USDA eleva projeção para soja dos EUA, mantém safra brasileira em 186 milhões de toneladas e reduz milho na Europa
Relatório de agosto do USDA atualiza o cenário global de soja, milho, trigo e algodão para a safra 2026/27, com destaque para o aumento da produção norte-americana de soja, a oferta brasileira de milho e a redução da produção de trigo no Brasil
Publicado em: 17/08/2026 às 10:50hs
O relatório de agosto do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), compilado no WASDE – World Agricultural Supply and Demand Estimates, trouxe mudanças importantes para o mercado global de grãos e fibras. Os dados analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA apontam ajustes relevantes nas projeções de soja, milho, trigo e algodão para a temporada 2026/27.
Entre os principais movimentos estão a elevação da produção de soja dos Estados Unidos para 123 milhões de toneladas, a manutenção da estimativa brasileira em 186 milhões de toneladas para 2026/27 e a revisão para baixo da produção de milho da União Europeia.
No trigo, o cenário é mais apertado para o Brasil: a projeção de produção nacional foi reduzida de 6,7 milhões para 6,1 milhões de toneladas, enquanto a necessidade de importação foi elevada para 7,5 milhões de toneladas.
Soja: USDA aumenta produção dos Estados Unidos
O principal destaque do balanço global de soja está nos Estados Unidos. Para a safra 2026/27, o USDA elevou a estimativa de produção norte-americana de 121,8 milhões para 123 milhões de toneladas, avanço de 1% em relação à projeção de julho.
A área colhida também foi revisada para cima, passando de 34,2 milhões para 34,7 milhões de hectares. A produtividade, entretanto, recuou levemente, de 3,6 para 3,5 toneladas por hectare.
O consumo doméstico dos Estados Unidos também ganhou força, com a projeção passando de 77,8 milhões para 78,6 milhões de toneladas. Dentro desse volume, o esmagamento foi elevado de 74,8 milhões para 75,7 milhões de toneladas.
Apesar do aumento da produção, o estoque final norte-americano foi projetado em 8,7 milhões de toneladas, acima dos 8,4 milhões previstos anteriormente.
Brasil mantém produção de soja em 186 milhões de toneladas
Para o Brasil, o USDA manteve a previsão de produção de soja 2026/27 em 186 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório de julho.
A estimativa considera área colhida de 50 milhões de hectares e produtividade de 3,7 toneladas por hectare. O consumo doméstico está projetado em 69,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem alcançar 118 milhões de toneladas.
O estoque final brasileiro está estimado em 36,9 milhões de toneladas, com relação estoque/consumo de 19,7%.
No ciclo 2025/26, a produção brasileira foi revisada para 180,5 milhões de toneladas, contra 180 milhões na projeção anterior, segundo os destaques do relatório.
Brasil segue como protagonista das exportações de soja
O balanço do USDA reforça a importância do Brasil no comércio internacional da oleaginosa. Para 2026/27, o país aparece com exportações projetadas em 118 milhões de toneladas, enquanto os Estados Unidos devem embarcar 45,2 milhões de toneladas.
A combinação entre produção elevada, forte demanda externa e estoques ainda relevantes mantém o Brasil como um dos principais fornecedores globais de soja.
Milho: produção brasileira é elevada para 140 milhões de toneladas
No milho, o USDA elevou a estimativa brasileira para a temporada 2025/26 de 138 milhões para 140 milhões de toneladas. O ajuste reforça a perspectiva de uma oferta robusta no país.
Para 2026/27, entretanto, a projeção brasileira permanece em 139 milhões de toneladas.
O consumo doméstico brasileiro foi elevado de 98 milhões para 100 milhões de toneladas, com o uso industrial passando de 33 milhões para 35 milhões de toneladas.
As exportações continuam estimadas em 44 milhões de toneladas, enquanto o estoque final foi reduzido de 11,1 milhões para 10,1 milhões de toneladas.
O resultado é uma relação estoque/consumo de apenas 7%, indicando um balanço mais ajustado para o mercado brasileiro de milho.
Estados Unidos aumentam produção e exportações de milho
Para os Estados Unidos, o USDA elevou marginalmente a produção de milho 2026/27 de 406,4 milhões para 406,7 milhões de toneladas.
A área colhida aumentou de 35,4 milhões para 35,9 milhões de hectares, enquanto a produtividade estimada caiu de 11,5 para 11,4 toneladas por hectare.
As exportações norte-americanas foram revisadas para cima, de 81,3 milhões para 83,2 milhões de toneladas.
Apesar disso, o estoque final foi reduzido de 45,5 milhões para 42 milhões de toneladas, fazendo a relação estoque/consumo cair para 10,1%.
União Europeia tem forte corte na produção de milho
Um dos principais ajustes negativos do relatório aparece na União Europeia.
A produção de milho do bloco para 2026/27 foi reduzida de 53,8 milhões para 50,2 milhões de toneladas, queda de 6,6% em relação à estimativa anterior.
A área colhida foi reduzida para 7,5 milhões de hectares e a produtividade passou de 7,1 para 6,7 toneladas por hectare.
Com menor produção, a necessidade de importação da União Europeia foi elevada de 22,5 milhões para 23,5 milhões de toneladas.
China reduz importação de milho
Outro movimento relevante ocorreu na China. O USDA reduziu a previsão de importação chinesa de milho em 2026/27 de 6 milhões para 5 milhões de toneladas, queda de 16,7%.
O consumo doméstico também foi levemente reduzido, de 325 milhões para 324 milhões de toneladas, enquanto o uso para ração passou de 243 milhões para 242 milhões de toneladas.
A produção chinesa, por sua vez, permanece estimada em 307 milhões de toneladas.
Trigo: USDA reduz produção brasileira e aumenta importações
O trigo apresenta um dos cenários mais relevantes para o mercado brasileiro.
O USDA reduziu a projeção de produção brasileira para 2026/27 de 6,7 milhões para 6,1 milhões de toneladas, uma queda de 9% em relação à estimativa de julho.
A área colhida também foi reduzida de 2,3 milhões para 2,1 milhões de hectares.
Com menor oferta doméstica, a previsão de importação foi elevada de 7,2 milhões para 7,5 milhões de toneladas.
O consumo brasileiro foi estimado em 12,3 milhões de toneladas, enquanto as exportações foram reduzidas de 2 milhões para 1,9 milhão de toneladas.
O estoque final permanece próximo de 2,1 milhões de toneladas.
Oferta mundial de trigo diminui, mas consumo cresce
No balanço global, a produção mundial de trigo para 2026/27 foi estimada em 819 milhões de toneladas, abaixo das 843 milhões de toneladas projetadas para 2025/26.
Ao mesmo tempo, o consumo mundial foi revisado para cima, de 818 milhões para 822 milhões de toneladas.
A combinação entre menor produção e maior consumo mantém o mercado de trigo sob atenção, principalmente diante dos ajustes nas principais regiões produtoras.
A produção da União Europeia foi reduzida de 136 milhões para 134 milhões de toneladas, enquanto a exportação da Rússia caiu de 47,5 milhões para 46 milhões de toneladas.
Estados Unidos têm forte queda na produção de trigo
Nos Estados Unidos, a produção de trigo 2026/27 foi projetada em 41,7 milhões de toneladas, praticamente estável ante julho, mas 22,9% abaixo do ciclo anterior.
O estoque final norte-americano foi estimado em 19,5 milhões de toneladas, queda de 22,1% em relação a 2025/26.
Rússia reduz exportações de trigo
A Rússia continua como importante player do mercado internacional, mas o USDA reduziu sua previsão de exportações de trigo para 46 milhões de toneladas, ante 47,5 milhões na estimativa anterior.
A produção russa permanece projetada em 88,5 milhões de toneladas.
Algodão: produção global sobe levemente
No algodão, o USDA elevou a estimativa de produção mundial 2026/27 de 25,5 milhões para 25,6 milhões de toneladas.
Apesar do pequeno aumento global, a produção norte-americana foi reduzida de 2,98 milhões para 2,96 milhões de toneladas.
O consumo mundial, por outro lado, foi revisado para cima, passando de 26,3 milhões para 26,8 milhões de toneladas.
Com isso, o estoque final global foi reduzido de 16,3 milhões para 15,2 milhões de toneladas, enquanto a relação estoque/consumo caiu de 62% para 57%.
Brasil aumenta produção de algodão
Para o Brasil, a estimativa de produção de algodão 2026/27 foi elevada de 3,9 milhões para 4 milhões de toneladas.
A produtividade também foi revisada positivamente, de 2,0 para aproximadamente 2 toneladas por hectare, enquanto a área permanece estimada em 2 milhões de hectares.
As exportações brasileiras continuam projetadas em 3,3 milhões de toneladas.
O que o relatório do USDA sinaliza para o agronegócio brasileiro
O WASDE de agosto apresenta sinais distintos para as principais commodities.
Na soja, o Brasil mantém uma posição confortável de produção e exportação, enquanto o aumento da safra norte-americana adiciona oferta ao mercado internacional.
No milho, a elevação da produção brasileira para 140 milhões de toneladas no ciclo 2025/26 reforça a perspectiva de ampla disponibilidade. Para 2026/27, entretanto, o balanço brasileiro apresenta estoques finais menores e maior consumo doméstico.
No trigo, o cenário é mais desafiador. A redução da produção brasileira para 6,1 milhões de toneladas aumenta a dependência das importações, em um mercado mundial que também apresenta redução de oferta em importantes produtores.
Já o algodão apresenta um quadro de demanda relativamente firme, com o consumo mundial crescendo mais rapidamente que a produção e contribuindo para a redução dos estoques globais.
Impactos no mercado
Para produtores, tradings, indústrias e demais agentes da cadeia do agronegócio, os números reforçam a importância de acompanhar não apenas as projeções de produção, mas também estoques, consumo, exportações e importações.
A soja segue com ampla participação brasileira no comércio mundial, enquanto milho e trigo apresentam balanços que exigem atenção especial aos movimentos de oferta e demanda.
No algodão, a redução dos estoques globais diante do aumento do consumo é um dos principais pontos de atenção para o mercado.
Principais números do WASDE de agosto de 2026
- Soja
- Produção dos EUA 2026/27: 123 milhões de toneladas
- Produção do Brasil 2026/27: 186 milhões de toneladas
- Exportações brasileiras: 118 milhões de toneladas
- Produção mundial: 442 milhões de toneladas
- Milho
- Produção brasileira 2025/26: 140 milhões de toneladas
- Produção brasileira 2026/27: 139 milhões de toneladas
- Produção dos EUA 2026/27: 406,7 milhões de toneladas
- Produção da União Europeia: 50,2 milhões de toneladas
- Trigo
- Produção brasileira 2026/27: 6,1 milhões de toneladas
- Importações brasileiras: 7,5 milhões de toneladas
- Produção mundial: 819 milhões de toneladas
- Consumo mundial: 822 milhões de toneladas
- Algodão
- Produção mundial 2026/27: 25,6 milhões de toneladas
- Consumo mundial: 26,8 milhões de toneladas
- Produção brasileira: 4 milhões de toneladas
- Exportações brasileiras: 3,3 milhões de toneladas
Fonte: USDA/WASDE, com análise e compilação da Consultoria Agro Itaú BBA, relatório de agosto de 2026. Os números acima reproduzem as principais projeções apresentadas no material de referência.
Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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