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Fruticultura e Horticultura

Sementes piratas contaminadas elevam risco de doença que pode devastar melão e melancia no Brasil

Uso de sementes sem origem comprovada é apontado como uma das principais vias de disseminação da mancha bacteriana do fruto, doença capaz de provocar perdas severas e comprometer novas áreas de cultivo


Publicado em: 22/09/2026 às 08:00hs

Sementes piratas contaminadas elevam risco de doença que pode devastar melão e melancia no Brasil

O uso de sementes piratas ou de origem não comprovada representa um risco crescente para produtores de melão e melancia no Brasil. Além de não oferecerem garantias de qualidade e sanidade, esses materiais podem atuar como veículos para a disseminação de patógenos capazes de comprometer lavouras inteiras.

Um dos principais exemplos é a mancha bacteriana do fruto, também conhecida como mancha aquosa ou BFB (do inglês bacterial fruit blotch), causada pela bactéria Acidovorax citrulli. A doença é considerada uma das principais ameaças fitossanitárias às cucurbitáceas e pode provocar perdas expressivas quando introduzida em áreas de produção.

Segundo a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), relatos apontam para a presença da doença em áreas produtoras de melão no Vale do São Francisco e de melancia na região Centro-Oeste, em um cenário associado ao uso recorrente de sementes comercializadas fora do sistema oficial.

Bactéria pode ser disseminada pelas sementes

De acordo com Ayrton Tullio, diretor setorial de Mudas da ABCSEM, a Acidovorax citrulli apresenta elevada capacidade de disseminação e pode permanecer no ambiente por diferentes vias.

O especialista destaca que a bactéria pode sobreviver sem necessariamente provocar sintomas em algumas plantas hospedeiras, incluindo culturas como milho, tomate e pimentão, além de pastagens.

“A BFB é extremamente agressiva e, como ainda não há tratamento químico eficiente para o controle da doença, ela pode sobreviver, inclusive sem causar sintomas, em outras culturas hospedeiras.”

Essa característica aumenta a dificuldade de erradicação após a introdução do patógeno em uma propriedade.

Sementes sem procedência ampliam o risco fitossanitário

A transmissão por sementes torna a origem e a qualidade do material utilizado no plantio um dos principais pontos de atenção para o produtor.

Sementes produzidas e comercializadas fora dos sistemas oficiais podem não passar pelos mesmos procedimentos de controle sanitário, rastreabilidade e avaliação de qualidade adotados por empresas regularizadas.

Segundo Tullio, parte desses materiais chega ao produtor em embalagens falsificadas ou recipientes inadequados, inclusive garrafas do tipo PET, sem as garantias exigidas para a comercialização regular de sementes.

A tentativa de reduzir o custo de implantação da lavoura pode, nesse cenário, resultar em despesas muito maiores posteriormente, principalmente quando ocorre introdução de doenças de difícil controle.

BFB pode provocar perdas severas na lavoura

A mancha bacteriana do fruto pode comprometer a produção de cucurbitáceas e afetar diretamente a qualidade comercial dos frutos.

Além das perdas provocadas pela doença, o produtor pode enfrentar aumento dos custos de manejo e necessidade de medidas adicionais para tentar conter a disseminação do patógeno.

Em situações de alta pressão da doença, a continuidade do cultivo pode se tornar economicamente inviável, levando produtores a abandonar temporariamente determinadas áreas de produção.

“O uso de sementes piratas acarreta prejuízos financeiros para o negócio devido à possibilidade de má-formação dos frutos e disseminação de doenças, como é o caso da BFB”, explica Tullio.

Empresas legalizadas investem em controle de qualidade

A preocupação com a sanidade das sementes também explica os investimentos realizados pelas empresas que atuam dentro do sistema oficial de produção e comercialização.

De acordo com a ABCSEM, empresas regularizadas adotam processos de controle de qualidade e procedimentos fitossanitários para reduzir os riscos associados à presença de patógenos no material comercializado.

Para o produtor, verificar a procedência da semente, a identificação do fornecedor e a regularidade do produto são medidas importantes antes da implantação da lavoura.

ABCSEM lançou campanha contra sementes e mudas piratas

Diante dos riscos associados ao comércio irregular, a ABCSEM lançou, em 2025, uma campanha nacional de conscientização sobre os impactos do uso de sementes e mudas piratas.

A iniciativa recebeu o slogan “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor” e busca chamar atenção para os prejuízos econômicos, fitossanitários e produtivos provocados pela aquisição de materiais sem procedência.

A associação também lançou um selo de combate à pirataria, com o objetivo de estimular a formalização do mercado e valorizar empresas e produtores comprometidos com o cumprimento das normas que regulamentam o setor.

Sanidade começa na escolha da semente

Para a ABCSEM, a prevenção da BFB e de outras doenças transmitidas por sementes começa antes mesmo do plantio.

A escolha de materiais com origem conhecida, procedência comprovada e comercialização regular reduz um dos principais caminhos de entrada de patógenos na propriedade.

“Esta iniciativa representa mais um importante instrumento para a conscientização do produtor, com a finalidade de alertá-los para os prejuízos causados pela pirataria, valorizando aqueles que investem em pesquisa, tecnologia e ética”, destaca Mariana Barreto, secretária executiva da ABCSEM.

O alerta ganha relevância especialmente para polos produtores de melão e melancia, nos quais a introdução de uma doença de difícil controle pode comprometer não apenas uma safra, mas também a continuidade do cultivo na área.

Por isso, além do manejo adequado da lavoura, a qualidade e a origem das sementes devem ser tratadas como parte estratégica da biossegurança da produção de cucurbitáceas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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