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Soja STS: análise genética identifica 62 cultivares tolerantes a sulfonilureias no Brasil

Estudo da Embrapa Soja avaliou 423 cultivares entre 2021 e 2026 e identificou alterações genéticas que ampliam as alternativas para o manejo de plantas daninhas e da soja voluntária


Publicado em: 22/09/2026 às 16:00hs

Soja STS: análise genética identifica 62 cultivares tolerantes a sulfonilureias no Brasil
Foto: Embrapa

Uma análise genética realizada pela Embrapa Soja identificou 62 cultivares de soja com características associadas à tolerância aos herbicidas do grupo das sulfonilureias. O levantamento, realizado entre 2021 e 2026, avaliou 423 cultivares disponíveis no mercado brasileiro e constatou que aproximadamente 15% apresentaram alterações genéticas relacionadas à tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias).

A identificação dessa característica pode contribuir para o planejamento do manejo de plantas daninhas de difícil controle e também para o controle da chamada soja voluntária, conhecida no campo como soja tiguera ou guaxa.

Tecnologia STS amplia alternativas no manejo de plantas daninhas

Segundo o pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, a principal característica das cultivares STS é a tolerância aos herbicidas do grupo das sulfonilureias.

Nas cultivares convencionais suscetíveis, a exposição a esses produtos pode provocar danos às plantas, especialmente quando há problemas de dose, condições ambientais desfavoráveis ou situações de estresse.

Entre os sintomas de fitotoxicidade estão amarelamento, necrose, deformações e atraso no desenvolvimento.

Nas cultivares com tecnologia STS, entretanto, a tolerância genética permite a utilização desses herbicidas dentro das recomendações técnicas, ampliando as possibilidades disponíveis para o manejo de plantas daninhas.

De acordo com Adegas, a tecnologia também representa uma alternativa ao uso concentrado do glifosato, especialmente diante da ocorrência de plantas daninhas que apresentam resistência a diferentes mecanismos de ação.

Soja voluntária exige atenção no planejamento da sucessão

Além do controle de plantas daninhas, a tecnologia STS tem relação direta com o manejo da soja voluntária nas culturas subsequentes.

A soja tiguera surge espontaneamente a partir de grãos que permanecem ou caem no solo durante a colheita. Quando ocorre em lavouras de trigo, milho safrinha ou algodão, pode competir com a cultura implantada e dificultar o manejo da área.

O pesquisador Rafael Mendes, da Embrapa Soja, alerta que a escolha de uma cultivar de soja sem conhecimento sobre sua característica STS pode interferir no planejamento do controle da soja voluntária.

Em uma situação em que a soja cultivada anteriormente não apresenta tolerância às sulfonilureias, determinados herbicidas desse grupo podem ser utilizados posteriormente para eliminar plantas voluntárias.

Já quando a soja remanescente possui tecnologia STS, esses mesmos produtos podem não apresentar eficácia suficiente para seu controle.

Por isso, conhecer previamente a característica genética da cultivar utilizada na safra anterior é uma informação importante para definir o manejo das culturas em sucessão.

Genotipagem identifica mutações associadas à tecnologia STS

O trabalho foi desenvolvido pelas equipes das áreas de Plantas Daninhas e do Laboratório de Genética Molecular e Seleção Assistida da Embrapa Soja.

Desde 2021, os pesquisadores vêm utilizando técnicas de genotipagem para identificar alterações nos genes ALS1 e ALS2, associadas à tolerância aos herbicidas sulfonilureias.

O levantamento contou com a colaboração de instituições e empresas que disponibilizaram sementes de cultivares comercializadas em diferentes regiões do Brasil, entre elas a Coamo Agroindustrial Cooperativa, o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) e a Fundação ABC.

Para validar a metodologia, os pesquisadores utilizaram inicialmente três cultivares-padrão com tecnologia STS e uma cultivar sensível às sulfonilureias como referência para os testes.

Depois do sequenciamento do gene ALS, o marcador genético desenvolvido foi aplicado às 423 cultivares analisadas.

62 cultivares apresentaram alterações genéticas

Do total avaliado, 62 cultivares apresentaram pelo menos uma das alterações investigadas nos genes ALS1 ou ALS2, correspondendo a cerca de 15% do conjunto analisado.

A Embrapa pretende manter o monitoramento das cultivares disponíveis no mercado, atualizando periodicamente os resultados à medida que novas variedades sejam lançadas.

Segundo Rafael Mendes, a continuidade do levantamento é importante porque o mercado de sementes de soja está em constante renovação, com a entrada de novas cultivares e tecnologias.

Informação genética ajuda na tomada de decisão no campo

Para os pesquisadores, o conhecimento sobre a presença ou ausência da tecnologia STS deve fazer parte do planejamento do sistema de produção.

A informação é especialmente relevante em áreas com plantas daninhas de difícil controle, nas quais a diversificação de mecanismos de ação pode contribuir para estratégias de manejo mais eficientes.

A tecnologia também pode ser considerada em sistemas de produção que utilizam cultivares convencionais, já que algumas sulfonilureias podem ser empregadas em diferentes modalidades de aplicação, inclusive em estratégias de pré-emergência.

Ao mesmo tempo, a característica STS exige atenção quando a soja é cultivada em sucessão com culturas nas quais a soja voluntária precisa ser eliminada. Nesse caso, a tolerância ao herbicida pode dificultar o controle químico da planta remanescente.

Monitoramento será atualizado

A Embrapa Soja destaca que o levantamento faz parte de um processo contínuo de monitoramento das cultivares comercializadas no país.

Os resultados completos estão reunidos na publicação “Monitoramento de cultivares de soja tolerantes a sulfonilureias (STS)”, que apresenta a caracterização genética realizada pelos pesquisadores.

O acompanhamento periódico permite ampliar o conhecimento sobre a distribuição da tecnologia STS no mercado e fornece informações para que produtores, técnicos e profissionais responsáveis pelo manejo de plantas daninhas considerem essa característica na definição das estratégias de controle.

Fonte: Portal do Agronegócio

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