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Adubos e Fertilizantes

Fosfato natural reativo ganha espaço no planejamento da adubação e pode complementar fertilizantes tradicionais

Eficiência do fósforo depende da acidez do solo, da reatividade da rocha, da umidade e das exigências das culturas; avaliação técnica é fundamental para definir a melhor estratégia de fertilização.


Publicado em: 05/11/2026 às 08:30hs

Fosfato natural reativo ganha espaço no planejamento da adubação e pode complementar fertilizantes tradicionais

A escolha da fonte de fósforo é uma das decisões importantes no planejamento da adubação agrícola. Em solos brasileiros, onde a disponibilidade natural desse nutriente costuma ser limitada, encontrar alternativas eficientes para a nutrição das plantas pode contribuir para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes e otimizar os custos de produção.

Entre as opções disponíveis está o fosfato natural reativo, fertilizante mineral que apresenta características específicas de liberação do fósforo no solo e pode ser utilizado como alternativa ou complemento às fontes tradicionais, dependendo das condições da área e das necessidades da cultura.

A eficiência desse insumo, entretanto, não é igual em todas as situações. Características como pH, acidez, umidade, composição mineral do fertilizante e manejo da lavoura influenciam diretamente a disponibilização do nutriente e seu aproveitamento pelas plantas.

Para Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Fértil e da Morro Verde, a definição da fonte de fósforo precisa considerar um conjunto de fatores agronômicos, e não apenas a concentração do nutriente indicada na composição do produto.

Como funciona o fosfato natural reativo na agricultura?

O fósforo participa de funções essenciais no metabolismo vegetal, incluindo a transferência e o armazenamento de energia, o desenvolvimento radicular e diferentes processos relacionados ao crescimento das plantas.

Por apresentar baixa disponibilidade natural em muitos solos brasileiros, sua reposição por meio da adubação é fundamental para atender às exigências nutricionais das culturas.

Uma das diferenças entre os fertilizantes fosfatados está na velocidade e nas condições necessárias para disponibilizar o nutriente.

Enquanto fontes de maior solubilidade em água apresentam liberação mais rápida do fósforo, os fosfatos naturais reativos dependem de processos de dissolução no ambiente do solo para disponibilizar o elemento às plantas.

Essa característica faz com que seu desempenho esteja diretamente relacionado às condições químicas e físicas da área cultivada.

“O fosfato natural reativo precisa ser avaliado caso a caso. Fatores como o pH e a acidez do solo, a umidade, o tipo de cultura e o horizonte de manejo influenciam diretamente a liberação do fósforo. Por isso, conhecer a reatividade do fertilizante e as características da área é fundamental para entender em quais situações ele pode contribuir para a estratégia de adubação, inclusive como fonte de efeito residual ao longo das safras”, afirma Saurin.

Acidez do solo influencia a eficiência do fosfato natural

Entre os principais fatores que determinam o desempenho do fosfato natural reativo está a acidez do solo.

Em condições de maior acidez, a dissolução de determinadas fontes de fosfato natural pode ser favorecida, permitindo a liberação gradual do fósforo. A umidade também interfere nesse processo, assim como as características mineralógicas e a reatividade da rocha utilizada na fabricação do fertilizante.

Outro aspecto importante é a exigência nutricional da cultura. Lavouras com diferentes ciclos de desenvolvimento e demandas por fósforo podem apresentar respostas distintas às fontes utilizadas na adubação.

Por esse motivo, a escolha do fertilizante precisa considerar:

  • pH e acidez do solo: influenciam os processos de dissolução e disponibilidade do fósforo.
  • Reatividade da fonte mineral: determina o potencial de liberação do nutriente.
  • Umidade: participa dos processos químicos envolvidos na disponibilização do fósforo.
  • Exigência da cultura: interfere na quantidade e no momento em que o nutriente precisa estar disponível.
  • Manejo da fertilidade: influencia o aproveitamento do fertilizante ao longo do ciclo produtivo.

A combinação desses fatores ajuda a determinar se o fosfato natural reativo apresenta condições adequadas para integrar o programa de adubação.

Pesquisa da Embrapa reforça diferenças entre fontes de fósforo

A variabilidade de desempenho entre fertilizantes fosfatados também foi abordada em uma publicação científica da Embrapa Solos, de 2025.

O estudo avaliou dez fontes de fosfato e identificou diferenças entre os materiais, associadas a características como composição química e disponibilidade do nutriente.

Os resultados reforçam que a escolha de uma fonte de fósforo não deve se limitar à análise do teor total do elemento presente no fertilizante. A capacidade de disponibilização e o aproveitamento pelas plantas também precisam fazer parte da avaliação.

Essa distinção é importante porque dois produtos com concentrações semelhantes de fósforo podem apresentar comportamentos diferentes no solo, dependendo de sua composição e das condições de utilização.

Na prática, a análise das características do fertilizante e das condições da área permite estabelecer estratégias de adubação mais adequadas às necessidades de cada sistema produtivo.

Fosfato natural reativo substitui o fertilizante tradicional?

A utilização do fosfato natural reativo não significa, necessariamente, substituir fontes convencionais de fósforo.

O produto pode integrar estratégias complementares de fertilização, desde que sua utilização seja tecnicamente adequada às condições do solo e às exigências da cultura.

Em situações nas quais a lavoura necessita de disponibilização mais imediata do nutriente, fontes de maior solubilidade podem apresentar vantagens. Já em condições favoráveis à dissolução do fosfato natural reativo, o fertilizante pode contribuir para o fornecimento de fósforo ao longo do tempo.

A definição da melhor combinação depende de fatores como análise química do solo, histórico de adubação, produtividade esperada e planejamento nutricional da propriedade.

A avaliação econômica também é relevante. O custo por tonelada do fertilizante, o teor de fósforo, sua disponibilidade agronômica e a resposta esperada da cultura precisam ser considerados conjuntamente para determinar a viabilidade da aplicação.

Manejo técnico ajuda a melhorar o aproveitamento do fósforo

Para o produtor rural, a escolha da fonte de fósforo deve fazer parte de um planejamento mais amplo de fertilidade do solo.

A análise periódica da área permite identificar limitações nutricionais e orientar as quantidades e fontes de fertilizantes necessárias. O acompanhamento técnico também ajuda a avaliar o comportamento dos produtos ao longo das safras e ajustar as estratégias de manejo.

“Mais do que escolher uma fonte isoladamente, o produtor precisa considerar as necessidades da lavoura e as condições da área. Uma avaliação técnica bem-feita permite entender como cada fertilizante pode contribuir para o manejo da fertilidade e para os objetivos de produção”, acrescenta Saurin.

Nesse contexto, o fosfato natural reativo representa mais uma possibilidade dentro das ferramentas disponíveis para o manejo da nutrição vegetal. Seu potencial depende da compatibilidade entre as características do fertilizante, as condições do solo e a estratégia de produção adotada.

Fertilizantes minerais nacionais ganham importância na segurança de insumos

A discussão sobre fontes alternativas de fósforo também está relacionada à necessidade de ampliar as opções de fornecimento de fertilizantes para o agronegócio brasileiro.

O desenvolvimento e o aproveitamento de recursos minerais nacionais podem contribuir para diversificar a oferta de insumos e reduzir a exposição do setor agrícola às oscilações do mercado internacional.

Nesse segmento, a Massari Fértil e a Morro Verde atuam na mineração, no beneficiamento e na formulação de fertilizantes minerais mistos naturais destinados ao agronegócio.

As empresas possuem ativos minerais, unidades industriais e operações logísticas em Minas Gerais e São Paulo, além de parcerias produtivas em diferentes regiões do país.

A atuação integrada, da extração mineral à formulação de produtos para nutrição e correção dos solos, faz parte da estratégia das companhias para ampliar a oferta de soluções minerais destinadas à agricultura.

Com investimentos em inovação e desenvolvimento de produtos, a Massari Fértil e a Morro Verde buscam contribuir para o fortalecimento da produção nacional de insumos agrícolas e para a competitividade do agronegócio brasileiro.

A escolha entre fosfatos naturais reativos e fontes tradicionais, portanto, deve ser orientada por critérios agronômicos e econômicos. Mais do que buscar uma solução única, o desafio está em combinar diferentes tecnologias e fontes de nutrientes para atender às necessidades de cada lavoura com eficiência.

Fonte: Portal do Agronegócio

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