Soja sobe até 2,8% no Brasil, mas Chicago recua com avanço da colheita nos EUA
Preços se recuperam em importantes praças brasileiras, enquanto realização de lucros pressiona os futuros; demanda chinesa e encontro entre Trump e Xi seguem no radar
Publicado em: 22/09/2026 às 11:40hs
O mercado da soja iniciou a semana com valorização de até 2,8% em algumas regiões brasileiras, sustentado pela recuperação recente da Bolsa de Chicago. Nesta terça-feira (22), porém, os contratos futuros voltaram a recuar nos Estados Unidos, em um movimento de realização de lucros e ajuste de posições.
No Brasil, as cotações permanecem influenciadas pelo comportamento do mercado externo, pela valorização cambial, pelas condições climáticas e pelos custos de armazenagem e transporte. O início da semeadura da safra 2026/27 também ganha espaço nas decisões dos produtores.
Segundo levantamento da TF Agroeconômica, os preços avançaram em importantes praças do Sul e do Centro-Oeste. A recuperação, entretanto, ocorre em um ambiente de negócios ainda seletivos e margens pressionadas por despesas logísticas e custos de implantação da nova temporada.
Soja recua em Chicago após forte valorização
Os contratos futuros da soja operavam em baixa na manhã desta terça-feira, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior. Por volta das 7h20, no horário de Brasília, as principais posições recuavam entre 7,50 e 8 pontos.
O vencimento novembro era negociado a US$ 13,20 por bushel, enquanto março aparecia cotado a US$ 13,43 por bushel.
O movimento negativo também atingia outros grãos. No mesmo horário, o milho recuava 0,76% e o trigo perdia 1,22%. O petróleo Brent caía quase 2%, reforçando o ambiente defensivo entre as commodities.
Depois da forte valorização de segunda-feira, participantes do mercado aproveitaram os preços mais elevados para realizar lucros e reorganizar suas posições.
Colheita da soja nos EUA chega a 12%
Os novos dados de acompanhamento de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também influenciaram as negociações.
A colheita norte-americana de soja alcançou 12% da área cultivada, ante 6% na semana anterior e média de 8% para o período nos últimos cinco anos.
O avanço mais rápido dos trabalhos intensifica a pressão sazonal da entrada da nova safra dos Estados Unidos no mercado. As condições das lavouras permaneceram em 58% classificadas como boas ou excelentes.
O aumento da disponibilidade do grão norte-americano tende a limitar as cotações no curto prazo, especialmente se o ritmo da colheita continuar acima da média histórica.
Compras da China limitam pressão sobre preços
A demanda chinesa atua como contraponto à entrada da safra dos Estados Unidos. A China avançou nas aquisições de soja norte-americana e já teria cumprido mais da metade do compromisso de comprar 25 milhões de toneladas do produto em 2026.
O mercado acompanha agora o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para quinta-feira (24), em Washington. As negociações comerciais, a extensão da trégua entre os dois países e as compras agrícolas chinesas estarão entre os principais temas observados.
Com isso, Chicago permanece dividida entre a pressão provocada pela colheita norte-americana e a possibilidade de manutenção ou ampliação da demanda da China.
Soja alcança R$ 163 no Porto de Rio Grande
No Rio Grande do Sul, os preços acompanharam a recuperação externa observada no início da semana. No Porto de Rio Grande, a soja disponível foi indicada a R$ 163 por saca, enquanto a referência para outubro alcançou R$ 164.
Nas praças pesquisadas, Rio Grande chegou a R$ 163,50 por saca. Ijuí registrou R$ 152,50; Cruz Alta, R$ 153; Passo Fundo, R$ 154,50; e Santa Rosa, R$ 155.
Apesar da melhora das cotações, o custo logístico continua limitando a movimentação dos estoques. O diesel S-10, negociado a R$ 7,13 por litro, eleva as despesas com transporte e interfere na decisão de venda dos produtores.
Paranaguá acompanha recuperação dos preços
Em Santa Catarina, a referência FOB de Abelardo Luz permaneceu em R$ 157 por saca. Em São Francisco do Sul, a cotação chegou a R$ 163.
No Paraná, o Porto de Paranaguá avançou para R$ 163 por saca no mercado disponível e R$ 164 para entrega em outubro.
As condições hídricas mais regulares favorecem o início da semeadura da nova safra no Estado. Novas chuvas, entretanto, mantêm a atenção sobre o acesso às lavouras e o ritmo das operações de campo.
Custos da nova safra pesam em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, as negociações estão concentradas na relação entre os preços da soja, os custos de produção e as margens esperadas para a safra 2026/27.
Dourados e Campo Grande registraram referências de R$ 149 por saca. Em Maracaju, o preço ficou em R$ 148.
A disponibilidade de crédito, os custos dos insumos e as despesas com transporte deverão continuar influenciando as decisões de plantio e comercialização dos produtores sul-mato-grossenses.
Plantio avança em Mato Grosso
Em Mato Grosso, a semeadura da soja alcançou 1,15% da área projetada, superando o ritmo registrado no mesmo período da temporada anterior.
Os preços variaram entre R$ 142 por saca em Sorriso e R$ 147,50 em Campo Verde e Rondonópolis.
Mesmo com o avanço dos trabalhos, o mercado acompanha a regularidade das chuvas e os custos de implantação das lavouras. A distribuição das precipitações será determinante para o ritmo da semeadura nas próximas semanas.
O mercado brasileiro de soja entra, portanto, em uma fase de sinais mistos. A recuperação recente das cotações melhora as referências em algumas praças, mas a queda de Chicago, o dólar, a logística e os custos da safra 2026/27 continuam condicionando a formação dos preços e a disposição dos produtores para negociar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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