Mato Grosso do Sul bate recorde de milho com 16,23 milhões de toneladas na safra 2025/26
Produção cresce 16,5% e produtividade alcança 115,21 sacas por hectare, segundo o SIGA-MS; Maracaju lidera em volume e Alcinópolis registra o maior rendimento.
Publicado em: 23/10/2026 às 10:30hs
Mato Grosso do Sul colheu 16,23 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026, o maior volume da série histórica do Projeto SIGA-MS. A produtividade média ponderada também foi recorde, atingindo 115,21 sacas por hectare, em uma área de 2,348 milhões de hectares.
O levantamento final foi elaborado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), responsável pela execução do projeto, com recursos do Fundems/Semadesc. Em relação às 13,933 milhões de toneladas colhidas em 2024/2025, a produção avançou 16,5%.
“Os números representam o melhor desempenho da série histórica do projeto, tanto em produção quanto em produtividade”, afirma Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS.
Área de milho cresce 9,6% e fica próxima do recorde estadual
A área cultivada aumentou 9,6% em relação ao ciclo anterior e foi a segunda maior já registrada pelo SIGA-MS. O resultado ficou abaixo apenas dos 2,355 milhões de hectares da safra 2022/2023.
A produtividade passou de 108,42 sacas por hectare em 2024/2025 para 115,21 sacas por hectare no ciclo recém-encerrado. A combinação entre expansão de área e maior rendimento sustentou o recorde de produção.
Segundo Balta, o desempenho reforça a importância do milho segunda safra para a agricultura estadual, embora os resultados tenham variado entre municípios e regiões.
Colheita supera estimativa inicial em 45,7%
No início da temporada, o SIGA-MS projetava 2,206 milhões de hectares, produtividade de 84,2 sacas por hectare e produção de 11,139 milhões de toneladas. A estimativa utilizava como referência a média dos cinco anos anteriores do projeto.
As avaliações de campo permitiram revisar esse cenário. Na primeira quinzena de setembro, 354 levantamentos, correspondentes a aproximadamente 400 mil hectares, indicavam rendimento médio de 122,79 sacas por hectare. Com a área estimada naquele momento, a projeção de produção chegou a 16,253 milhões de toneladas.
O fechamento de outubro consolidou uma área maior e produtividade média de 115,21 sacas por hectare, resultando em 16,233 milhões de toneladas. Assim, a produção ficou 45,7% acima da previsão inicial, enquanto o rendimento superou a projeção original em aproximadamente 36,8%.
A metodologia combina avaliações amostrais dos técnicos com informações dos produtores. Os resultados são ponderados pela área cultivada das propriedades e dos municípios para calcular a média estadual.
Maracaju lidera produção de milho em Mato Grosso do Sul
Maracaju foi o maior produtor estadual, com aproximadamente 2,55 milhões de toneladas, cultivadas em 323.822 hectares. A produtividade municipal atingiu 131,49 sacas por hectare.
Na sequência aparecem Ponta Porã, Sidrolândia e Dourados. Juntos, os quatro municípios responderam por aproximadamente 43% da produção sul-mato-grossense.
Os principais resultados municipais foram:
- Maracaju: 2,55 milhões de toneladas, em 323.822 hectares, com 131,49 sacas por hectare;
- Ponta Porã: 1,54 milhão de toneladas, em 211.863 hectares, com 121,05 sacas por hectare;
- Sidrolândia: 1,52 milhão de toneladas, em 212.805 hectares, com 119,29 sacas por hectare;
- Dourados: 1,42 milhão de toneladas, em 212.897 hectares, com 111,35 sacas por hectare;
- Rio Brilhante: 800,1 mil toneladas, em 120.766 hectares, com 110,42 sacas por hectare;
- São Gabriel do Oeste: 766 mil toneladas, em 84.248 hectares, com 151,53 sacas por hectare;
- Aral Moreira: 750,6 mil toneladas, em 97.092 hectares, com 128,85 sacas por hectare;
- Laguna Carapã: 685,4 mil toneladas, em 96.470 hectares, com 118,41 sacas por hectare;
- Caarapó: 628,7 mil toneladas, em 97.919 hectares, com 107,01 sacas por hectare;
- Itaporã: 579,8 mil toneladas, em 88.510 hectares, com 109,17 sacas por hectare.
Balta ressalta que liderança em produção e liderança em produtividade representam indicadores distintos. O volume total depende tanto do rendimento por hectare quanto da extensão plantada, o que permite a municípios com áreas menores alcançar médias superiores sem liderar a produção.
Norte tem maior produtividade; sul concentra o volume colhido
A região norte apresentou a maior produtividade média ponderada do estado, com 135,83 sacas por hectare. Com 246.485 hectares, equivalentes a aproximadamente 10,5% da área estadual, produziu cerca de 2,01 milhões de toneladas.
O desempenho foi impulsionado por municípios como Alcinópolis, São Gabriel do Oeste, Chapadão do Sul e Costa Rica.
A região central alcançou média de 112,43 sacas por hectare. Foram 484.157 hectares cultivados, ou 20,6% da área estadual, e produção próxima de 3,27 milhões de toneladas.
Já o sul concentrou 68,9% da área de milho de Mato Grosso do Sul, com 1,618 milhão de hectares. A região produziu aproximadamente 10,96 milhões de toneladas, com rendimento médio de 112,90 sacas por hectare.
Alcinópolis alcança 158,43 sacas por hectare
No ranking municipal de produtividade, Alcinópolis liderou com 158,43 sacas por hectare. São Gabriel do Oeste ficou em segundo, com 151,53 sacas, seguido por Brasilândia, com 151,05, e Rio Negro, com 150,48 sacas por hectare.
Também se destacaram Chapadão do Sul, com 146,30 sacas por hectare; Costa Rica, com 144,84; Selvíria, com 139,57; e Paraíso das Águas, com 136,12.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, a interpretação desses resultados exige considerar distribuição das chuvas, época de semeadura, solo, manejo e tecnologia. Uma média municipal elevada não significa que todas as lavouras da região tenham apresentado desempenho semelhante.
Irrigação aparece entre os fatores de apoio ao rendimento
O levantamento destaca resultados de municípios nos quais uma parcela expressiva das lavouras de milho é conduzida sob irrigação.
Além de Brasilândia e Selvíria, aparecem Aparecida do Taboado, com 124,85 sacas por hectare; Paranaíba, com 122,63; Ribas do Rio Pardo, com 117,36; e Três Lagoas, com 110,08 sacas por hectare.
A Aprosoja/MS aponta que a tecnologia pode reduzir a dependência exclusiva das chuvas durante períodos de menor precipitação. Sua contribuição, entretanto, depende da disponibilidade hídrica, do planejamento, do manejo e das condições agronômicas de cada propriedade.
Chuvas, granizo e geadas marcaram o ciclo
A safra começou com irregularidade nas precipitações. Em janeiro, 59 das 63 estações meteorológicas monitoradas registraram chuvas abaixo da média histórica, com acumulados entre 30 e 120 milímetros em grande parte do estado.
A regularização ocorreu a partir de fevereiro. Em março, volumes elevados nas regiões central, norte e oeste favoreceram o avanço da semeadura, que chegou a 91,6% da área prevista ao final do mês.
Aproximadamente 70% do plantio ocorreu entre a segunda semana de fevereiro e a segunda semana de março. Os trabalhos terminaram em 1º de maio, cerca de uma semana depois do ciclo anterior.
Em maio, chuvas volumosas atrasaram o início da colheita em algumas regiões. Episódios de granizo atingiram aproximadamente 2.850 hectares em municípios como Deodápolis, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Itaporã, Ivinhema e Dourados.
No fim de junho, geadas na região sul-fronteira provocaram danos em lavouras nos estádios reprodutivos R3 e R4, sem estimativa consolidada da área afetada.
A partir de julho, períodos de menor precipitação favoreceram a colheita. A operação foi concluída em 9 de outubro de 2026, aproximadamente duas semanas depois do encerramento da safra anterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
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