Publicado em: 29/05/2026 às 16:00hs
O mercado brasileiro de soja encerra o mês de maio com baixa movimentação no físico, negócios pontuais e preços relativamente estáveis nas principais praças do país. Apesar de momentos de recuperação ao longo do período, a combinação entre fundamentos baixistas globais, avanço da safra norte-americana e o cenário geopolítico no Oriente Médio manteve produtores e compradores cautelosos.
A comercialização da oleaginosa permaneceu limitada em diversas regiões produtoras, refletindo a postura defensiva dos agentes diante da volatilidade cambial, das oscilações na Bolsa de Chicago e da expectativa sobre o comportamento da demanda chinesa nos próximos meses.
No mercado físico brasileiro, os preços apresentaram pequenas variações durante maio. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos foi cotada próxima de R$ 126,00. Em Cascavel (PR), os negócios ocorreram ao redor de R$ 121,00 por saca.
Já em Rondonópolis (MT), importante polo produtor do Centro-Oeste, a cotação ficou em torno de R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), principal referência para exportação, os preços oscilaram na faixa de R$ 132,00 por saca.
O comportamento do mercado reflete o equilíbrio entre fatores de sustentação, como o dólar mais firme e as tensões internacionais, e os fundamentos de pressão, especialmente relacionados à ampla oferta global.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), o contrato julho da soja encerrou o dia 28 cotado a US$ 11,94 1/2 por bushel, após ter superado momentaneamente a marca de US$ 12,00 durante o mês.
Os investidores acompanharam de perto o agravamento das tensões no Oriente Médio, fator que elevou a volatilidade nos mercados internacionais de commodities. Ao mesmo tempo, o avanço do plantio e das condições das lavouras nos Estados Unidos reforçou o viés baixista das cotações.
Outro ponto de atenção segue sendo a demanda chinesa. O mercado monitora sinais de retomada mais consistente das compras por parte da China, principal importadora mundial de soja, em um cenário de margens pressionadas no processamento asiático.
As perspectivas para a próxima temporada seguem robustas no Brasil. Segundo levantamento de Safras & Mercado, a produção brasileira de soja em 2025/26 deverá atingir 178,11 milhões de toneladas, crescimento de 3,7% em relação à safra anterior, estimada em 171,84 milhões de toneladas.
A nova projeção supera a estimativa divulgada em fevereiro, quando a consultoria indicava produção de 177,72 milhões de toneladas.
O avanço da produtividade, aliado à manutenção de uma área elevada de cultivo, reforça a posição do Brasil como maior produtor e exportador global da oleaginosa.
Na Argentina, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca voltou a revisar os números da safra 2025/26. A produção foi ajustada para 49,9 milhões de toneladas, enquanto a área plantada passou a ser estimada em 16,4 milhões de hectares.
Mesmo após problemas climáticos registrados em parte do ciclo anterior, o país mantém perspectiva de recuperação produtiva, ampliando a oferta sul-americana no mercado internacional.
O relatório de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe a primeira estimativa oficial para a safra norte-americana 2026/27.
A produção foi projetada em 4,435 bilhões de bushels, equivalentes a 120,7 milhões de toneladas. O número ficou ligeiramente abaixo da expectativa média do mercado, que apostava em 121,1 milhões de toneladas.
A produtividade foi estimada em 53 bushels por acre.
Já os estoques finais dos Estados Unidos foram projetados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas, abaixo das previsões do mercado, que indicavam carryover de 353 milhões de bushels.
O USDA também estimou esmagamento de 2,75 bilhões de bushels e exportações de 1,63 bilhão de bushels para a temporada.
Para o ciclo 2025/26, os estoques de passagem norte-americanos foram indicados em 340 milhões de bushels, também abaixo das expectativas privadas.
Para os próximos meses, analistas apontam que o comportamento do mercado de soja seguirá altamente dependente do desenvolvimento climático nos Estados Unidos, do ritmo da demanda chinesa e das tensões geopolíticas globais.
No Brasil, produtores continuam atentos às oportunidades de comercialização, mas a tendência ainda é de negociações moderadas diante das incertezas sobre preços e câmbio.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias