Fertilizantes: entregas podem cair 11% em 2026, mas setor prevê retomada em 2027
Projeção apresentada no Simpósio Sindiadubos NPK aponta volume de 47,5 milhões de toneladas no próximo ano, com demanda apoiada pelo milho para etanol, sorgo e soja
Publicado em: 28/10/2026 às 16:00hs
O mercado brasileiro de fertilizantes deve voltar a crescer em 2027, após um ano de retração nas compras e pressão sobre a capacidade de investimento dos produtores rurais. A estimativa apresentada no 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026 indica entregas de 47,5 milhões de toneladas no próximo ano, impulsionadas por novas demandas do agronegócio.
Para 2026, a Agrinvest Commodities projeta 43,6 milhões de toneladas, aproximadamente 11% abaixo do recorde de 49,1 milhões registrado em 2025. Caso os dois volumes projetados se confirmem, a recuperação em 2027 será próxima de 9%, ainda sem alcançar o patamar do ano passado.
As perspectivas foram discutidas em 22 de outubro, em Curitiba (PR). Segundo a organização, o simpósio reuniu público recorde de 1,2 mil participantes, representando mais de 350 empresas brasileiras e estrangeiras.
Custo de produção limita compras de fertilizantes
A retração esperada para 2026 reflete a combinação de insumos caros, juros elevados e menor poder de compra no campo. Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz Teixeira, o ambiente internacional também contribuiu para a instabilidade.
Conflitos, sanções comerciais e restrições à navegação afetaram as condições de fornecimento e ampliaram a volatilidade dos preços. No mercado doméstico, fretes e questões tributárias acrescentaram pressão aos custos da atividade agrícola.
Segundo Teixeira, o principal entrave para o consumo foi a dificuldade de o produtor acomodar a compra de fertilizantes no orçamento. A estimativa do dirigente é de uma queda entre 10% e 15% nas entregas em 2026.
Apesar das turbulências, o presidente do Sindiadubos-PR afirmou que o abastecimento foi mantido ao longo do período e manifestou confiança na continuidade da oferta.
Agrinvest projeta entregas de 43,6 milhões de toneladas em 2026
O engenheiro agrônomo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, apresentou uma previsão de 43,6 milhões de toneladas entregues neste ano.
O volume representa redução de cerca de 5,5 milhões de toneladas em relação a 2025. O especialista ressaltou, porém, que as estimativas são revisadas mensalmente e que a intensidade da queda ainda pode mudar.
Na análise de Souza, a cautela nas aquisições está ligada ao custo total de produção e à perda de poder de compra dos agricultores, fatores que levaram à redução do uso de nutrientes.
Menor aplicação de nutrientes acende alerta no campo
Os dados apresentados pela Agrinvest indicam recuo em diferentes segmentos do mercado de fertilizantes em 2026.
No caso do fósforo, Souza comparou uma média de aplicação de P₂O₅ de 72,6 quilos em 2021 com 45,2 quilos neste ano, nível apontado por ele como o menor da série histórica analisada. O movimento ocorreu mesmo com expansão da área cultivada e avanço da produtividade.
O levantamento também apontou reduções nos indicadores apresentados para nitrogênio, ureia e sulfato de amônia no acumulado de janeiro a setembro, com quedas de 21%, 20% e 18%, respectivamente.
A diminuição do uso de nutrientes reforça a atenção sobre o equilíbrio entre contenção de despesas e manutenção do suporte nutricional das lavouras nas próximas safras.
Milho para etanol, sorgo e soja sustentam perspectiva de recuperação
Apesar das dificuldades no curto prazo, a Agrinvest identifica fatores que podem estimular a retomada do consumo de fertilizantes a partir de 2027.
Entre eles estão a expansão do milho destinado à produção de etanol, o crescimento de culturas alternativas, como o sorgo, e a continuidade do ciclo produtivo da soja.
Essas atividades devem ampliar a demanda por insumos e contribuir para a projeção de 47,5 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2027. A recuperação, entretanto, também depende de melhores condições de compra para os produtores e de maior estabilidade nos custos.
Crédito, frete e tributação estão entre as prioridades do setor
Durante o simpósio, o Sindiadubos-PR destacou uma agenda de reivindicações conduzida por entidades setoriais em articulação com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
As prioridades incluem a renegociação de dívidas rurais, a redução dos juros, a revisão da tabela de frete mínimo e maior clareza na regulamentação da reforma tributária. O setor também defende a ampliação do acesso a um seguro agrícola compatível com a capacidade de pagamento dos produtores.
Para os representantes da cadeia, o avanço dessas medidas pode ajudar a recompor a capacidade de investimento no campo. A expectativa para 2027 é de recuperação gradual das compras, acompanhando as necessidades das lavouras e a evolução das condições econômicas da produção agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
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