Soja sobe em Chicago com Trump e Xi no foco, enquanto clima desafia plantio no Brasil
Possíveis compras chinesas sustentam os futuros nos Estados Unidos, enquanto produtores brasileiros acompanham chuvas, custos operacionais e preços mistos no início da safra 2026/27
Publicado em: 24/09/2026 às 11:30hs
O mercado da soja iniciou esta quinta-feira (24) dividido entre a recuperação dos contratos futuros na Bolsa de Chicago e os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros no começo da safra 2026/27. No exterior, as atenções estão concentradas no encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. No Brasil, clima, avanço do plantio, custos operacionais e comportamento dos preços orientam as decisões.
A oleaginosa voltou a subir em Chicago após as perdas da sessão anterior, sustentada pela expectativa de novos compromissos chineses de compra e por uma possível redução das tarifas incidentes sobre produtos agrícolas norte-americanos.
No mercado brasileiro, as cotações apresentam movimentos distintos entre as regiões produtoras. O plantio avança lentamente no Centro-Oeste, enquanto o Sul acompanha previsões de chuvas intensas e possíveis limitações às operações de campo.
Soja recupera parte das perdas em Chicago
Por volta das 7h20, no horário de Brasília, o contrato de soja para novembro avançava 7,50 pontos na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 13,25 por bushel. Janeiro subia 7,25 pontos, para US$ 13,41.
Os vencimentos de março e maio registravam alta de 6 pontos, negociados a US$ 13,48 e US$ 13,56 por bushel, respectivamente.
O movimento representa uma recuperação parcial após o contrato de novembro encerrar a sessão anterior com queda de 0,57%. Mais do que os fundamentos tradicionais de oferta e demanda, as negociações comerciais entre Estados Unidos e China passaram a conduzir o comportamento das cotações.
Encontro entre Trump e Xi concentra atenções
Xi Jinping está em Washington para uma visita de Estado e deve discutir com Donald Trump temas ligados ao comércio bilateral. A agricultura, especialmente o mercado da soja, aparece entre os pontos de maior interesse para produtores e exportadores norte-americanos.
O setor agrícola dos Estados Unidos pressiona por novos compromissos de compra por parte da China e pela redução das tarifas retaliatórias adotadas por Pequim.
Segundo a Casa Branca, o governo chinês teria assumido o compromisso de adquirir 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano até 2028. A China não confirmou publicamente o acordo nesses termos, mas as compras recentes indicam uma retomada da demanda pelo produto dos Estados Unidos.
No início de setembro, importadores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja norte-americana. Com a operação, as compras acumuladas se aproximaram da metade do volume anual anunciado pelo governo dos Estados Unidos.
Tarifas ainda limitam competitividade da soja dos EUA
Mesmo com a retomada das compras, a tarifa adicional de 10% aplicada pela China aos produtos norte-americanos continua reduzindo a competitividade da soja dos Estados Unidos, principalmente entre os esmagadores privados chineses.
Uma eventual mudança nas tarifas agrícolas poderia ampliar a demanda e alterar a disputa entre Estados Unidos e Brasil pelo mercado chinês.
A China permanece como principal destino da soja brasileira e exerce influência direta sobre os preços, os prêmios de exportação e as decisões comerciais dos produtores. Por isso, qualquer acordo entre Washington e Pequim pode provocar impactos também no mercado doméstico brasileiro.
Colheita nos Estados Unidos limita avanço das cotações
Apesar do ambiente positivo proporcionado pelas expectativas comerciais, a entrada da nova safra norte-americana adiciona pressão sobre os contratos futuros.
A colheita da soja nos Estados Unidos alcançou 12% da área até domingo, superando a média de 8% dos últimos cinco anos. O avanço aumenta a disponibilidade física da oleaginosa justamente em um período no qual o país precisa sustentar um ritmo elevado de exportações.
Os operadores também aguardam o relatório semanal de vendas externas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os dados ajudarão a medir a intensidade da demanda e o peso das compras chinesas sobre o mercado.
Chicago começa o dia sustentada pelas expectativas, mas a continuidade da alta dependerá de anúncios concretos relacionados às aquisições da China ou às tarifas sobre produtos agrícolas.
El Niño amplia atenção sobre plantio no Rio Grande do Sul
No Brasil, a safra 2026/27 começa com o clima no centro das decisões. No Rio Grande do Sul, a previsão de forte influência do El Niño eleva a preocupação com o excesso de umidade.
As projeções indicam possibilidade de chuvas até 200 milímetros acima da média entre outubro e dezembro. Caso o cenário se confirme, o volume elevado de precipitações poderá reduzir as janelas disponíveis para a entrada de máquinas e atrasar a semeadura em algumas regiões.
Além das condições climáticas, os produtores acompanham os custos do diesel, o abastecimento de combustíveis e a quantidade efetiva de dias úteis para os trabalhos de campo.
Preços da soja apresentam movimentos mistos no Sul
No Rio Grande do Sul, as indicações de preços apresentaram comportamento misto. No Porto de Rio Grande, a soja foi cotada a R$ 162 por saca.
Nas praças de Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa, as referências ficaram em R$ 153 por saca, segundo levantamento da TF Agroeconômica.
Em Santa Catarina, o mercado disponível permanece firme, mas a previsão de nova instabilidade entre o fim de setembro e o início de outubro limita a janela para as operações de campo. Em São Francisco do Sul, a cotação chegou a R$ 163 por saca.
Soja tem ajustes mais claros no Paraná
No Paraná, os preços de balcão seguem praticamente estáveis, enquanto os lotes comerciais apresentam correções mais evidentes.
Em Paranaguá, a indicação ficou em R$ 161,50 por saca. Cascavel registrou R$ 151, enquanto Maringá alcançou R$ 154 por saca.
No mercado futuro doméstico, o contrato da soja com vencimento em janeiro de 2027 na B3 encerrou a sessão anterior com queda de 1,01%.
O comportamento dos preços reflete a combinação entre as oscilações de Chicago, a variação cambial, os prêmios de exportação e o posicionamento cauteloso dos produtores neste início de temporada.
Plantio avança lentamente no Centro-Oeste
Em Mato Grosso do Sul, a semeadura alcançava 1,5% da área monitorada até 18 de setembro. Os trabalhos foram favorecidos pela presença de umidade em parte do estado, embora o ritmo varie conforme as condições locais.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, apenas 1,15% da área prevista estava semeada. A insuficiência de chuvas em algumas regiões mantém os agricultores cautelosos antes de intensificar o plantio.
A comercialização, entretanto, está mais adiantada. Cerca de 39,12% da produção projetada para a safra 2026/27 de Mato Grosso já havia sido negociada.
O contraste entre o volume comercializado e a área plantada mostra que parte dos produtores antecipou vendas, mas continua condicionando o avanço da semeadura à regularização das chuvas.
Clima e política comercial definem o rumo da soja
O mercado inicia a nova safra sob influência de fatores internos e externos. No Brasil, a distribuição das chuvas será decisiva para o ritmo da semeadura, especialmente no Centro-Oeste, enquanto o excesso de precipitações pode limitar os trabalhos no Sul.
No cenário internacional, o encontro entre Trump e Xi Jinping poderá definir o ritmo das compras chinesas e influenciar diretamente as cotações em Chicago.
Novos compromissos de importação ou uma redução das tarifas agrícolas podem oferecer sustentação adicional aos preços. Sem anúncios concretos, o avanço da colheita norte-americana e a entrada de oferta no mercado tendem a limitar movimentos mais intensos de valorização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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