologia vegetal.
A aplicação de bioestimulantes não substitui o manejo nutricional ou as demais práticas necessárias para a formação e manutenção das pastagens. A proposta é complementar o sistema, ampliando a capacidade das plantas de utilizar os recursos disponíveis no ambiente.
“Os bioestimulantes não substituem o manejo nutricional, mas ampliam a capacidade natural das plantas de crescer, produzir raízes e utilizar os recursos disponíveis no ambiente”, explica Carloto.
Segundo o especialista, a combinação desses fatores pode favorecer pastagens mais vigorosas, maior velocidade de recuperação após o pastejo e maior estabilidade produtiva ao longo da safra.
Ascophyllum nodosum é utilizada em bioestimulantes agrícolas
A Ascophyllum nodosum é uma alga encontrada nas águas frias do Atlântico Norte, principalmente em regiões do Canadá. A espécie se desenvolve na zona entre as marés, permanecendo alternadamente submersa e exposta ao ambiente.
Essa característica faz com que a alga esteja naturalmente submetida a variações intensas de temperatura e disponibilidade de água. Durante sua evolução, desenvolveu compostos bioativos associados à proteção celular contra diferentes formas de estresse.
De acordo com a Acadian Sea Beyond, esses compostos podem ser preservados durante o processo de extração e utilizados em formulações destinadas à agricultura e à pecuária.
Quando aplicados às pastagens, os extratos são direcionados a processos relacionados ao crescimento, desenvolvimento radicular e equilíbrio metabólico das plantas.
Tecnologia busca aumentar a resistência das forrageiras
A maior capacidade de resposta das plantas aos fatores ambientais é um dos principais objetivos do uso de bioestimulantes em pastagens.
Em períodos de déficit hídrico, temperaturas elevadas ou outras condições adversas, as forrageiras podem reduzir seu desenvolvimento e comprometer a oferta de alimento para o rebanho.
Nesse contexto, a estratégia busca estimular mecanismos fisiológicos que ajudem as plantas a manter o desenvolvimento e a recuperar o crescimento após situações de estresse.
Para Bruno Carloto, o fortalecimento da planta desde os estágios fisiológicos permite aumentar sua capacidade de enfrentar condições ambientais desfavoráveis.
Zinco reforça estratégia de crescimento das pastagens
Além dos extratos de algas, a disponibilidade adequada de micronutrientes também exerce papel importante no desenvolvimento vegetal. Entre eles está o zinco, elemento envolvido na síntese hormonal, ativação de enzimas e diversos processos fisiológicos das plantas.
A partir dessa combinação, a Acadian Sea Beyond desenvolveu o Toggle Plus, formulação que associa zinco ao extrato da Ascophyllum nodosum.
Segundo Samir Filho, gerente técnico regional Latam Sul da empresa, a combinação busca atuar de maneira complementar sobre o desenvolvimento das plantas.
“O zinco é um importante precursor hormonal que atua promovendo o crescimento das plantas. Sua combinação com o extrato da alga é perfeita para manter as pastagens ativas e vigorosas”, afirma.
Rebrota após o pastejo é um dos principais benefícios
Entre os resultados esperados com o uso da tecnologia estão maior uniformidade das pastagens, capacidade de rebrota e produção de biomassa.
O melhor aproveitamento da água e dos nutrientes disponíveis no solo também pode contribuir para o desempenho das forrageiras.
Uma pastagem com maior capacidade de recuperação após o pastejo tende a permanecer produtiva por mais tempo, o que pode ajudar o pecuarista a reduzir perdas e melhorar a utilização das áreas destinadas à alimentação do gado.
Principais benefícios associados aos bioestimulantes em pastagens
- Maior vigor das plantas;
- Estímulo ao desenvolvimento das raízes;
- Melhor capacidade de rebrota após o pastejo;
- Maior uniformidade das pastagens;
- Melhor aproveitamento de água e nutrientes;
- Aumento da produção de biomassa;
- Maior capacidade de resposta a estresses ambientais;
- Potencial de manutenção da produtividade por períodos mais longos.
Pastagens resilientes podem ampliar oferta de alimento
A qualidade e a disponibilidade das pastagens estão diretamente relacionadas à capacidade do produtor de manter uma oferta adequada de alimento ao longo do ciclo produtivo.
Para Bruno Carloto, estratégias que atuam sobre a fisiologia das plantas podem contribuir para aumentar a resiliência das forrageiras diante de desafios ambientais.
“Quando fortalecemos a planta desde sua base fisiológica, ampliamos sua capacidade de responder aos desafios do ambiente”, afirma.
Na avaliação do especialista, o resultado esperado é uma pastagem com maior capacidade de desenvolvimento em situações de estresse hídrico ou térmico, favorecendo a manutenção da oferta de alimento para o rebanho.
Bioestimulantes ganham espaço na pecuária sustentável
O avanço dessas tecnologias acompanha uma tendência de busca por sistemas pecuários mais eficientes no uso dos recursos naturais.
Ao melhorar o desenvolvimento das forrageiras e o aproveitamento dos insumos disponíveis, os bioestimulantes podem integrar estratégias voltadas ao aumento da produtividade das áreas de pastagem.
A tecnologia, entretanto, deve ser considerada dentro de um manejo integrado, que envolve correção e fertilidade do solo, escolha adequada das forrageiras, manejo da lotação, controle do pastejo e disponibilidade de água.
Acadian Sea Beyond investe em soluções com algas marinhas
Com 45 anos de atuação, a Acadian Sea Beyond trabalha com colheita sustentável, cultivo e extração de Ascophyllum nodosum.
A empresa atua em diferentes mercados e mantém investimentos em pesquisa e desenvolvimento para transformar os compostos bioativos da alga em soluções destinadas à agricultura e à pecuária.
O movimento acompanha a expansão do mercado de bioestimulantes agrícolas, impulsionado pela necessidade de aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência no uso de água, nutrientes e áreas produtivas.
Conclusão
O uso de bioestimulantes à base de algas em pastagens representa uma frente tecnológica para melhorar o desempenho das forrageiras e aumentar a eficiência dos sistemas de produção pecuária.
Com a combinação de extratos de Ascophyllum nodosum e nutrientes como o zinco, a estratégia busca estimular o desenvolvimento radicular, favorecer a rebrota, aumentar a produção de biomassa e preparar as plantas para enfrentar condições de estresse.
Para o pecuarista, a manutenção de pastagens mais vigorosas e resilientes pode significar maior estabilidade na produção de forragem e melhor aproveitamento das áreas destinadas à alimentação do gado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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