Publicado em: 17/03/2026 às 12:30hs
Com a safra de soja 2025/2026 se aproximando do fim em Mato Grosso, o manejo correto da dessecação pré-colheita torna-se uma etapa estratégica para o produtor rural, especialmente diante da necessidade de cumprir a janela ideal de plantio do milho safrinha.
O estado, líder na produção nacional de soja, já colheu cerca de 80% da área plantada. As regiões Médio-Norte, Oeste e parte do Norte já concluíram os trabalhos, enquanto nas demais áreas as colheitadeiras seguem operando em ritmo intenso para finalizar a retirada da oleaginosa do campo.
Neste momento decisivo da safra, a dessecação se destaca como uma prática importante para melhorar a eficiência da colheita, reduzir perdas e garantir maior qualidade dos grãos.
Quando associada a boas tecnologias de aplicação e ao uso de adjuvantes, a operação pode proporcionar ganhos relevantes ao produtor, tanto em produtividade quanto em logística de colheita.
Segundo Jorge Silveira, engenheiro agrônomo e coordenador comercial da Sell Agro, o principal objetivo da dessecação é uniformizar o processo de secagem da lavoura.
“A dessecação pré-colheita na soja tem por objetivo principal uniformizar e padronizar a secagem das plantas e dos grãos, permitindo uma operação mais rápida e eficiente. Além disso, proporciona maior rendimento operacional, redução de perdas, controle de plantas daninhas e grãos mais uniformes, o que também facilita o armazenamento”, explica.
Apesar de ser uma prática amplamente adotada, a dessecação ainda apresenta falhas em muitas propriedades rurais.
Um dos erros mais críticos, de acordo com o especialista, é realizar a aplicação antes da lavoura atingir a maturidade fisiológica.
“O pior equívoco é dessecar a cultura antes de ela apresentar maturidade fisiológica. Isso pode causar perdas consideráveis de produtividade e também prejudicar a qualidade dos grãos, especialmente quando a área é destinada à produção de sementes”, alerta Silveira.
Esse estágio ocorre na fase R7 da soja, quando os grãos já atingiram o acúmulo máximo de matéria seca e não há mais ganho produtivo, mesmo que parte da planta ainda esteja verde.
Outro ponto de atenção é a escolha do herbicida e da dose aplicada, fatores que podem comprometer o controle de plantas daninhas.
Quando esse manejo não é eficiente, as plantas invasoras podem dificultar a colheita, aumentar impurezas nos grãos e elevar perdas durante a operação, além de deixar a área mais infestada para a próxima cultura.
As condições climáticas no momento da aplicação também têm impacto direto na eficiência da dessecação.
Temperatura, umidade do ar e velocidade do vento influenciam a pulverização e a absorção dos produtos pelas plantas.
De acordo com Silveira, algumas condições são consideradas ideais para a operação:
Além disso, o especialista recomenda evitar aplicações com excesso de orvalho ou quando houver previsão de chuva logo após a pulverização, pois esses fatores podem comprometer o desempenho dos herbicidas.
A eficiência da dessecação também depende diretamente da qualidade da tecnologia de aplicação utilizada no campo.
Entre os fatores mais importantes estão:
Segundo o agrônomo, esses elementos são fundamentais para garantir uma operação eficiente e com menor risco ambiental.
O uso de adjuvantes de qualidade tem ganhado espaço nas operações de pulverização, ajudando a melhorar a eficiência das aplicações e reduzir perdas causadas por fatores externos.
“Não utilizar um bom adjuvante é um erro bastante comum no campo. Esses produtos ajudam a minimizar perdas provocadas por fatores ambientais e aumentam a eficiência da aplicação, favorecendo a absorção e o desempenho dos herbicidas”, afirma Silveira.
Quando o manejo é bem executado, a dessecação também contribui para reduzir custos operacionais e otimizar a logística da colheita, além de preparar melhor a área para o cultivo seguinte.
Para alcançar melhores resultados, o especialista recomenda que o produtor adote algumas práticas essenciais no manejo da dessecação:
“Uma pulverização bem executada garante que todo o grão produzido seja colhido de forma rápida e com o mínimo de perdas. Uma lavoura bem dessecada facilita a colheita, reduz custos operacionais, economiza tempo e ainda deixa a área mais preparada para a implantação da segunda safra”, conclui Silveira.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias