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Soja

Mercado da soja perde força no Brasil: produtor reduz vendas enquanto Chicago oscila e comercialização da safra avança

Negócios desaceleram na primeira semana de agosto com preços estáveis no mercado interno. Apesar da retração dos produtores, comercialização da safra 2025/26 supera média histórica e vendas antecipadas da próxima temporada ganham ritmo.


Publicado em: 07/08/2026 às 16:00hs

Mercado da soja perde força no Brasil: produtor reduz vendas enquanto Chicago oscila e comercialização da safra avança

O mercado brasileiro de soja iniciou agosto em ritmo mais lento, refletindo a postura cautelosa dos produtores diante da estabilidade dos preços internos e da elevada volatilidade do mercado internacional. Após um período de vendas mais intensas em julho, impulsionado pela recuperação das cotações na Bolsa de Chicago, muitos agricultores optaram por reduzir a oferta, aguardando condições mais favoráveis para novas negociações.

A combinação entre leve queda dos contratos futuros em Chicago, valorização do dólar frente ao real e prêmios firmes nos portos resultou em pequenas variações nas cotações domésticas, sem força suficiente para estimular novos negócios.

Preços da soja registram poucas mudanças nas principais praças

Nas principais regiões produtoras do país, as cotações permaneceram praticamente estáveis durante a primeira semana de agosto.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 140,00 para R$ 139,00. Em Cascavel (PR), o preço permaneceu em R$ 134,00, enquanto em Rondonópolis (MT) a cotação seguiu em R$ 127,00 por saca.

No Porto de Paranaguá (PR), principal referência para exportação, a soja permaneceu negociada ao redor de R$ 145,00 por saca, refletindo a sustentação dos prêmios no mercado internacional.

Com poucas alterações nas cotações, os produtores preferiram adotar uma postura mais conservadora, reduzindo o ritmo das vendas após aproveitarem oportunidades de comercialização oferecidas pelo movimento de alta registrado em julho.

Bolsa de Chicago recua com clima favorável nos Estados Unidos

No mercado internacional, os contratos futuros da soja encerraram a semana em leve baixa.

Os contratos com vencimento em novembro, referência para a nova safra norte-americana, acumularam desvalorização de 0,42%, sendo negociados em torno de US$ 11,82 por bushel.

A pressão sobre os preços veio principalmente da previsão de chuvas para importantes regiões produtoras dos Estados Unidos, fator que melhora as perspectivas para a produtividade da safra americana. O recuo das cotações do petróleo também contribuiu para limitar o avanço das commodities agrícolas.

Por outro lado, a demanda da China pela soja norte-americana ajudou a reduzir as perdas, oferecendo sustentação ao mercado internacional.

Dólar ameniza impacto da queda em Chicago

No mercado cambial, o dólar comercial apresentou valorização de 0,54% ao longo da semana, sendo cotado próximo de R$ 5,10.

A oscilação da moeda norte-americana compensou parcialmente a queda registrada na Bolsa de Chicago, mantendo relativa estabilidade nos preços praticados no mercado brasileiro.

Mesmo assim, a forte volatilidade observada tanto no câmbio quanto nas bolsas internacionais dificultou a formação de uma tendência mais consistente para as cotações da soja no país.

Comercialização da safra 2025/26 supera média histórica

Embora os negócios tenham perdido intensidade no início de agosto, o desempenho da comercialização da safra brasileira permanece bastante positivo.

Levantamento de Safras & Mercado mostra que 81,9% da produção estimada para a safra 2025/26 já foi negociada até o dia 7 de agosto.

Um mês antes, esse percentual era de 71,5%, demonstrando forte avanço das vendas durante julho.

O índice também supera os 78,4% registrados no mesmo período do ano passado e permanece ligeiramente acima da média dos últimos cinco anos, de 81,8%.

Considerando uma produção estimada em 178,341 milhões de toneladas, o volume já comercializado alcança aproximadamente 146,1 milhões de toneladas.

Vendas antecipadas da safra 2026/27 aceleram

Os negócios envolvendo a próxima safra brasileira também apresentaram evolução significativa.

Segundo Safras & Mercado, 20,2% da produção projetada para 2026/27 já foi negociada antecipadamente, o equivalente a 36,3 milhões de toneladas, considerando uma safra estimada em 180,089 milhões de toneladas.

No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 16,8%, enquanto a média histórica para o período é de 20,3%.

Há apenas um mês, o comprometimento antecipado correspondia a 13,9% da produção, evidenciando uma aceleração nas negociações futuras.

Mercado segue atento ao clima, câmbio e demanda chinesa

Para as próximas semanas, o mercado brasileiro da soja deverá continuar acompanhando três fatores decisivos: a evolução das condições climáticas nas lavouras dos Estados Unidos, o comportamento do dólar frente ao real e o ritmo das compras chinesas.

Enquanto esses elementos não definirem uma direção mais consistente para os preços internacionais, a tendência é de manutenção de um mercado cauteloso, com produtores priorizando a gestão comercial e aguardando oportunidades mais atrativas para ampliar as vendas da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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