Irrigação agrícola: o que revisar antes da safra 2026/27 para evitar falhas e reduzir custos
Revisão preventiva de bombas, motores, instalações elétricas, tubulações e pressão pode aumentar a eficiência do sistema de irrigação e evitar paradas durante os períodos críticos da produção
Publicado em: 24/09/2026 às 14:30hs
Com a aproximação da safra 2026/27, produtores que utilizam irrigação precisam incluir a revisão dos equipamentos no planejamento da propriedade. Antes de aumentar o ritmo de operação, a recomendação é verificar todo o sistema para identificar desgastes, falhas elétricas, vazamentos e perdas de eficiência que podem comprometer o fornecimento de água durante o ciclo das culturas.
A manutenção preventiva ganha importância porque bombas e sistemas de irrigação passam a trabalhar por mais horas e com maior frequência durante a safra. Pequenos problemas identificados na entressafra podem evoluir para paradas justamente quando a disponibilidade de água é determinante para o desenvolvimento das lavouras.
Segundo Márcio Souza, gerente de produtos da Brasmáquinas, a avaliação deve ser realizada antes do aumento da demanda.
“Com o início da safra, o sistema de bombeamento passa a trabalhar com maior frequência e por períodos mais longos. Por isso, é importante verificar antecipadamente bomba, motor, quadro elétrico, tubulações, conexões e demais componentes, garantindo que todo o conjunto esteja preparado para atender à demanda de água”, explica.
Manutenção da irrigação deve avaliar todo o sistema
A revisão não deve se limitar à constatação de que a bomba está funcionando. Eficiência na irrigação agrícola depende do desempenho integrado de diversos componentes.
Entre os itens que devem ser avaliados estão:
- bomba e motor;
- cabos e conexões elétricas;
- quadro de comando;
- dispositivos de proteção;
- tubulações;
- válvulas;
- conexões;
- possíveis vazamentos;
- vazão;
- pressão de operação;
- condições hidráulicas do sistema.
Também é importante verificar se a vazão e a pressão fornecidas continuam compatíveis com a necessidade da propriedade. Um equipamento pode permanecer em funcionamento e, mesmo assim, apresentar perda de desempenho.
Nas bombas submersas, por exemplo, a qualidade da alimentação elétrica e o dimensionamento dos componentes precisam receber atenção especial.
“Nas bombas submersas, a qualidade da alimentação elétrica, o dimensionamento das proteções, cabos e conexões e as condições hidráulicas de funcionamento merecem atenção especial. O equipamento precisa trabalhar dentro da faixa adequada de vazão e altura manométrica prevista para aquele modelo”, afirma Souza.
Queda de vazão e pressão exige atenção do produtor
Alguns sinais podem indicar que o sistema de irrigação perdeu eficiência ou apresenta algum problema.
Entre os principais alertas estão:
- redução da vazão;
- queda de pressão;
- aumento do consumo de energia;
- desarmes frequentes;
- ruídos incomuns;
- vibrações excessivas;
- alterações no funcionamento do motor;
- aumento do tempo necessário para fornecer o mesmo volume de água.
Esses sinais não devem ser ignorados. A identificação antecipada de problemas pode evitar que uma falha localizada provoque a interrupção completa do sistema.
Durante a safra, uma bomba parada pode deixar a lavoura sem irrigação por horas ou até dias, dependendo da disponibilidade de equipamentos de reserva, peças e assistência técnica.
Dimensionamento da bomba influencia eficiência e consumo de energia
A preparação para a safra também deve incluir uma avaliação do dimensionamento do sistema de irrigação.
A escolha e a operação da bomba precisam considerar fatores como:
- vazão necessária;
- altura manométrica;
- características da instalação;
- demanda hídrica;
- condições hidráulicas;
- capacidade dos demais componentes do sistema.
Uma bomba superdimensionada ou utilizada fora da faixa recomendada pode elevar o consumo de energia elétrica e contribuir para o desgaste prematuro do equipamento.
Da mesma forma, problemas em tubulações, conexões e instalações elétricas podem aumentar as perdas e reduzir a eficiência da irrigação.
Tubulações e instalações elétricas também precisam ser revisadas
A conservação da estrutura hidráulica é outro ponto importante antes do início de uma rotina mais intensa de irrigação.
Vazamentos, obstruções e perdas de carga podem fazer com que parte da energia empregada no bombeamento não seja convertida de maneira eficiente em fornecimento de água para a lavoura.
Na parte elétrica, cabos, conexões, quadros de comando e dispositivos de proteção devem estar dimensionados e em boas condições de funcionamento.
Em sistemas que permitem o controle da rotação dos equipamentos, inversores de frequência também podem contribuir para adequar a operação à necessidade de cada momento e melhorar o uso da energia.
Irrigação eficiente começa antes da safra
A manutenção preventiva não deve ser vista apenas como uma forma de evitar que a bomba pare. O objetivo é garantir que o conjunto opere dentro das condições previstas, entregando a quantidade de água necessária com eficiência.
“O objetivo não é apenas evitar que a bomba pare, mas fazer com que ela entregue a quantidade de água necessária utilizando a energia da forma mais eficiente possível. Por isso, o acompanhamento de vazão, pressão e comportamento elétrico do conjunto deve fazer parte da rotina”, destaca o gerente de produtos da Brasmáquinas.
Com a irrigação agrícola cada vez mais relevante para garantir maior regularidade na produção, antecipar a revisão dos equipamentos pode reduzir riscos durante a safra 2026/27.
Para o produtor, o planejamento é simples: identificar e corrigir problemas durante a entressafra, antes que o sistema seja submetido ao período de maior exigência. A medida pode evitar paradas inesperadas, reduzir gastos emergenciais e contribuir para um uso mais eficiente da água e da energia na propriedade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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