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Soja

Controles fitossanitários fortalecem exportações de grãos e reduzem notificações internacionais

Investimentos em tecnologia, rastreabilidade, inspeção e manejo sanitário garantem a qualidade da soja e do milho brasileiros e reforçam a competitividade do agronegócio nos mercados globais.


Publicado em: 05/08/2026 às 08:30hs

Controles fitossanitários fortalecem exportações de grãos e reduzem notificações internacionais
Foto: Melquizedeque Almeida/Pexels

O fortalecimento dos controles fitossanitários tem sido um dos principais fatores para garantir a competitividade das exportações brasileiras de grãos. Graças aos investimentos em tecnologia, capacitação técnica, rastreabilidade e monitoramento ao longo da cadeia produtiva, o Brasil mantém baixos índices de notificações internacionais, mesmo diante do crescimento recorde das vendas externas de soja e milho.

O tema ganha ainda mais importância em um cenário de expansão do comércio internacional. Somente no primeiro semestre de 2026, o agronegócio brasileiro exportou US$ 87,1 bilhões, resultado histórico impulsionado pela forte demanda global e pela eficiência dos sistemas de produção e certificação fitossanitária.

Amostragem de grãos é um dos maiores desafios da certificação para exportação

Segundo Fátima Parizzi, consultora técnica da ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e da ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), a obtenção de amostras representativas de grandes lotes destinados à exportação continua sendo um dos principais desafios operacionais do setor.

De acordo com a especialista, o elevado volume das cargas dificulta o acesso uniforme a toda a massa de grãos, tornando indispensável a adoção de protocolos rigorosos para garantir que a amostra reflita fielmente o lote exportado.

Essa etapa é fundamental para identificar possíveis não conformidades antes do embarque e assegurar o atendimento às exigências fitossanitárias dos países importadores.

Pragas quarentenárias exigem monitoramento permanente

Entre os principais pontos de atenção nas exportações estão as chamadas pragas quarentenárias, organismos que podem causar impactos econômicos e sanitários nos países compradores.

Nesse grupo estão incluídos:

  • Plantas daninhas;
  • Insetos;
  • Fungos;
  • Bactérias;
  • Vírus;
  • Nematóides.

Recentemente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou uma lista com as 12 principais pragas quarentenárias regulamentadas pela China, maior importadora mundial da soja brasileira. A relação inclui espécies como carrapicho, capim-farpado, carpineira e quiabinho, entre outras que exigem controle rigoroso durante toda a cadeia produtiva.

Notificações representam menos de 1% das exportações para a China

Apesar da elevada exigência dos mercados internacionais, os índices de notificações permanecem extremamente baixos.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que, entre maio de 2024 e maio de 2025, as autoridades chinesas emitiram 1.046 notificações em carregamentos de soja e 39 em embarques de milho, número que representa menos de 1% dos Certificados Fitossanitários Internacionais emitidos para exportações destinadas ao país asiático.

Segundo Fátima Parizzi, esses indicadores demonstram a robustez do sistema brasileiro de produção e controle sanitário.

Embora as notificações sejam acompanhadas com máxima atenção, elas representam uma parcela muito pequena diante do enorme volume exportado pelo Brasil, evidenciando a eficiência dos processos adotados pela cadeia produtiva.

Controle fitossanitário começa na lavoura e segue até os portos

A especialista destaca que a qualidade dos grãos exportados é resultado de um trabalho integrado envolvendo produtores, armazenadores, exportadores e órgãos oficiais.

O processo começa ainda nas propriedades rurais, com o manejo correto das lavouras e o controle preventivo de plantas daninhas e demais pragas.

Na sequência, os armazéns realizam monitoramento contínuo, limpeza dos grãos e separação de impurezas para preservar a qualidade do produto.

Já nos terminais portuários, são executadas as etapas de classificação, inspeção, certificação higiênico-sanitária e fiscalização oficial conduzida pelos Auditores Fiscais Federais Agropecuários do Vigiagro/Mapa, responsáveis pela emissão do Certificado Fitossanitário Internacional exigido pelos mercados compradores.

Interceptações podem gerar impactos logísticos e financeiros

Mesmo com baixos índices de ocorrência, uma eventual interceptação de cargas no país de destino pode provocar consequências significativas para as empresas exportadoras.

Entre os impactos estão alterações na rota de navios, atrasos logísticos, custos adicionais, restrições comerciais e possíveis prejuízos contratuais.

Por isso, o setor mantém programas permanentes de prevenção, monitoramento e atualização técnica, buscando preservar a reputação conquistada pelo Brasil como fornecedor confiável de alimentos.

Segundo Parizzi, especialmente no caso da China, o compartilhamento das notificações é essencial para avaliar a eficiência das medidas de mitigação e aperfeiçoar continuamente as estratégias adotadas por toda a cadeia produtiva.

Tecnologia e inteligência de dados elevam o padrão de qualidade

Além da capacitação das equipes técnicas, empresas do setor vêm ampliando os investimentos em inovação para fortalecer os controles de qualidade.

Entre as soluções em fase de expansão estão equipamentos automáticos de classificação de grãos, capazes de identificar impurezas, materiais estranhos e sementes de plantas daninhas utilizando sistemas inteligentes de inspeção.

Parizzi ressalta que o avanço tecnológico vai além da automação.

Segundo ela, transformar grandes volumes de dados em informações estratégicas permite aperfeiçoar continuamente os processos, ampliar a rastreabilidade e fortalecer o controle dos estoques destinados aos mercados interno e internacional.

Conferência reúne especialistas em pós-colheita e exportação de grãos

Os desafios da identificação de pragas quarentenárias, sementes tóxicas e dos processos de classificação e certificação serão debatidos durante a IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita (CBP 2026).

Promovido pela Associação Brasileira de Pós-Colheita (ABRAPOS) e realizado em parceria com as cooperativas Capal, Frísia e Castrolanda, o encontro reunirá especialistas, pesquisadores e representantes do setor para discutir inovação, qualidade, armazenagem e segurança fitossanitária.

A conferência ocorrerá entre 12 e 14 de agosto, em Carambeí (PR), consolidando-se como um dos principais fóruns nacionais sobre pós-colheita, armazenagem e exportação de grãos.

Com a crescente exigência dos mercados internacionais, a adoção de tecnologias, protocolos rigorosos de inspeção e sistemas avançados de rastreabilidade continuará sendo decisiva para manter a competitividade do agronegócio brasileiro e ampliar a presença do país no comércio global de alimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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