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Soja

EUDR mantém pressão sobre exportadores de soja do Brasil mesmo com novas regras simplificadas da União Europeia

Regulamento europeu contra o desmatamento entra em vigor em 2026 e mantém exigências de rastreabilidade, geolocalização e segregação de grãos para produtores e empresas brasileiras


Publicado em: 17/07/2026 às 10:00hs

EUDR mantém pressão sobre exportadores de soja do Brasil mesmo com novas regras simplificadas da União Europeia

A atualização do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR) reduziu parte da burocracia prevista inicialmente, mas manteve os principais desafios para a cadeia brasileira de soja. As exigências de rastreabilidade, comprovação de origem e controle dos lotes continuam sendo pontos críticos para exportadores que desejam manter o acesso ao mercado europeu.

O novo cronograma estabelece que as regras passam a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas. A mudança representa um adiamento de 20 meses aprovado pela Comissão Europeia (CE), dentro de um pacote de simplificação regulatória.

Apesar dos ajustes, o objetivo central da legislação permanece: impedir a entrada no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento ou à degradação ambiental.

Simplificação reduz burocracia, mas mantém obrigações para países produtores

Entre as mudanças apresentadas pela Comissão Europeia estão mecanismos simplificados de declaração para operadores de países classificados como baixo risco e a criação da categoria “downstream”, voltada a empresas que atuam em etapas posteriores da cadeia produtiva.

A medida busca evitar duplicidade de verificações e reduzir custos administrativos dentro do bloco europeu.

No entanto, para produtores, tradings e exportadores localizados em países fornecedores, como o Brasil, os requisitos principais permanecem praticamente inalterados.

Segundo especialistas do setor, continuam sendo exigidas informações detalhadas sobre a origem da produção, incluindo localização geográfica das áreas cultivadas e comprovação de que os produtos não estão vinculados a desmatamento após a data de corte estabelecida pela União Europeia.

Rastreabilidade da soja brasileira continua como principal desafio

A rastreabilidade permanece como um dos maiores obstáculos para a adaptação da cadeia brasileira de soja.

Embora o Brasil possua sistemas avançados de monitoramento ambiental, representantes do setor avaliam que ferramentas nacionais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), ainda não atendem integralmente aos critérios exigidos pelos Estados-membros da União Europeia.

A principal dificuldade está na necessidade de comprovar, de forma detalhada, a origem do grão exportado e sua relação direta com áreas específicas de produção.

Para atender ao regulamento europeu, empresas têm investido em plataformas digitais, sistemas de monitoramento por satélite e processos de coleta de dados diretamente nas propriedades rurais.

Segregação física dos grãos aumenta custos operacionais

Outro ponto de preocupação para a indústria brasileira é a exigência de segregação física dos produtos.

A União Europeia mantém a determinação de que lotes conformes e não conformes ao EUDR não sejam misturados durante etapas como armazenamento, transporte e embarque.

O setor produtivo defende o uso do sistema de balanço de massa, modelo tradicionalmente utilizado na logística de commodities agrícolas, no qual volumes certificados e não certificados podem ser controlados dentro de uma cadeia de custódia.

A manutenção da segregação física, porém, pode exigir investimentos elevados em silos, terminais portuários e sistemas de identificação de origem.

Regulamento europeu cria diferença em relação ao Código Florestal brasileiro

Outro fator de atenção para exportadores brasileiros é a diferença entre a legislação europeia e as normas ambientais nacionais.

O EUDR estabelece critérios próprios para avaliar a conversão de áreas, independentemente da legalidade da abertura de novas áreas segundo a legislação brasileira.

Na prática, uma propriedade que realizou supressão vegetal autorizada pelos órgãos ambientais brasileiros poderá enfrentar restrições para exportar ao mercado europeu caso a conversão tenha ocorrido após a data definida pelo regulamento europeu.

Esse ponto amplia a necessidade de análise detalhada dos históricos ambientais das propriedades fornecedoras.

Certificações ganham espaço como ferramenta de apoio à conformidade

Diante da complexidade dos novos requisitos, certificações voluntárias e plataformas de rastreabilidade passaram a ganhar importância como instrumentos de apoio para empresas e produtores.

A certificação de produção de soja da Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS) é apontada como uma ferramenta que pode auxiliar operadores na organização das informações exigidas pelo EUDR.

Especialistas destacam, porém, que a certificação não substitui a responsabilidade legal das empresas importadoras e exportadoras.

A obrigação de realizar a diligência devida permanece com os operadores comerciais responsáveis pela entrada dos produtos no mercado europeu.

Além disso, padrões de cadeia de custódia alinhados ao EUDR podem auxiliar na coleta de dados, rastreamento de volumes e comprovação de origem dos grãos.

Brasil busca adaptação para preservar mercado europeu

A União Europeia é um dos principais destinos da soja brasileira, especialmente para utilização na produção de rações, alimentos e biocombustíveis.

Por isso, a adequação ao EUDR tornou-se uma prioridade estratégica para tradings, indústrias, produtores e entidades representativas do setor.

O desafio está em equilibrar as novas exigências ambientais europeias com a complexidade da cadeia brasileira de grãos, marcada por milhares de propriedades rurais, diferentes sistemas produtivos e uma ampla infraestrutura de armazenagem e transporte.

Setor debate caminhos para atender novas exigências

As mudanças no regulamento europeu e seus impactos para a cadeia global de soja foram discutidos em webinar promovido pela RTRS, com participação de representantes da indústria de rações, sustentabilidade, cooperativas e entidades brasileiras do setor de óleos vegetais.

Durante o encontro, especialistas reforçaram que a preparação antecipada será fundamental para evitar riscos comerciais e garantir a continuidade das exportações brasileiras para a Europa.

EUDR transforma rastreabilidade em requisito estratégico para o agronegócio

Com a aproximação da entrada em vigor do regulamento, a rastreabilidade deixa de ser apenas uma exigência ambiental e passa a ser um fator decisivo de competitividade internacional.

Para o Brasil, maior exportador mundial de soja, a capacidade de comprovar origem sustentável, integrar dados da produção e adaptar processos logísticos será determinante para manter participação no mercado europeu e fortalecer a imagem do agronegócio nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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