Mercado de algodão perde ritmo em julho, mas preços seguem firmes com exportações brasileiras em alta
Após maior movimentação no início do mês, mercado físico de algodão desacelera diante da demanda mais cautelosa, enquanto exportações avançam e colheita da safra 2025/26 ganha ritmo em Mato Grosso.
Publicado em: 31/07/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de algodão apresentou maior movimentação nas primeiras semanas de julho, mas perdeu intensidade ao longo do mês diante de uma postura mais cautelosa da indústria e de uma oferta mais controlada por parte dos produtores.
Segundo análise da Safras Consultoria, os negócios passaram a ocorrer de forma mais pontual nas últimas semanas, com compradores focados principalmente na reposição de estoques. Apesar da menor liquidez, os preços da pluma permanecem em níveis superiores aos registrados no mês anterior.
Preço do algodão mantém valorização em julho
No mercado físico, a cotação do algodão encerrou julho em patamares firmes.
Em Rondonópolis (MT), a pluma terminou a quinta-feira cotada a R$ 131,69 por arroba, acumulando valorização mensal de R$ 2,79 por arroba.
Já o algodão colocado em São Paulo alcançou R$ 4,15 por libra-peso, com avanço semanal de 1,97% e alta mensal de 1,72%.
O comportamento dos preços reflete uma combinação entre oferta mais ajustada, ritmo de comercialização dos produtores e expectativa positiva em relação ao desempenho das exportações brasileiras.
Indústria mantém cautela nas compras
Do lado comprador, a indústria têxtil segue adotando uma estratégia mais conservadora, evitando grandes volumes de aquisição e priorizando compras conforme a necessidade de reposição.
A menor agressividade dos compradores reduziu o ritmo dos negócios no mercado interno, mas não provocou pressão significativa sobre os preços, já que os produtores têm administrado a disponibilidade da fibra.
Exportações de algodão do Brasil avançam em julho
O comércio exterior segue como um dos principais fatores de sustentação para o setor.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil exportou 127,653 mil toneladas de algodão em julho, considerando 18 dias úteis, com média diária de 7,091 mil toneladas.
A receita gerada pelas vendas externas alcançou US$ 216,2 milhões, com média diária de US$ 12,011 milhões.
Na comparação com julho de 2025, o volume médio diário embarcado cresceu 28,2%, passando de 5,532 mil toneladas diárias para 7,091 mil toneladas em 2026.
A receita média diária também apresentou desempenho positivo, com avanço de 33,9%, saindo de US$ 8,968 milhões para US$ 12,011 milhões.
O desempenho reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de algodão, beneficiado pela demanda internacional e pela competitividade da fibra nacional.
Colheita da safra 2025/26 avança em Mato Grosso
No campo, a colheita da safra 2025/26 de algodão em Mato Grosso segue avançando.
Segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), realizado em 24 de julho, os trabalhos alcançaram 13,11% da área cultivada.
Na semana anterior, em 17 de julho, o percentual colhido era de 8,36%, demonstrando aceleração das operações.
O ritmo atual também supera o registrado no mesmo período da temporada passada, quando a colheita alcançava 9,75% da área.
O avanço da colheita no maior estado produtor brasileiro aumenta gradualmente a disponibilidade da nova safra, mas o mercado acompanha a evolução dos trabalhos de campo, a qualidade da fibra e o comportamento da demanda interna e externa.
Perspectivas para o mercado de algodão
Para as próximas semanas, o setor deve continuar monitorando três principais fatores: o avanço da colheita brasileira, o comportamento das exportações e a retomada das compras pela indústria.
Com estoques administrados e demanda internacional aquecida, o mercado tende a permanecer sustentado, embora com negociações mais seletivas no mercado doméstico.
A expectativa é de que a combinação entre menor pressão vendedora, desempenho positivo das exportações e avanço gradual da colheita mantenha o algodão brasileiro em um cenário de preços firmes durante a transição para o segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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