Soja certificada pela RTRS atinge recorde de 10,3 milhões de toneladas em 2025
Volume cresceu 42% em um ano. Ao completar duas décadas, organização revisa mecanismos de certificação para aproximar produtores das demandas de compradores e da indústria.
Publicado em: 28/09/2026 às 16:30hs
A produção de soja certificada pela Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS) alcançou 10,3 milhões de toneladas em 2025, um recorde e avanço de 42% em relação a 2024. O consumo de material certificado também cresceu, chegando a 8,1 milhões de toneladas, alta de 9,5% no mesmo período.
Os números reforçam o papel da certificação nas decisões da cadeia da soja. Ao completar 20 anos em 2026, a RTRS busca adaptar seus padrões às mudanças nas exigências comerciais e regulatórias, sem perder de vista os custos e os benefícios do processo para quem produz.
Certificação precisa atender à cadeia e gerar valor ao produtor
A diretora-executiva da RTRS, Marina Muscolo, afirma que reunir produtores, indústria, compradores e outros participantes em uma mesma discussão é uma das características centrais da organização. A diversidade de interesses torna as decisões mais complexas, mas ajuda a construir respostas para desafios compartilhados.
Uma das prioridades, segundo ela, é manter a certificação útil para as empresas que precisam demonstrar práticas responsáveis e, ao mesmo tempo, capaz de oferecer retorno aos produtores. A tarefa ganha peso à medida que mercados e regulamentações passam a exigir mais informações sobre a origem e as condições de produção da soja.
O padrão da RTRS reúne cinco princípios e 108 indicadores. Eles abrangem gestão ambiental, responsabilidade social, boas práticas agrícolas e critérios para prevenir o desmatamento e a conversão de áreas naturais.
Certificação em grupo amplia acesso de pequenos produtores
O sistema permite a adesão individual ou em grupo. Essa segunda modalidade facilita a participação de pequenos produtores, que podem compartilhar a organização do processo e contar com o apoio de um gerente de grupo na preparação para as auditorias.
De acordo com Marina, mais de 90% dos produtores certificados pela RTRS são pequenos produtores, concentrados principalmente em países como Índia e Uganda. A organização reúne, ao todo, mais de 84 mil produtores e trabalha em um padrão específico para tornar a certificação mais acessível a esse público.
Rastreabilidade e créditos entram na revisão dos mecanismos
Entre as iniciativas para o próximo ciclo está a atualização do sistema de cadeia de custódia, conhecido pela sigla CoC. A RTRS também avalia um modelo híbrido que combina rastreabilidade física da soja com créditos de sustentabilidade, oferecendo diferentes formas de participação aos integrantes da cadeia.
A organização ressalta que a certificação pode ajudar empresas a responder às demandas por rastreabilidade e responsabilidade socioambiental. Ela, porém, não substitui procedimentos específicos de diligência, geolocalização e avaliação de riscos exigidos por determinadas regulamentações.
Para a RTRS, o desafio agora é transformar as expectativas de produtores, compradores, instituições financeiras, varejistas e sociedade civil em soluções aplicáveis. Esse diálogo, afirma Marina, será decisivo para que a certificação acompanhe a evolução do mercado global da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
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