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Adubos e Fertilizantes

Agro cobra produção nacional de fertilizantes e regras mais eficientes para garantir acesso a insumos

Dependência externa, custo do gás natural, infraestrutura, crédito e segurança jurídica para defensivos e bioinsumos estão entre as prioridades apresentadas ao próximo governo


Publicado em: 14/09/2026 às 18:20hs

Agro cobra produção nacional de fertilizantes e regras mais eficientes para garantir acesso a insumos

Garantir fertilizantes, defensivos agrícolas e outras tecnologias no momento adequado e a custos competitivos será um dos principais desafios do próximo governo para preservar a produtividade do agronegócio brasileiro. Representantes dos setores de nutrição vegetal e proteção de cultivos defendem uma agenda que combine aumento da produção nacional, diversificação de fornecedores, melhoria da infraestrutura, crédito e maior segurança jurídica.

No mercado de fertilizantes, a elevada dependência das importações mantém o Brasil exposto a crises internacionais, oscilações de preços e interrupções logísticas. Na área de defensivos e bioinsumos, o setor cobra processos regulatórios mais previsíveis, integração entre os órgãos responsáveis pelos registros e condições favoráveis à inovação.

Apesar de atuarem em segmentos diferentes, as demandas convergem em um ponto: sem acesso regular aos insumos, o produtor perde capacidade de planejamento, enfrenta custos mais altos e pode ter a produtividade comprometida.

Produção nacional de fertilizantes ganha importância estratégica

Para Tomás Pernias, analista de inteligência de mercado da StoneX, uma das prioridades deve ser o fortalecimento da indústria brasileira de fertilizantes. O avanço da produção doméstica, porém, depende de matérias-primas disponíveis e de custos que permitam competir com fornecedores internacionais.

Entre os gargalos está o enxofre, utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados. Dificuldades na aquisição desse insumo podem afetar o funcionamento das fábricas instaladas no país.

“Assegurar uma oferta adequada de enxofre para a indústria nacional é um objetivo importante para garantir a continuidade da produção no Brasil e reduzir o risco de desabastecimento”, afirma Pernias.

O custo do gás natural também aparece como obstáculo, principalmente para a produção de fertilizantes nitrogenados. Segundo o analista, os preços praticados no Brasil limitam a competitividade da indústria doméstica diante dos produtos importados.

“Outra prioridade é criar condições para que os compradores brasileiros tenham acesso a gás natural em bases mais competitivas”, destaca.

Dependência externa amplia exposição do agronegócio

A agricultura brasileira utiliza grandes volumes de fertilizantes importados em culturas como soja, milho, algodão e café. Essa dependência cria riscos para toda a cadeia produtiva quando ocorrem conflitos geopolíticos, restrições comerciais, problemas logísticos ou redução da oferta internacional.

Segundo Pernias, os principais riscos são a possibilidade de desabastecimento, a elevação dos custos diante de altas no mercado externo e a redução da disponibilidade interna caso as importações recuem de forma acentuada.

“Com menor disponibilidade de insumos no mercado doméstico, aumentam os riscos de redução da produtividade rural brasileira, caso a oferta caia drasticamente e os agricultores enfrentem dificuldades para realizar suas compras”, explica.

Além de ampliar a capacidade produtiva nacional, o Brasil precisa reduzir a concentração das aquisições externas em poucos países ou empresas.

“É importante que os compradores de fertilizantes ponderem os riscos de manter relações comerciais e negociações concentradas em poucos fornecedores”, ressalta o analista.

A diversificação das origens cria alternativas em períodos de crise e diminui a exposição a interrupções localizadas no fornecimento.

Portos, ferrovias e rodovias afetam chegada dos insumos

A segurança de abastecimento não depende apenas da origem dos fertilizantes. A infraestrutura brasileira também influencia o tempo e o custo necessário para levar os produtos importados dos portos até as misturadoras, revendas e propriedades rurais.

Nos períodos de maior demanda, limitações portuárias e dificuldades no transporte ferroviário e rodoviário podem atrasar entregas justamente quando o produtor precisa preparar o plantio.

Para a StoneX, investimentos em portos, ferrovias e rodovias são necessários para acelerar o descarregamento, ampliar a capacidade de movimentação e reduzir gargalos nos principais corredores de distribuição.

Uma logística mais eficiente pode diminuir custos, melhorar a previsibilidade das entregas e reduzir o risco de falta de fertilizantes durante as janelas críticas das safras.

Defensivos agrícolas dependem de segurança jurídica

No setor de proteção de cultivos, a CropLife Brasil aponta a segurança jurídica e a eficiência regulatória como condições essenciais para a chegada de novas tecnologias ao campo.

A entidade representa empresas dos segmentos de defensivos químicos, bioinsumos, biotecnologia, sementes e mudas. Para a organização, a agricultura tropical exige acesso contínuo a soluções capazes de enfrentar pragas, doenças e plantas daninhas sem comprometer a produtividade.

Entre as prioridades está a regulamentação das leis de Bioinsumos e dos Agrotóxicos, além do aperfeiçoamento dos processos de análise e registro.

A Lei nº 14.785/2023 modernizou o marco regulatório dos defensivos agrícolas. Segundo a CropLife, entretanto, sua aplicação ainda precisa de detalhamento, definição de responsabilidades, estabelecimento de prazos e maior digitalização dos procedimentos.

O setor também pede integração mais eficiente entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Quando uma tecnologia atende aos requisitos de segurança, quanto mais previsível for o processo, mais rapidamente ela poderá chegar ao produtor”, afirma a entidade.

Mercado de bioinsumos movimentou R$ 6,2 bilhões

Os bioinsumos estão entre as tecnologias que mais avançaram na agricultura brasileira. Dados do CropData apresentados pela CropLife indicam que esse mercado movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior.

A área tratada chegou a 194 milhões de hectares, avanço de 28%. O cálculo considera aplicações repetidas e misturas realizadas durante os ciclos produtivos.

Para a entidade, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação nesse mercado, mas o crescimento sustentável dependerá de regras que ofereçam segurança para pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização.

A CropLife defende uma estratégia integrada, na qual as diferentes tecnologias sejam utilizadas de maneira complementar.

“Não existe uma única tecnologia capaz de responder a todos os desafios da agricultura tropical. O futuro está na complementaridade entre defensivos químicos, bioinsumos, biotecnologia e germoplasma”, destaca.

Produtos ilegais ameaçam produção e concorrência

O combate aos defensivos agrícolas ilegais também aparece entre as prioridades do setor. Contrabando, falsificação e adulteração prejudicam a concorrência e podem gerar riscos para as lavouras, o meio ambiente e a saúde.

A CropLife defende maior integração entre governo, indústria e forças de segurança, principalmente nas fronteiras e demais pontos de entrada desses produtos no país.

O fortalecimento da fiscalização e da rastreabilidade é considerado necessário para identificar a origem dos insumos, retirar produtos irregulares do mercado e responsabilizar os agentes envolvidos.

A comercialização ilegal também prejudica as empresas que investem em pesquisa, registro e cumprimento das exigências regulatórias brasileiras.

Crédito define acesso do produtor às tecnologias

Mesmo quando os insumos estão disponíveis, o custo e as condições de financiamento influenciam diretamente a capacidade de compra do produtor rural.

O setor defende mecanismos que ampliem a concorrência, reduzam ineficiências tributárias e facilitem o acesso a produtos devidamente registrados.

Entre as alternativas utilizadas está o barter, modalidade na qual o agricultor negocia parte da produção futura para adquirir fertilizantes, defensivos, sementes ou serviços. Conforme dados do CropData citados pela CropLife, essas operações movimentaram R$ 12,6 bilhões em 2024.

O instrumento ajuda a financiar o custeio, mas exige planejamento diante das oscilações nos preços dos insumos, das commodities e do câmbio.

Produção doméstica deve avançar sem fechar mercado às importações

A redução da vulnerabilidade brasileira não significa abandonar as importações. A estratégia defendida pelos setores passa por combinar produção doméstica, diversificação internacional e abertura comercial.

No caso dos fertilizantes, ampliar o número de países e fornecedores reduz os impactos de uma eventual interrupção em determinada origem. Simultaneamente, o fortalecimento das fábricas brasileiras pode garantir uma parcela maior do abastecimento e diminuir a exposição a choques externos.

Para os defensivos agrícolas, a CropLife defende maior convergência entre as regras brasileiras e os padrões internacionais, desde que sejam preservados os critérios de segurança, eficácia e qualidade.

Esse equilíbrio permitiria ampliar o acesso às tecnologias e evitar uma dependência excessiva de poucos mercados.

Insumos entram na agenda prioritária do próximo governo

As propostas da StoneX e da CropLife colocam fertilizantes, defensivos, bioinsumos e crédito rural no centro da agenda para os próximos anos.

No setor de fertilizantes, as prioridades incluem aumentar a produção nacional, assegurar matérias-primas estratégicas, reduzir o custo do gás natural, diversificar fornecedores e melhorar a infraestrutura logística.

Na área de proteção de cultivos, as principais demandas envolvem excelência regulatória, segurança jurídica, estímulo à inovação, competitividade e integridade das cadeias comerciais.

O desafio será construir um ambiente no qual produção nacional e importações funcionem de maneira complementar, garantindo que o agricultor tenha acesso aos insumos no momento correto e sem custos incompatíveis com a rentabilidade das lavouras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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