Barreira Spodoptera ganha força para conter avanço da lagarta da soja ao milho e algodão
Campanha da AgBiTech Brasil orienta produtores a intensificar o manejo da Spodoptera frugiperda ainda na soja para reduzir a pressão da praga nas culturas subsequentes
Publicado em: 24/09/2026 às 15:00hs
A Spodoptera frugiperda voltou ao centro das estratégias de manejo para a safra 2026/27. A preocupação está relacionada à capacidade de multiplicação e dispersão da praga entre diferentes culturas dentro do mesmo sistema produtivo, especialmente na sequência soja, milho segunda safra e algodão.
Diante desse cenário, a AgBiTech Brasil, empresa especializada em soluções à base de baculovírus para o controle de lagartas, lançou a campanha “Barreira Spodoptera”. A iniciativa pretende ampliar a conscientização dos produtores sobre a necessidade de iniciar o controle da praga já na soja, antes que ela avance para os cultivos seguintes.
Soja pode favorecer multiplicação da Spodoptera
Segundo o engenheiro agrônomo Victor Hugo Costa, mestre em produção vegetal e doutor em biotecnologia vegetal da AgBiTech, a estratégia parte do princípio de que a Spodoptera frugiperda deve ser tratada como uma praga de sistema, considerando sua presença ao longo do calendário agrícola.
Na avaliação do especialista, quando a lagarta não é adequadamente manejada na soja, indivíduos remanescentes podem contribuir para elevar a pressão da praga sobre o milho segunda safra e o algodão.
A previsão de condições climáticas associadas ao El Niño durante a safra 2026/27, com possibilidade de períodos de chuvas irregulares e temperaturas elevadas, também é apontada pela empresa como um fator que pode favorecer a ocorrência da praga.
Costa afirma que parte dos produtores ainda subestima os prejuízos provocados pela Spodoptera na soja. Segundo ele, em determinadas situações, os danos podem alcançar 10% a 20% da produção.
Já nos cultivos subsequentes, a pressão elevada da lagarta pode resultar em perdas ainda mais expressivas, de acordo com a avaliação apresentada pela AgBiTech.
“Biofábrica” de lagartas exige atenção no manejo
A pesquisadora Cecilia Czepak, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), já havia chamado atenção para o papel das áreas de soja na dinâmica populacional das lagartas.
A expressão “biofábricas de lagartas” foi utilizada para descrever situações em que populações remanescentes da praga não são adequadamente controladas na oleaginosa e encontram, posteriormente, condições favoráveis para sua multiplicação no milho safrinha e no algodão.
A lógica da campanha é antecipar o manejo e reduzir a população da praga antes da transição entre as culturas.
“A recomendação é começar forte o manejo da Spodoptera na soja”, destaca Victor Costa.
Segundo o especialista, a estratégia busca estabelecer uma barreira ainda na primeira cultura do sistema, reduzindo a possibilidade de aumento populacional da lagarta nas áreas cultivadas posteriormente.
Baculovírus entra como ferramenta no manejo da Spodoptera
Entre as ferramentas apresentadas pela campanha está o uso de baculovírus, agentes de controle biológico empregados no manejo de lagartas.
A equipe técnica da AgBiTech pretende acompanhar os produtores durante a safra 2026/27, orientando sobre o uso da tecnologia e sobre estratégias de rotação entre baculovírus e inseticidas químicos, de acordo com o nível de infestação identificado em cada área.
A empresa informa que alguns ensaios realizados em campo dentro do conceito da campanha registraram eficácia superior a 80% no controle de Spodoptera frugiperda em soja e milho, quando o baculovírus foi utilizado no início das infestações.
Em determinadas áreas de soja, a companhia também relata resultados de controle integral da população da lagarta quando o baculovírus foi associado a produtos químicos.
Manejo deve começar no início da infestação
Para Victor Costa, o momento de entrada com a ferramenta de controle é um dos pontos centrais da estratégia.
Segundo ele, a identificação precoce da Spodoptera permite iniciar o manejo antes que a população atinja níveis mais elevados. A orientação apresentada pela campanha considera a realização de duas ou três aplicações de baculovírus na soja, conforme as condições observadas na lavoura.
A tecnologia também apresenta uma característica importante dentro do manejo biológico: após infectada, a lagarta pode contribuir para a disseminação do vírus no ambiente, ampliando a ação do agente de controle sobre a população da praga.
Outro ponto destacado pela empresa é a utilização dos baculovírus como parte de programas de manejo integrado, em combinação ou alternância com inseticidas químicos quando necessário.
Estratégia também contempla milho safrinha e algodão
Caso a Spodoptera frugiperda esteja presente no milho segunda safra ou no algodão, a campanha recomenda a continuidade das ações de controle desde o início da infestação.
Nessas culturas, a orientação apresentada pela AgBiTech considera duas a quatro aplicações de baculovírus, dependendo das condições encontradas em campo.
A estratégia reforça a necessidade de acompanhar a população da praga durante todo o ciclo produtivo, em vez de concentrar as ações apenas quando os danos já estão estabelecidos.
Adesão ao controle biológico cresce na soja
Para o diretor de marketing da AgBiTech, Pedro Marcellino, o uso de ferramentas biológicas no manejo da Spodoptera vem ganhando espaço entre produtores de soja.
Segundo ele, o aumento da adoção está relacionado à capacidade de multiplicação da praga e ao impacto que populações elevadas podem provocar nas culturas cultivadas posteriormente.
A campanha Barreira Spodoptera busca, portanto, posicionar o controle da lagarta na soja como uma etapa estratégica dentro de um programa integrado de manejo que considera todo o sistema produtivo.
Manejo integrado exige monitoramento
O controle da Spodoptera frugiperda deve considerar monitoramento da lavoura, identificação da praga, momento correto de intervenção e integração entre diferentes ferramentas disponíveis.
No sistema soja–milho–algodão, a estratégia proposta pela campanha coloca a soja como ponto inicial para reduzir a pressão populacional da lagarta e, consequentemente, diminuir os riscos de avanço da praga para as culturas subsequentes.
Para a safra 2026/27, o desafio será transformar esse conceito em ações de campo capazes de manter a população da Spodoptera sob controle ao longo de todo o ciclo produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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