Soja recua em Chicago antes de encontro entre Trump e Xi; no Brasil, clima e diesel pesam no início da safra
Colheita mais adiantada nos Estados Unidos pressiona as cotações, enquanto compras chinesas limitam as perdas. No mercado brasileiro, produtores acompanham as chuvas, o plantio e os custos de transporte.
Publicado em: 23/09/2026 às 11:20hs
O mercado da soja começou esta quarta-feira (23) com queda na Bolsa de Chicago e atenção ao encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previsto para quinta-feira (24), em Washington. No Brasil, o início da safra 2026/27 mantém o foco nas condições de plantio e no custo do frete, segundo levantamento da TF Agroeconômica.
Por volta das 7h25, no horário de Brasília, o contrato de soja para novembro recuava 8,75 pontos, a US$ 13,16 por bushel. O vencimento de janeiro caía 8,50 pontos, para US$ 13,32. As cotações devolviam parte dos ganhos recentes, pressionadas também pelo avanço da colheita norte-americana.
Compras da China limitam pressão sobre a soja em Chicago
A relação comercial entre Estados Unidos e China segue no centro das negociações. Compradores chineses adquiriram cerca de 1 milhão de toneladas de soja norte-americana antes da visita de Xi, segundo fontes ouvidas pela Reuters. As compras ajudam a sustentar o mercado, mas os operadores aguardam sinais concretos do encontro sobre tarifas e comércio agrícola.
A entrada da nova safra dos Estados Unidos atua na direção oposta. Conforme os dados do USDA citados no levantamento, a colheita alcançou 12% da área até domingo (20), acima dos 8% registrados tanto um ano antes quanto na média dos últimos cinco anos. As lavouras classificadas como boas ou excelentes somavam 58%.
Plantio no Brasil depende da distribuição das chuvas
No Mato Grosso do Sul, o plantio da soja 2026/27 chegou a 1,5% da área acompanhada pela TF Agroeconômica, favorecido pela melhora da umidade, sobretudo nas regiões Sul e Centro do estado. Em Mato Grosso, as chuvas irregulares produzem ritmos diferentes: há produtores prontos para avançar onde o solo apresenta umidade, enquanto outros aguardam condições melhores para reduzir o risco de replantio.
Em Santa Catarina, a possibilidade de chuva forte pode dificultar as operações de campo e a circulação de cargas. No Paraná, os prêmios em Paranaguá e os fretes monitorados até o porto permaneceram estáveis no levantamento.
Diesel mantém frete agrícola no radar
O diesel S-10 atingiu R$ 7,13 por litro na média nacional na semana de 13 a 19 de setembro, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para a cadeia da soja, o preço do combustível amplia a atenção aos gastos com transporte entre propriedades, armazéns e terminais. A recente queda do petróleo Brent para menos de US$ 100 por barril ainda não indica redução imediata do frete agrícola.
Nas referências do mercado físico reunidas pela TF Agroeconômica, a soja foi indicada a R$ 163 por saca em Rio Grande, São Francisco do Sul e Paranaguá. No interior, as cotações incluíram R$ 152 em Cascavel, R$ 148 em Dourados e Campo Grande, R$ 139,25 em Sorriso e R$ 151 em Rondonópolis.
Assim, a evolução dos preços da soja reúne fatores distintos nesta semana: a oferta da nova safra dos Estados Unidos e as negociações entre Washington e Pequim influenciam Chicago, enquanto o ritmo do plantio, as chuvas e o transporte pesam nas decisões comerciais dos produtores brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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