Safra de soja pode chegar a 185,6 milhões de toneladas, mas clima desafia produção recorde
Área de até 49,3 milhões de hectares sustenta projeções otimistas para o Brasil, enquanto excesso de chuva no Sul e precipitações irregulares em outras regiões elevam os riscos da temporada
Publicado em: 28/09/2026 às 09:30hs
O Brasil iniciou o plantio de uma nova safra de soja com potencial para alcançar até 185,6 milhões de toneladas. Caso as projeções se confirmem, o país poderá estabelecer outro recorde na produção da oleaginosa, apoiado pela expansão da área cultivada e por uma produtividade próxima ou superior à média.
O desempenho das lavouras, entretanto, dependerá diretamente da regularidade das chuvas nos próximos meses. Sob possível influência do El Niño, as regiões produtoras enfrentam riscos distintos: excesso de precipitação no Sul e atraso ou irregularidade das chuvas em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Produção de soja pode superar 185 milhões de toneladas
As estimativas disponíveis colocam a safra brasileira de soja entre 183,5 milhões e 185,6 milhões de toneladas. A projeção mais recente da StoneX aponta uma produção de 183,5 milhões de toneladas, enquanto a Datagro Grãos calcula potencial de 185,6 milhões.
A área destinada à oleaginosa deve ficar entre 49 milhões e 49,3 milhões de hectares. Apesar da ampliação do cultivo, o resultado final ainda está condicionado ao comportamento climático e ao rendimento médio das lavouras.
Chuvas bem distribuídas durante o desenvolvimento das plantas podem favorecer a produtividade. Por outro lado, períodos prolongados de estiagem, precipitações excessivas ou grandes intervalos sem chuva podem comprometer o estabelecimento das lavouras e reduzir o potencial produtivo.
El Niño aumenta os riscos para a próxima safra
A possível atuação do El Niño amplia a preocupação com a distribuição irregular das precipitações. No Sul, volumes elevados podem dificultar o plantio, provocar encharcamento do solo e prejudicar operações mecanizadas.
Em partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o principal risco está no atraso da estação chuvosa ou na ocorrência de chuvas espaçadas. Essa condição pode retardar a semeadura, afetar a germinação e alterar o calendário das culturas implantadas depois da soja.
Mais do que o volume acumulado, a regularidade das precipitações ao longo do ciclo será determinante para que o Brasil alcance as projeções mais otimistas.
Agricultura de precisão ajuda a reduzir impactos do clima
Diante de uma temporada cercada por incertezas, ferramentas de agricultura de precisão podem auxiliar o produtor no planejamento das operações e no uso mais eficiente dos recursos disponíveis.
O AgroCAD, software desenvolvido pela Tecgraf Agro, permite projetar trajetos de equipamentos de irrigação e planejar bordaduras para melhorar o escoamento da água em áreas sujeitas a precipitações intensas. A tecnologia também pode ser integrada a tratores equipados com piloto automático e GPS.
Esse tipo de planejamento contribui para reduzir perdas de solo e nutrientes, melhorar a circulação das máquinas e adequar o manejo às características de cada propriedade. As ferramentas, no entanto, não eliminam os riscos climáticos e devem ser combinadas com acompanhamento meteorológico e decisões agronômicas.
Zarc orienta plantio e distribuição dos riscos
Além do uso de tecnologia, instituições de pesquisa como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recomendam que os agricultores respeitem o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Outra orientação é evitar a concentração de toda a semeadura em poucos dias. O escalonamento do plantio e a escolha de cultivares com diferentes ciclos ajudam a distribuir os riscos ao longo da safra.
A estratégia reduz a possibilidade de toda a área atravessar uma estiagem ou um período de chuvas excessivas na mesma fase de desenvolvimento. O planejamento também pode favorecer a organização das operações de manejo e colheita.
Clima definirá tamanho da safra brasileira de soja
A combinação entre expansão da área, pesquisa agronômica e novas tecnologias coloca o Brasil em condições de colher uma safra histórica. Para que a produção se aproxime de 186 milhões de toneladas, porém, será necessário alcançar produtividade elevada em uma temporada marcada por riscos climáticos regionais.
Nas próximas semanas, o mercado acompanhará principalmente o avanço do plantio e a distribuição das chuvas. Esses fatores indicarão se o potencial inicialmente projetado poderá ser convertido em produção efetiva no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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