Greening em São Paulo: novas regras mudam erradicação de plantas e exigem monitoramento do psilídeo
Municípios são classificados pela incidência da doença. Em áreas com índice superior a 10%, a eliminação obrigatória de plantas sintomáticas se concentra nas árvores de até três anos.
Publicado em: 24/09/2026 às 10:30hs
Os citricultores paulistas passaram a seguir novos critérios de prevenção e controle do greening, também chamado de Huanglongbing (HLB). A Resolução SAA nº 32/2026 estabelece obrigações de cadastro, vistoria dos pomares, controle do inseto transmissor e registro das ações de manejo. A mudança de maior impacto para o produtor é a definição das plantas que devem ser erradicadas conforme a incidência da doença em cada município.
A norma substituiu a Resolução SAA nº 88/2021. Sua aplicação foi detalhada pela Portaria Defesa Agropecuária nº 46/2026, que trata da classificação dos municípios paulistas.
Quando a erradicação de plantas com greening é obrigatória?
Nos municípios de baixa incidência, com até 10% de plantas sintomáticas, a eliminação é exigida para plantas doentes de qualquer idade. Nos municípios de alta incidência, acima desse limite, a obrigação se aplica às plantas sintomáticas com até três anos. A medida reduz a exigência de arranquio de árvores adultas nas áreas mais afetadas, mas mantém as demais obrigações de manejo.
A classificação municipal considera relatórios semestrais dos produtores e levantamentos fitossanitários da Defesa Agropecuária. A metodologia prevê dados de pelo menos 10% das propriedades cadastradas com cultivo de citros ou levantamento amostral conduzido pelo órgão estadual.
Vistorias e controle do psilídeo entram na rotina do produtor
As propriedades com citros ou plantas hospedeiras devem realizar vistorias para identificar sintomas e registrar as medidas adotadas. A resolução também exige o monitoramento quinzenal do psilídeo Diaphorina citri, inseto transmissor do greening, e ações para impedir seu desenvolvimento nos pomares.
O cadastro das propriedades e dos estabelecimentos produtores de material de propagação é obrigatório. A norma ainda reforça a aquisição de mudas em estabelecimentos cadastrados e estabelece cuidados para o trânsito interestadual de frutas, incluindo a retirada de folhas e ramos e a escovação, com exceção prevista para a tangerina Ponkan.
Greening atinge 48,08% das laranjeiras do cinturão citrícola em 2026
A atualização das regras ocorre em um cenário de alta presença da doença. O levantamento mais recente do Fundecitrus aponta greening em 48,08% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro em 2026, ante 47,63% em 2025. Embora a incidência tenha crescido apenas 0,45 ponto percentual, a severidade média nas plantas afetadas subiu de 22,7% para 27,0%.
As maiores incidências em 2026 foram registradas nas regiões de Limeira (82,10%), Porto Ferreira (72,43%), Avaré (69,50%), Brotas (68,10%) e Duartina (65,53%). Esses índices regionais do Fundecitrus mostram a dimensão do desafio sanitário; o enquadramento que determina a obrigação de erradicação, porém, é feito por município pela Defesa Agropecuária paulista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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