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Soja

Soja sobe em Chicago com China no radar, enquanto farelo ganha peso na margem industrial

Mercado combina recuperação dos futuros, demanda firme pelo derivado e avanço do plantio no Brasil, mas alta do diesel e chuvas irregulares afetam custos e operações no campo


Publicado em: 21/09/2026 às 11:20hs

Soja sobe em Chicago com China no radar, enquanto farelo ganha peso na margem industrial
Foto: Aprosoja

Os preços da soja iniciaram esta segunda-feira (21) em alta na Bolsa de Chicago, acompanhando a valorização do milho e do trigo. No Brasil, o mercado mantém atenção sobre o avanço da semeadura, as condições climáticas e o aumento dos custos logísticos, enquanto a forte demanda pelo farelo amplia a participação do derivado na margem das indústrias esmagadoras.

O cenário reúne sinais positivos para as cotações e para o processamento, mas também fatores de incerteza. As relações comerciais entre Estados Unidos e China voltam ao centro das decisões, ao mesmo tempo que produtores brasileiros enfrentam diferenças regionais no ritmo do plantio e nos preços físicos.

Soja sobe mais de 0,5% na Bolsa de Chicago

Por volta das 7h15, no horário de Brasília, os contratos mais negociados da soja avançavam mais de 0,5% em Chicago. O vencimento novembro subia 6,25 pontos, cotado a US$ 13,09 por bushel, enquanto março de 2027 ganhava 5,25 pontos, para US$ 13,35 por bushel.

A recuperação ocorre após a realização de lucros e a liquidação de posições observadas na sexta-feira (18). Mesmo com o recuo no último pregão, a oleaginosa encerrou a semana com saldo positivo.

Milho e trigo também avançavam mais de 1%. O milho era negociado a US$ 5,32 por bushel, enquanto o trigo alcançava US$ 7,21 por bushel. A valorização dos dois cereais oferecia suporte adicional à soja.

Encontro entre Trump e Xi Jinping movimenta mercado

A demanda chinesa permanece entre os principais direcionadores das cotações. O mercado aguarda o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, que poderá trazer novas sinalizações sobre o comércio agrícola entre Estados Unidos e China.

Xi Jinping realizará uma visita de Estado aos Estados Unidos entre 23 e 25 de setembro. A expectativa é de que os líderes discutam relações bilaterais, tarifas e outros temas econômicos e comerciais.

Para o agronegócio, a atenção estará concentrada em eventuais compromissos envolvendo novas compras chinesas de soja e de outros produtos agrícolas norte-americanos.

As importações da China originadas nos Estados Unidos somaram 10,66 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 34% diante do mesmo intervalo de 2025. Em sentido contrário, as aquisições de soja brasileira cresceram 5%, alcançando 55,14 milhões de toneladas.

Somente em agosto, o país asiático importou 12,14 milhões de toneladas de soja de todas as origens. Apesar da retração acumulada das compras norte-americanas, o fluxo apresentou sinais recentes de recuperação. Na sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou a venda de 111 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista na temporada 2026/27.

Milho e trigo reforçam suporte aos grãos

A valorização do milho e do trigo também contribui para a alta da soja. O mercado global trabalha com perspectivas de balanços mais apertados para os dois cereais.

O USDA projeta que o consumo mundial de milho poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na temporada 2026/27, configurando o maior déficit em mais de três décadas. Para o trigo, a produção mundial também deve ficar abaixo da demanda.

Os conflitos no Mar Negro aumentam a preocupação com a disponibilidade exportável. Ataques à infraestrutura portuária e de navegação de Rússia e Ucrânia vêm limitando os embarques de trigo.

Rússia e Ucrânia respondem, juntas, por mais de um quarto das exportações mundiais do cereal. A SovEcon estima que os dois países exportem aproximadamente 8 milhões de toneladas entre julho e setembro, menos da metade das 16,2 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado. A média dos últimos cinco anos para o intervalo é de 18,2 milhões de toneladas.

Na Ucrânia, a lentidão dos embarques e os bloqueios portuários também provocam acúmulo de grãos justamente durante a entrada da nova safra de milho, ampliando os problemas de armazenagem e reduzindo a capacidade de exportação.

Farelo de soja ganha espaço na margem de esmagamento

No mercado de derivados, a cotação do farelo de soja mantém trajetória de alta no Brasil e nos Estados Unidos, sustentada pela forte demanda global.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a participação do farelo na chamada “crush margin” voltou a crescer e atingiu novas máximas. A expressão representa a margem obtida pela indústria com o processamento da soja em farelo e óleo.

Com base nos preços da soja em grão, do farelo e do óleo negociados na região de São Paulo, a participação do farelo na margem industrial alcançou o maior nível desde outubro de 2024.

Entre julho e agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento disponibilizou unidades para armazenagem de farelo de soja em alguns estados. Conforme o Cepea, essa disponibilidade adicional pode ter reduzido o interesse das indústrias em comercializar o produto imediatamente.

A oferta mais controlada, combinada à demanda aquecida, contribuiu para sustentar os preços e elevar a importância do farelo no resultado do processamento.

Preços da soja chegam a R$ 163 por saca nos portos

No mercado físico brasileiro, os preços apresentaram diferenças regionais no encerramento de 18 de setembro. Nos portos de Rio Grande e Paranaguá, as referências ficaram próximas de R$ 163 por saca.

No Rio Grande do Sul, Ijuí e Cruz Alta registraram R$ 151 por saca. Em Santa Catarina, a referência FOB em Abelardo Luz alcançou R$ 157. No Paraná, Cascavel também apresentou indicação de R$ 151 por saca.

Segundo a TF Agroeconômica, os negócios continuam condicionados às necessidades de caixa, à disponibilidade de lotes e às expectativas dos produtores para os próximos meses.

Alta do diesel pressiona produtores no Rio Grande do Sul

O custo do diesel ganhou relevância no mercado gaúcho, influenciando a preparação para o plantio e a decisão dos produtores de manter ou comercializar os estoques armazenados.

Há relatos de que o preço do combustível avançou de R$ 5,74 para R$ 7,18 por litro em poucos dias. A alta encarece operações com máquinas agrícolas e o transporte da soja entre as propriedades, armazéns, indústrias e terminais portuários.

O aumento dos custos logísticos pode reduzir as margens e levar produtores a exigir valores maiores para liberar novos volumes ao mercado.

Plantio avança no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

No Paraná, a estiagem abriu uma janela para acelerar a semeadura da safra 2026/27. Na região atendida pela Copacol, aproximadamente 35% da área prevista já estava plantada.

Em Mato Grosso, a semeadura atingiu 1,15% da área estimada, ante 0,55% no mesmo período do ciclo anterior. Apesar do avanço, a irregularidade das chuvas ainda restringe os trabalhos em localidades como Lucas do Rio Verde.

Em Santa Catarina, a previsão de precipitações intensas entre 19 e 21 de setembro, com acumulados de 100 a 150 milímetros em algumas áreas, aumentou a atenção sobre as operações agrícolas.

Já em Mato Grosso do Sul, a comercialização antecipada da safra 2026/27 alcançou entre 35% e 37%. No mesmo período do ciclo anterior, aproximadamente 20% da produção esperada havia sido negociada.

Mercado da soja acompanha clima, China e custos

A soja inicia a semana apoiada pela recuperação dos grãos em Chicago e pela expectativa em torno do encontro entre Estados Unidos e China. A demanda firme pelo farelo também melhora a composição da margem das indústrias brasileiras e norte-americanas.

No campo, porém, o produtor precisa administrar custos maiores, irregularidade climática e diferenças regionais no avanço da semeadura. Esses fatores, combinados à demanda chinesa e à situação da oferta mundial de grãos, deverão continuar orientando os preços e o ritmo de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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