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Fruticultura e Horticultura

Produção de uva movimenta R$ 389,7 milhões no Paraná e fortalece agroindústria; estado é o 5º maior produtor do Brasil

Levantamento do Deral mostra que viticultura paranaense amplia participação da agroindustrialização, enquanto uvas de mesa seguem liderando a geração de renda. Paraná deve colher 58 mil toneladas em 2026 e consolida posição entre os maiores produtores nacionais


Publicado em: 20/07/2026 às 17:30hs

Produção de uva movimenta R$ 389,7 milhões no Paraná e fortalece agroindústria; estado é o 5º maior produtor do Brasil

A viticultura paranaense vive uma transformação impulsionada pelo avanço da agroindustrialização, sem perder a força das tradicionais uvas de mesa. Dados do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revelam que a produção de uvas gerou Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 389,7 milhões em 2025, consolidando a cultura como a terceira fruta que mais gera renda no Paraná.

O estado ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores produtores de uva do Brasil e deve colher 58 mil toneladas em aproximadamente 4 mil hectares em 2026, segundo estimativas baseadas em projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Paraná amplia espaço da agroindústria na viticultura

O levantamento mostra uma mudança gradual no perfil da produção estadual. Embora as uvas de mesa permaneçam predominantes em valor econômico, cresce a participação das variedades destinadas à fabricação de vinhos, sucos e outros derivados.

Entre 2016 e 2025, a área cultivada com videiras no Paraná diminuiu 21%, enquanto a produção recuou apenas 6,3%, indicando ganhos de produtividade e maior especialização da atividade.

Nos últimos 20 anos, a participação das uvas de mesa caiu de 76,3% para 64,6% da produção estadual. Em contrapartida, as variedades destinadas à agroindustrialização aumentaram sua representatividade de 23,7% para 35,4%, reforçando a tendência de agregação de valor na cadeia produtiva.

Uvas de mesa ainda concentram a maior parte da receita

Apesar do avanço da indústria, as uvas destinadas ao consumo in natura continuam sendo o principal motor econômico da atividade.

Em 2025, esse segmento respondeu por R$ 312,3 milhões, equivalente a 80,1% do Valor Bruto da Produção da viticultura paranaense.

Já as variedades voltadas para processamento industrial movimentaram R$ 77,4 milhões, representando 19,9% da receita total da cadeia.

Paraná produziu mais de 50 mil toneladas em 2025

Segundo o Deral, a viticultura esteve presente em 258 dos 399 municípios paranaenses no ano passado.

Os números do setor mostram:

  • Área cultivada: 3,2 mil hectares;
  • Produção: 50,4 mil toneladas;
  • Valor Bruto da Produção: R$ 389,7 milhões.

Esses indicadores reforçam a importância econômica da cultura para diversas regiões produtoras do estado.

Marialva lidera a produção de uvas finas

O município de Marialva segue como a principal referência nacional na produção de uvas finas de mesa no Paraná.

Em 2025, o município registrou:

  • 450 hectares cultivados;
  • produção de 13,5 mil toneladas;
  • Valor Bruto da Produção de R$ 129,6 milhões.

Com esses resultados, Marialva concentrou 28,5% da área cultivada, além de 41,5% da produção e da renda desse segmento no estado.

Já Rosário do Ivaí lidera entre as uvas rústicas de mesa, com:

  • 150 hectares cultivados;
  • produção de 1,5 mil toneladas;
  • VBP de R$ 14,4 milhões.
Bituruna é destaque na produção para vinhos e sucos

Quando o foco é a agroindustrialização, Bituruna permanece como principal polo produtor.

Em 2025, o município destinou 100 hectares ao cultivo de uvas para processamento industrial, alcançando:

  • produção de 1,5 mil toneladas;
  • movimentação econômica de R$ 6,5 milhões.

O município respondeu por 6,9% da área cultivada e 8,4% da produção e do Valor Bruto da Produção das uvas destinadas à indústria no Paraná.

Brasil deve colher 2,2 milhões de toneladas em 2026

O boletim também apresenta um panorama nacional da viticultura.

A previsão do IBGE aponta que o Brasil deverá produzir 2,2 milhões de toneladas de uvas em 2026, cultivadas em 83,2 mil hectares.

O Rio Grande do Sul permanece como líder nacional, responsável por 47,7% da produção brasileira, com forte vocação para a fabricação de vinhos, espumantes, sucos, geleias, vinagres e outros derivados.

Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Bahia concentram 93,5% da produção nacional. Enquanto o estado gaúcho lidera a produção industrial, Pernambuco e Bahia se destacam na produção de uvas finas voltadas tanto ao mercado interno quanto às exportações.

Produção mundial de uvas segue entre as maiores do planeta

No cenário internacional, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que a uva foi a quarta fruta mais produzida do mundo em 2024, respondendo por 7,3% de toda a produção global de frutas, nozes e castanhas.

Foram colhidas 75,9 milhões de toneladas em uma área de 6,4 milhões de hectares.

O Brasil ocupa a 12ª posição entre os maiores produtores mundiais, respondendo por 2,4% da produção global.

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), do total produzido no mundo:

  • 49,2% são destinados ao consumo in natura;
  • 42,3% à produção de vinhos;
  • 7,6% à fabricação de uvas-passas.
Perspectivas para a viticultura

A expansão das uvas destinadas à agroindustrialização demonstra uma mudança estrutural na viticultura paranaense, acompanhando a crescente demanda por produtos de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, o segmento de uvas de mesa continua sendo o principal responsável pela renda do produtor rural, mantendo o Paraná entre os estados de maior relevância na cadeia produtiva brasileira.

Com investimentos em tecnologia, qualidade e diversificação da produção, a expectativa é de que a viticultura estadual fortaleça sua competitividade tanto no mercado interno quanto nas cadeias de processamento e industrialização nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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