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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes de liberação gradual ganham espaço no debate sobre custos das usinas de cana

Na Conferência DATAGRO, Agrion apresentou modelo que combina matéria orgânica, fornecimento de nutrientes e parceria com unidades sucroenergéticas


Publicado em: 27/10/2026 às 11:35hs

Fertilizantes de liberação gradual ganham espaço no debate sobre custos das usinas de cana

O uso de fertilizantes de liberação gradual e a integração entre fornecedores e usinas estiveram em debate na 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada nesta segunda-feira (26), em São Paulo. Durante o evento, o CEO da Agrion Fertilizantes Especiais, Ernani Judice, apresentou uma proposta que busca melhorar o aproveitamento de nutrientes e reduzir custos para o setor sucroenergético.

O modelo combina tecnologia de fertilização, matéria orgânica e liberação gradual de nutrientes, com projetos adaptados às necessidades de cada usina. A apresentação foi moderada por Guilherme Nastari, diretor da DATAGRO.

A iniciativa também prevê a participação das unidades industriais nos resultados da comercialização dos fertilizantes. As estimativas de retorno apresentadas pela empresa são projeções comerciais e dependem das condições de implantação e operação de cada projeto.

Eficiência dos fertilizantes na agricultura tropical

Ao apresentar a proposta, Judice argumentou que parte dos fertilizantes convencionais disponíveis no mercado não foi desenvolvida originalmente para as condições da agricultura tropical brasileira. Segundo o executivo, a baixa absorção de nutrientes pelas plantas pode reduzir a eficiência dos insumos e elevar os custos da lavoura.

A parcela dos nutrientes aplicados que não é absorvida pela cultura pode ter diferentes destinos: permanecer disponível no solo, ficar temporariamente imobilizada ou ser perdida por processos como lixiviação e volatilização.

Durante o debate, Judice afirmou que 60% dos fertilizantes não seriam absorvidos. O percentual foi apresentado como uma avaliação geral do executivo; o aproveitamento varia conforme o nutriente, a formulação, o solo, o clima, a cultura e o manejo adotado.

Liberação gradual busca melhorar o uso de nutrientes

A tecnologia apresentada pela Agrion procura ajustar a disponibilização dos nutrientes às condições de produção, com uso de matéria orgânica e liberação gradual. O objetivo informado pela companhia é ampliar a eficiência da adubação e contribuir para a produtividade.

O desempenho desse tipo de fertilizante, porém, depende das características da lavoura e do sistema de aplicação. Para avaliar o resultado econômico, é necessário considerar tanto o custo do produto quanto sua resposta no campo.

Judice também destacou investimentos em automação na fabricação como parte da estratégia da empresa para reduzir custos e ampliar a competitividade da solução.

Modelo prevê investimento em fábricas e participação das usinas

A proposta comercial prevê que a Agrion seja responsável pelos investimentos na construção das fábricas, enquanto as usinas participariam da comercialização e dos resultados.

Segundo o executivo, o investimento estimado é de R$ 40 milhões por unidade, com retorno projetado entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões anuais. A apresentação não detalhou se essa projeção corresponde a faturamento, lucro ou outro indicador financeiro.

O modelo pretende integrar fornecimento de insumos, tecnologia e operação industrial, com adaptação dos projetos às características de cada unidade sucroenergética.

Setor debate vulnerabilidade a preços internacionais

Ao moderar a conversa, Guilherme Nastari ressaltou a necessidade de reduzir vulnerabilidades externas em um ambiente de instabilidade geopolítica e volatilidade nos preços dos combustíveis e insumos.

O diretor da DATAGRO lembrou a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), em 1975, ao destacar que acontecimentos internacionais, incluindo riscos à navegação pelo Estreito de Ormuz, continuam influenciando o abastecimento e os preços de combustíveis no Brasil.

A busca por maior eficiência no uso de fertilizantes integra, assim, o debate sobre custos e competitividade do setor. Para as usinas, a adoção de novas soluções depende da avaliação dos resultados agronômicos e financeiros nas condições de cada operação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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