Preço do milho fica estável no mercado físico, mas oferta e clima mantêm negociações cautelosas
Vendedores restringem negócios à vista, enquanto compradores fazem aquisições pontuais; avanço do plantio, exportações e disponibilidade da segunda safra entram no cálculo do mercado.
Publicado em: 28/09/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de milho começou a semana com pequenas variações de preço e negociações seletivas. Segundo o Cepea, produtores têm limitado as vendas no mercado à vista, enquanto compradores relatam estoques suficientes para atender às necessidades de curto prazo. Essa combinação reduz o volume de negócios e mantém as cotações próximas da estabilidade em grande parte das regiões acompanhadas.
A cautela dos vendedores também está ligada ao avanço da semeadura da safra 2026/27 e às condições climáticas. Depois de chuvas excessivas em áreas do Sul e do Sudeste, os trabalhos de campo voltaram a progredir, mas os possíveis efeitos do El Niño seguem no radar.
Nas próximas semanas, a disponibilidade de milho da segunda safra, o ritmo das exportações e o andamento dos trabalhos agrícolas no Brasil e nos Estados Unidos podem alterar esse equilíbrio. Pesquisadores do Cepea avaliam que uma necessidade maior de venda por parte dos produtores ampliaria a oferta no mercado e poderia pressionar os preços.
Preço do milho no Sul: diferença entre ofertas e compras limita negócios
No Rio Grande do Sul, os negócios ocorrem entre R$ 60 e R$ 68 por saca, conforme levantamento da TF Agroeconômica. O preço médio estadual recuou 0,71%, para R$ 61,54. A semeadura da safra 2026/27 alcançou cerca de 68% dos 896,4 mil hectares estimados, com produtividade projetada em 7.711 quilos por hectare. Geadas, chuvas intensas e ventos causaram danos localizados, mas a melhora das temperaturas permitiu a retomada do plantio.
Em Santa Catarina, vendedores indicam valores próximos de R$ 60 por saca, enquanto compradores buscam negócios em torno de R$ 55. A distância entre as propostas restringe a liquidez. O estado consome cerca de 8,5 milhões de toneladas de milho por ano e produziu 2,67 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo os dados apresentados pela consultoria.
No Paraná, as indicações também ficam próximas de R$ 60 por saca na venda e de R$ 55 por saca na compra, na condição CIF. O plantio da safra 2026/27 atingiu 56% da área, enquanto a colheita da segunda safra 2025/26 se aproxima do fim.
Bioenergia absorve parte da oferta em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o milho é negociado entre R$ 54 e R$ 55,50 por saca. A indústria de bioenergia continua absorvendo parte da produção estadual.
Até o dia 21 de setembro, a colheita da segunda safra havia alcançado 99,5% da área, mas apenas 50% da produção estava comercializada. A estimativa é de 16,253 milhões de toneladas, volume 16,7% superior ao da temporada anterior.
Futuros na B3 recuam na manhã de segunda-feira
No mercado futuro brasileiro, os contratos de milho operavam em baixa por volta das 9h42 desta segunda-feira (28), conforme as cotações informadas no material de mercado. O vencimento novembro de 2026 era negociado a R$ 75,16 por saca, queda de 0,48%, e janeiro de 2027 a R$ 79,10, recuo de 0,38%. Março de 2027 marcava R$ 81,42, baixa de 0,34%, enquanto maio de 2027 estava em R$ 79,51, desvalorização de 0,18%.
Para a TF Agroeconômica, a combinação de oferta interna elevada e sinais mistos no exterior favorece decisões graduais de comercialização. A consultoria sugere que produtores avaliem vendas parciais e acompanhem câmbio, exportações e preços futuros. Já compradores industriais podem distribuir as aquisições conforme suas necessidades de consumo e capacidade de armazenagem.
O fator decisivo para as próximas semanas será a capacidade da demanda, especialmente das exportações e da indústria, de absorver o milho ainda disponível sem provocar uma concentração de vendas no mercado interno.
Fonte: Portal do Agronegócio
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