Publicado em: 11/06/2026 às 19:20hs
A eficiência na gestão de compras pode ser tão importante quanto a produtividade no campo. Um estudo inédito do Aegro Insights mostra que produtores de milho safrinha podem gastar até R$ 884 a mais por hectare apenas por falhas na estratégia de aquisição de insumos, comprometendo significativamente a rentabilidade da atividade.
Segundo o levantamento, dois agricultores que utilizam o mesmo pacote tecnológico, cultivam na mesma região e enfrentam condições semelhantes de solo e clima podem obter resultados financeiros muito diferentes. A diferença está na forma como negociam e compram seus insumos.
Enquanto produtores mais eficientes conseguiram implementar o pacote tecnológico completo com custo a partir de R$ 1.483,68 por hectare, outros desembolsaram até R$ 2.367,80 por hectare. A diferença representa um sobrecusto de 60% no custeio da lavoura.
De acordo com os cálculos do Aegro Insights, os R$ 884,12 adicionais gastos por hectare representam o equivalente a 16,9 sacas de milho, considerando o preço médio de R$ 52,40 por saca.
Na prática, essa perda ocorre antes mesmo do início do plantio.
"É como abrir mão de quase 16% da produtividade esperada antes da plantadeira entrar na lavoura", destaca Mathias Bergamin, engenheiro agrônomo e especialista em inteligência de mercado da Aegro.
O estudo preliminar projeta uma relativa estabilidade no Custo Operacional Efetivo (COE) da safrinha 2025/26, com redução estimada entre 0,2% e 0,3% em comparação à temporada anterior.
Apesar disso, a expectativa é de que os custos finais ainda sofram ajustes ao longo dos próximos meses, especialmente em função dos gastos com operações de campo, combustível e mão de obra que ainda serão contabilizados.
A avaliação é que o custo final da safra poderá ficar próximo ao registrado em 2025, mantendo a pressão sobre as margens dos produtores.
Entre os insumos analisados, o fertilizante fosfatado MAP chamou a atenção pela forte oscilação de preços.
O levantamento identificou uma dispersão superior a 188% nos valores praticados para o produto, refletindo tanto a sazonalidade das compras quanto o movimento de alta observado no mercado internacional, onde os preços acumulam valorização superior a 35% nos últimos dois anos.
O resultado reforça a importância do monitoramento constante das cotações globais e do planejamento antecipado das compras para aproveitar momentos mais favoráveis de mercado.
O estudo também identificou grandes variações nos preços de defensivos agrícolas comercializados no mercado brasileiro.
Entre os 13 insumos analisados, o inseticida Hero apresentou a maior dispersão de preços, alcançando 91,7%. Em seguida aparecem o Kraton, com 72,4%, e o Engeo Pleno S, com 71,5%.
Segundo a pesquisa, dois produtores da mesma região podem pagar praticamente o dobro pelo mesmo produto, dependendo da negociação realizada e do fornecedor escolhido.
Em nove dos treze insumos avaliados, a diferença entre o menor e o maior preço ultrapassou 60%.
Outro destaque do levantamento foi a identificação dos insumos mais utilizados na produção de milho safrinha.
Os cinco produtos mais presentes nas lavouras representam aproximadamente 80% do investimento total em custeio da cultura. Por isso, concentrar esforços de negociação nesses itens pode gerar ganhos expressivos para o produtor.
A pesquisa aponta ainda que muitos desses insumos costumam apresentar preços mais atrativos durante a entressafra, especialmente entre junho e setembro, período considerado estratégico para aquisição antecipada.
De acordo com a análise, a prática de realizar cotações com diferentes revendas, cooperativas e fornecedores diretos da indústria aumenta consideravelmente as chances de obtenção dos melhores preços.
Entre os insumos mais utilizados na safrinha 2025/26, destacam-se o herbicida Soberan e o fungicida Fox Xpro, ambos da Bayer, além do inseticida Engeo Pleno S, da Syngenta.
Segundo os cálculos do Aegro Insights, uma negociação eficiente apenas desses três produtos pode proporcionar economia superior a R$ 440 por hectare, sem comprometer o nível tecnológico da lavoura.
O levantamento foi elaborado com base em notas fiscais anonimizadas de compras de insumos realizadas entre janeiro e abril de 2026.
A base de dados reúne informações de 633 safras conduzidas em 521 propriedades rurais, totalizando cerca de 470 mil hectares cultivados com milho nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais.
Os dados integram a plataforma Aegro Insights, braço de inteligência de mercado da Aegro, que utiliza informações reais de negociações para auxiliar produtores na tomada de decisões relacionadas à compra de insumos e à gestão financeira das propriedades.
Diante de um cenário de margens cada vez mais apertadas, o estudo reforça que a competitividade da produção de milho não depende apenas de produtividade, mas também da capacidade de transformar informação e planejamento em eficiência financeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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