Milho sobe no Brasil em julho com menor oferta de produtores e atenção ao clima nos EUA
Redução das vendas por parte dos agricultores, preocupação com o clima no cinturão produtor norte-americano e avanço da paridade de exportação sustentaram a valorização do milho no mercado interno brasileiro.
Publicado em: 31/07/2026 às 17:00hs
O mercado brasileiro de milho registrou alta nos preços durante julho de 2026, impulsionado principalmente pela menor disposição dos produtores em comercializar o cereal e pelo aumento das preocupações com as condições climáticas nos Estados Unidos.
Segundo a consultoria Safras & Mercado, o cenário de clima mais seco, com chuvas abaixo do ideal e temperaturas elevadas em regiões produtoras norte-americanas, fortaleceu as cotações futuras do milho na Bolsa de Chicago e ajudou a melhorar as referências de preços no mercado brasileiro.
A menor fixação de oferta por parte dos agricultores ocorreu em um momento de expectativa por uma valorização maior do cereal, reduzindo a disponibilidade imediata do produto e dando sustentação às cotações internas.
Demanda segue cautelosa com chegada da safrinha
Apesar da valorização dos preços, os compradores permaneceram com atuação mais moderada ao longo de julho.
Indústrias, consumidores e demais participantes do mercado indicaram níveis considerados confortáveis de abastecimento e adotaram uma postura mais cautelosa, aguardando o avanço da entrada do milho safrinha em algumas regiões produtoras.
Além disso, parte da demanda industrial continuou sendo atendida por contratos realizados anteriormente, reduzindo a necessidade de novas compras no mercado spot.
Exportação ajuda a sustentar preços do milho brasileiro
Outro fator positivo para o mercado interno foi a melhora da paridade de exportação, favorecida principalmente pela recuperação das cotações internacionais em Chicago.
Com o dólar apresentando relativa estabilidade, o avanço dos preços externos contribuiu para elevar as expectativas de comercialização e limitar pressões negativas sobre o milho brasileiro.
A combinação entre menor oferta disponível, cenário internacional mais firme e possibilidade de maior competitividade externa manteve o mercado sustentado durante o mês.
Preço médio do milho sobe no Brasil em julho
O preço médio da saca de milho no mercado brasileiro encerrou julho cotado em R$ 61,75, no dia 30, representando alta de 2,42% em relação aos R$ 60,30 registrados no final de junho.
No mercado disponível ao produtor, as principais referências apresentaram os seguintes movimentos:
- Cascavel (PR): R$ 61,00 por saca, alta de 1,67% frente aos R$ 60,00 de junho;
- Campinas/CIF (SP): R$ 67,50 por saca, avanço de 2,27% ante os R$ 66,00 anteriores;
- Mogiana Paulista (SP): R$ 62,00 por saca, valorização de 3,33%;
- Rondonópolis (MT): R$ 56,00 por saca, alta expressiva de 7,69%;
- Erechim (RS): R$ 69,00 por saca, mantendo a liderança entre as principais praças;
- Uberlândia (MG): R$ 61,00 por saca, aumento de 5,17%;
- Rio Verde (GO): R$ 57,00 por saca, valorização de 3,64%.
O avanço mais significativo ocorreu em Rondonópolis, no Mato Grosso, onde a menor disponibilidade imediata e o comportamento dos produtores contribuíram para uma recuperação mais forte dos preços.
Exportações de milho recuam em julho, mas preço médio melhora
As exportações brasileiras de milho somaram US$ 309,96 milhões em julho, considerando 18 dias úteis, com média diária de US$ 17,22 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume embarcado alcançou 1,347 milhão de toneladas, com média diária de 74,88 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 230,40 por tonelada.
Na comparação com julho de 2025, houve:
- Queda de 20,7% no valor médio diário exportado;
- Redução de 29,2% na quantidade média diária embarcada;
- Alta de 12,1% no preço médio da tonelada exportada.
Os números indicam um cenário de menor ritmo de embarques em relação ao ano passado, mas com valorização das cotações internacionais e melhora no preço médio recebido pelo produto brasileiro.
Mercado monitora clima nos EUA e avanço da colheita brasileira
Para os próximos dias, a expectativa é de manutenção da atual dinâmica no mercado de milho.
Os agentes devem continuar acompanhando o avanço da colheita da segunda safra brasileira, especialmente em estados onde os trabalhos ainda não ganharam maior ritmo, como São Paulo.
No cenário internacional, o clima nos Estados Unidos seguirá como principal ponto de atenção, principalmente diante dos impactos que períodos de calor intenso e baixa umidade podem provocar sobre o potencial produtivo norte-americano.
Com menor oferta disponível no curto prazo e incertezas climáticas globais, o milho brasileiro inicia agosto com perspectivas de sustentação nos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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