Nova mistura de clomazone e flumioxazin amplia controle de plantas daninhas resistentes na soja
Tecnologia avaliada pela CentroAGRO apresenta eficácia superior a 80% no manejo de invasoras de difícil controle e chega ao mercado brasileiro como nova ferramenta para o manejo pré-emergente
Publicado em: 22/07/2026 às 07:00hs
O avanço das plantas daninhas resistentes aos herbicidas tradicionais tem aumentado o desafio dos produtores de soja em diversas regiões do Brasil. Para enfrentar esse cenário, uma nova tecnologia baseada na combinação dos ingredientes ativos clomazone e flumioxazin chega ao mercado nacional com a proposta de ampliar o controle de invasoras resistentes e tolerantes ao glifosato.
Os resultados dos testes conduzidos pela CentroAGRO Pesquisa, empresa de pesquisa e desenvolvimento científico sediada em Rio Verde (GO), indicaram elevado desempenho da mistura pronta em aplicações de pré-emergência da soja, especialmente no controle de espécies consideradas de difícil manejo.
A solução será apresentada oficialmente ao mercado durante o Congresso Brasileiro de Plantas Daninhas, entre os dias 3 e 6 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR).
CentroAGRO avalia eficiência da nova tecnologia no Cerrado
A CentroAGRO foi uma das primeiras instituições privadas de pesquisa a testar a nova combinação de herbicidas no sistema produtivo do Cerrado brasileiro.
Segundo o pesquisador Fellipe Goulart Machado, fundador da empresa, doutor em Agronomia e especialista em plantas daninhas, a tecnologia representa uma alternativa importante para produtores que enfrentam dificuldades no controle de invasoras resistentes.
“A mistura agregará ao sistema de manejo de plantas daninhas de difícil controle”, destaca Machado.
Os estudos apontaram resultados consistentes no controle de espécies como:
- capim-pé-de-galinha;
- capim-amargoso;
- trapoeraba;
- corda-de-viola;
- picão-preto.
Em diferentes avaliações, a solução apresentou eficácia mínima superior a 80% no controle de algumas espécies, além de ganhos expressivos em comparação com produtos contendo apenas um ingrediente ativo.
Herbicida apresenta efeito residual prolongado
Um dos diferenciais observados nos ensaios foi o efeito residual da tecnologia após a aplicação.
De acordo com a CentroAGRO, em algumas áreas avaliadas, o controle das plantas invasoras permaneceu acima de 80% até 27 dias após a aplicação, indicando maior proteção inicial da lavoura e facilitando o manejo complementar em pós-emergência da soja.
Esse comportamento é considerado estratégico principalmente em regiões onde a pressão de plantas daninhas é elevada e pode comprometer o desenvolvimento inicial da cultura.
Capim-pé-de-galinha ameaça produtividade da soja
Entre as principais preocupações dos produtores está o avanço do capim-pé-de-galinha, uma das plantas daninhas que mais desafiam o manejo das lavouras brasileiras.
Segundo Fellipe Machado, a convivência dessa espécie com a soja pode causar prejuízos severos e até comprometer operações de colheita.
“Já tivemos situações em Rio Verde em que produtores optaram por não colher áreas de bordadura porque a infestação inviabilizou a operação. A lavoura praticamente ‘virou’ capim-pé-de-galinha”, relata o pesquisador.
Além do capim-pé-de-galinha, a mistura também apresenta potencial para auxiliar no controle de espécies como o picão-preto, que apresenta populações resistentes ao glifosato em algumas regiões produtoras do país.
Mistura de ativos fortalece estratégia de manejo integrado
A combinação entre clomazone e flumioxazin atua de forma complementar, reunindo características importantes para o manejo de plantas daninhas de folhas largas e estreitas.
Além da aplicação em pré-emergência, os estudos indicaram resultados positivos também no processo de dessecação de invasoras antes da implantação da cultura.
Segundo Machado, a nova ferramenta deverá contribuir para programas de manejo integrado, especialmente em áreas onde a resistência aos herbicidas já representa um dos principais fatores de perda de eficiência no campo.
Tecnologia chega ao mercado para enfrentar resistência ao glifosato
A nova solução foi desenvolvida pela Sipcam Nichino Brasil e será disponibilizada comercialmente como uma ferramenta voltada ao controle de plantas daninhas resistentes e tolerantes.
De acordo com Eric Ono, gerente de portfólio de produtos e cultivos da empresa, a tecnologia combina dois ingredientes ativos que atuam em sinergia para reduzir a competição inicial das invasoras com a cultura da soja.
“É um herbicida composto por dois ativos que, em sinergia, evitam a matocompetição inicial e apresentam elevado grau de eficácia no manejo de ervas de folhas largas e estreitas de difícil controle”, explica.
Manejo eficiente será decisivo para próxima safra de soja
Com o aumento da resistência de plantas daninhas e a necessidade de preservar o potencial produtivo das lavouras, especialistas reforçam que o uso combinado de diferentes mecanismos de ação será cada vez mais importante.
A adoção de estratégias preventivas, rotação de herbicidas, controle no momento adequado e integração de tecnologias tende a ser fundamental para garantir maior eficiência e sustentabilidade no cultivo da soja brasileira.
A nova mistura de clomazone e flumioxazin surge como mais uma alternativa para produtores que buscam reduzir perdas, proteger o estabelecimento inicial da lavoura e melhorar o desempenho do manejo de plantas invasoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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