Fruticultura e Horticultura

Umidade acima do padrão pode reduzir até R$ 4,73 por arroba de cacau

Controle rigoroso da umidade é decisivo para preservar preço e qualidade das amêndoas na Bahia


Publicado em: 10/04/2026 às 13:30hs

Umidade acima do padrão pode reduzir até R$ 4,73 por arroba de cacau

O mercado de cacau enfrenta desafios que vão além da produção. O controle de umidade das amêndoas tornou-se fator determinante para garantir competitividade e preservar valor comercial, especialmente em períodos de queda de preços e com a proximidade da Páscoa, quando a demanda por qualidade aumenta.

Desvio de umidade gera perda direta no preço

Atualmente, a arroba do cacau na Bahia está cotada a R$ 175,00 (15 kg). Um lote entregue com 10% de umidade — dois pontos acima do padrão — perde cerca de 2,7% do valor comercial apenas pela correção do peso para o padrão seco, conforme normas do setor.

Isso equivale a uma perda aproximada de R$ 4,73 por arroba. Caso o lote ainda sofra descontos por reclassificação de qualidade, a perda pode ultrapassar R$ 7 por unidade.

“Quando o mercado está em baixa, a qualidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico. Quem não consegue entregar dentro do padrão perde competitividade e pode ter dificuldade de comercialização”, alerta Roney Smolareck, engenheiro agrônomo da MOTOMCO.

Importância da secagem e fermentação das amêndoas

O impacto da umidade vai além da simples correção de peso. Durante fermentação e secagem, amêndoas com excesso de umidade apresentam maior risco de:

  • Mofo e deterioração
  • Ataque de pragas no armazenamento e transporte
  • Perda de sabor, incluindo ocorrência de sabores rançosos

“A pressa para comercializar antes da secagem ideal expõe o lote a deterioração difícil de reverter. Isso interfere diretamente na qualidade final e na aceitação pelo mercado”, destaca Smolareck.

Pequenos produtores e desafios técnicos

Apesar do Brasil ser o sexto maior produtor mundial de cacau, boa parte dos produtores são pequenos e possuem acesso limitado a tecnologias de controle de umidade. O monitoramento mais rigoroso costuma ocorrer apenas nos elos posteriores da cadeia, no momento da entrega ao comprador.

Essa lacuna aumenta o risco de descontos injustificados e de perda de valor da safra.

Tecnologia portátil melhora precisão no campo

Nos últimos anos, tecnologias de medição desenvolvidas para o beneficiamento têm permitido aferir o teor de umidade das amêndoas antes da venda. Equipamentos portáteis, automáticos e de alta precisão fornecem resultados confiáveis em segundos, auxiliando o produtor a manter a secagem dentro do padrão ideal.

“Quando o produtor sabe exatamente o nível de umidade da amêndoa, ganha segurança para negociar, evitando descontos indevidos e preservando o valor da safra”, reforça Smolareck.

Qualidade e competitividade dependem de gestão técnica

O cenário mostra que a gestão adequada da umidade é menos uma questão de conformidade técnica e mais uma decisão estratégica. Lotes corretamente secos garantem maior valor, melhor aceitação no mercado e evitam perdas financeiras significativas, sendo essencial para o sucesso da cadeia de cacau no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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