Preço do milho varia de R$ 54 a R$ 75 por saca com negociações pontuais no Brasil
Produtores restringem a oferta, compradores priorizam reposições e demanda por ração e etanol sustenta o cereal no Sul e em Mato Grosso do Sul
Publicado em: 24/09/2026 às 11:21hs
O mercado brasileiro de milho mantém ritmo moderado de comercialização, com negociações pontuais e diferenças expressivas entre as regiões acompanhadas. Conforme análise da TF Agroeconômica, as referências variam de R$ 54 a R$ 75 por saca no Sul e em Mato Grosso do Sul.
A liquidez reduzida reflete o distanciamento entre as ofertas dos produtores e os valores indicados pelos compradores. Enquanto os vendedores aguardam preços mais elevados, indústrias e consumidores realizam aquisições conforme a necessidade imediata de reposição.
A demanda doméstica continua relevante para absorver a produção, especialmente nas cadeias de proteínas animais e de etanol de milho. No mercado externo, a recuperação gradual das exportações brasileiras em setembro também contribui para sustentar as cotações.
Milho chega a R$ 75 por saca em Cruz Alta
No Rio Grande do Sul, as indicações estão entre R$ 60 e R$ 61,98 por saca. O preço médio estadual levantado pela Emater avançou 0,62%, passando de R$ 61,60 para R$ 61,98.
As indústrias seguem concentradas na recomposição dos estoques, enquanto os produtores limitam a disponibilização de novos lotes. Esse comportamento mantém a comercialização lenta e reduz o volume de negócios.
Em Cruz Alta, o milho disponível é cotado a R$ 75 por saca, valor acima das principais referências estaduais.
Déficit de milho sustenta mercado em Santa Catarina
Em Santa Catarina, as ofertas estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto os compradores indicam valores ao redor de R$ 55. A diferença entre as posições dificulta o fechamento de novos negócios.
O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, mas produziu 2,67 milhões de toneladas na safra 2025/26. O déficit, próximo de 6 milhões de toneladas, é suprido por compras realizadas em outras regiões produtoras e por importações do Paraguai.
A necessidade permanente de abastecimento das cadeias de aves e suínos mantém a demanda relevante, apesar da cautela das indústrias nas aquisições.
Produtores do Paraná mantêm postura seletiva
No Paraná, as referências dos vendedores ficam próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda se concentra ao redor de R$ 55 por saca CIF.
Os produtores continuam seletivos e evitam ampliar a oferta diante das atuais indicações de compra. Ao mesmo tempo, a valorização observada no mercado internacional oferece suporte às cotações domésticas e reduz a disposição para novas concessões.
Etanol amplia demanda por milho em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 55,50 por saca. Além do consumo destinado à alimentação animal, o avanço da indústria de etanol fortalece a demanda interna pelo cereal.
O estado conta com três usinas de etanol de milho em funcionamento e uma quarta unidade em implantação. A capacidade estimada para a temporada 2025/26 alcança 2,128 bilhões de litros.
A produção sul-mato-grossense de milho é projetada em 16,253 milhões de toneladas, crescimento de 16,7%. Até o dia 21, aproximadamente 50% da segunda safra havia sido comercializada.
Mercado aguarda maior convergência entre compradores e vendedores
A evolução dos preços dependerá da necessidade de reposição das indústrias, do ritmo das exportações e da disposição dos produtores para negociar.
No curto prazo, o mercado tende a permanecer seletivo. A demanda para ração e biocombustíveis oferece sustentação às cotações, mas a distância entre ofertas e indicações de compra limita a liquidez nas principais regiões acompanhadas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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