Preço do limão-taiti dispara 226%; oferta maior pode aliviar cotações em novembro
Entressafra e excesso de chuvas restringem disponibilidade da fruta em São Paulo; retomada da colheita pode reduzir preços, mas queda depende do clima e da demanda
Publicado em: 27/10/2026 às 09:30hs
O preço do limão-taiti acumulou alta de 226,4% entre junho e agosto de 2026 no cinturão citrícola paulista, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A menor disponibilidade durante a entressafra, agravada pelo excesso de chuvas em regiões produtoras, impulsionou a valorização. A expectativa é de que uma oferta mais expressiva a partir de novembro ajude a aliviar as cotações.
No período acompanhado pela Conab, a caixa de 27,2 quilos passou de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho e atingiu R$ 104,78 em agosto. O movimento também foi intenso no atacado, embora os preços pertençam a etapas distintas da comercialização.
Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o quilo do limão-taiti avançou de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 no fim de setembro, aumento de aproximadamente 374%.
Por que o preço do limão-taiti subiu tanto?
A entressafra costuma reduzir a oferta da fruta entre o fim de maio e meados de setembro. Em 2026, esse efeito sazonal foi acompanhado por dificuldades provocadas pelas condições climáticas.
O excesso de chuvas prejudicou a florada, a formação dos frutos e os trabalhos de colheita, especialmente nas regiões paulistas de Matão e Bebedouro. Com menos limão disponível e demanda aquecida, as cotações permaneceram elevadas.
Segundo João Quirino, coordenador técnico da Hydroplan-EB, a valorização está associada à menor disponibilidade da fruta durante a entressafra, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste.
Maior oferta em novembro pode reduzir as cotações
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a retomada gradual da colheita começou a pressionar os preços em setembro. Um crescimento mais significativo da oferta, porém, é esperado apenas para novembro.
Esse aumento poderá favorecer uma acomodação das cotações ao longo de novembro e dezembro. A perspectiva, entretanto, não assegura uma queda acentuada nem o retorno aos valores observados no primeiro semestre.
Na avaliação de Quirino, os próximos meses podem trazer algum recuo, mas isso não significa necessariamente que a fruta chegará ao mercado com preços baixos.
Irrigação favorece regularidade da produção em regiões mais quentes
O calendário de produção do limão-taiti apresenta diferenças regionais. Em áreas mais quentes, como o Norte de Minas Gerais, o cultivo irrigado pode favorecer sucessivas floradas e permitir colheitas durante boa parte do ano.
Nessas condições, o manejo da água ajuda a reduzir os efeitos da estiagem e contribui para uma produção mais regular. O resultado depende, contudo, do acompanhamento das necessidades da cultura e das condições climáticas.
Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, explica que a irregularidade no fornecimento de água pode afetar tanto o volume produzido quanto a qualidade dos frutos. Segundo ele, a irrigação contribui para enfrentar períodos secos, enquanto o excesso de chuvas também pode interferir no ciclo produtivo.
Clima e demanda vão definir o ritmo de queda dos preços
A possibilidade de alívio no preço do limão-taiti está ligada à confirmação do aumento da oferta nos próximos meses. O desenvolvimento dos pomares, as condições para a colheita e o comportamento da demanda serão determinantes para a trajetória das cotações.
Assim, a expectativa para novembro e dezembro é de maior disponibilidade e possível redução dos preços, ainda sem garantia de retorno aos patamares registrados antes da entressafra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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