Preço do milho oscila no Brasil com compradores retraídos e exportações ganhando ritmo
Mercado aguarda avanço da colheita da segunda safra para ampliar a oferta, enquanto produtores resistem à queda dos preços. Exportações aceleram em julho e cenário climático nos Estados Unidos influencia as cotações internacionais.
Publicado em: 17/07/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de milho encerra a semana em compasso de espera. Enquanto compradores reduzem o ritmo das aquisições na expectativa de maior oferta e preços mais baixos, produtores mantêm postura cautelosa e evitam ampliar as vendas, buscando sustentar as cotações em diversas regiões do país.
Segundo análise da Safras & Mercado, o equilíbrio entre oferta e demanda segue pressionado pela chegada gradual da segunda safra, pelo comportamento do dólar e pelas oscilações da Bolsa de Chicago (CBOT), fatores que continuam determinando a formação dos preços no mercado interno.
Compradores aguardam avanço da colheita
A estratégia predominante entre indústrias, cooperativas e consumidores é adiar novas negociações, apostando que a intensificação da colheita da safrinha aumentará a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.
Do lado da oferta, produtores seguem negociando apenas volumes pontuais, aguardando oportunidades de preços mais atrativos, principalmente em regiões onde a comercialização da safra permanece lenta.
Esse movimento mantém o mercado relativamente travado, com oscilações regionais e baixa liquidez em boa parte das praças produtoras.
Clima nos Estados Unidos reduz pressão sobre Chicago
No cenário internacional, o milho voltou a acompanhar a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos.
Após uma semana marcada por preocupações com o calor intenso no Meio-Oeste americano, os modelos meteorológicos passaram a indicar melhora das condições para o desenvolvimento das lavouras nos próximos dias.
As previsões de temperaturas mais favoráveis e chuvas em importantes áreas produtoras reduziram parte do prêmio climático incorporado aos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago, limitando novas altas nas cotações internacionais.
Para o mercado brasileiro, esse movimento reduz parte do suporte externo aos preços, embora o comportamento do câmbio continue exercendo influência sobre a competitividade das exportações.
Exportações brasileiras aceleram em julho
Mesmo diante da volatilidade cambial, os embarques brasileiros de milho começaram a ganhar ritmo ao longo de julho.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, até o momento, o Brasil exportou 519,7 mil toneladas de milho em oito dias úteis, gerando receita de US$ 109,9 milhões.
Os números apontam:
- Receita acumulada: US$ 109,893 milhões;
- Volume embarcado: 519,706 mil toneladas;
- Média diária exportada: 64,693 mil toneladas;
- Preço médio: US$ 211,50 por tonelada.
Na comparação com julho do ano passado, houve retração no ritmo dos embarques. A receita média diária caiu 36,7%, enquanto o volume médio exportado recuou 38,3%. Em contrapartida, o preço médio da tonelada avançou 24%, refletindo a valorização do cereal no mercado internacional.
Preços do milho apresentam comportamento regional
O indicador médio nacional da saca de milho ficou em R$ 60,61, registrando queda de 0,43% frente aos R$ 60,87 observados na semana anterior.
Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, o comportamento foi misto:
- Campinas (SP/CIF): R$ 66,50 por saca, alta de 0,76%;
- Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00, avanço de 3,45%;
- Cascavel (PR): R$ 59,00, queda de 1,67%;
- Rondonópolis (MT): R$ 55,00, recuo de 1,79%;
- Erechim (RS): R$ 68,00, baixa de 1,45%;
- Uberlândia (MG): R$ 60,00, estabilidade;
- Rio Verde (GO): R$ 55,00, sem alterações.
A variação entre as regiões reflete diferenças no avanço da colheita, disponibilidade de oferta, demanda das indústrias consumidoras e logística de escoamento.
Mercado acompanha dólar, Chicago e ritmo das exportações
Os próximos movimentos do mercado brasileiro dependerão principalmente da evolução da colheita da segunda safra, do comportamento do dólar frente ao real e das condições climáticas nos Estados Unidos.
Caso a colheita avance rapidamente e aumente significativamente a disponibilidade do cereal, a tendência é de maior pressão sobre as cotações internas. Por outro lado, uma aceleração consistente das exportações ou novas altas em Chicago podem limitar as perdas e oferecer sustentação aos preços pagos ao produtor.
Com uma das maiores safras de milho da história sendo colhida no Brasil, o mercado permanece atento ao equilíbrio entre oferta, demanda e competitividade internacional, fatores que devem definir a trajetória das cotações nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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