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Fruticultura e Horticultura

Mercado global de cacau deve perder excedente em 2026/27 com risco de El Niño e queda na produção da África

StoneX reduz projeção de superávit mundial para apenas 25 mil toneladas; Costa do Marfim e Gana devem registrar forte recuo na produção, enquanto Equador pode assumir a vice-liderança global.


Publicado em: 30/07/2026 às 10:30hs

Mercado global de cacau deve perder excedente em 2026/27 com risco de El Niño e queda na produção da África

O mercado internacional de cacau deverá entrar em um cenário de oferta significativamente mais apertada na safra 2026/27. A nova projeção divulgada pela consultoria StoneX aponta que o excedente global será reduzido para apenas 25 mil toneladas, uma queda expressiva em relação às 422 mil toneladas estimadas para a temporada 2025/26.

A revisão reflete principalmente a expectativa de redução da produção na África Ocidental, responsável por grande parte da oferta mundial, diante do aumento do risco de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir a disponibilidade do produto no mercado internacional.

El Niño aumenta preocupação com a produção mundial de cacau

Segundo a StoneX, a atualização das estimativas incorpora de forma mais intensa o risco climático associado ao El Niño, cujas previsões indicam maior probabilidade de um evento de forte intensidade nos próximos meses.

De acordo com a consultoria, episódios anteriores demonstram que esse fenômeno costuma reduzir o potencial produtivo das principais regiões produtoras, especialmente na África Ocidental, onde estão concentrados os maiores fornecedores globais de cacau.

Além das condições climáticas, levantamentos recentes indicam menor formação de frutos nas principais áreas produtoras, reforçando uma perspectiva mais cautelosa para a próxima safra.

Diante desse cenário, a StoneX reduziu sua projeção de excedente mundial, que anteriormente era de 149 mil toneladas, para apenas 25 mil toneladas.

Costa do Marfim e Gana devem liderar a redução da oferta

A maior queda deverá ocorrer na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau. A expectativa é de que a produção recue cerca de 11%, passando de aproximadamente 2 milhões para 1,775 milhão de toneladas na safra 2026/27.

Em Gana, segundo maior produtor global na temporada atual, a previsão aponta redução de 10%, com a produção estimada em 585 mil toneladas.

As perdas nesses dois países tendem a reduzir significativamente a oferta global e aumentar a sensibilidade do mercado a qualquer novo problema climático ou fitossanitário.

Equador pode assumir a segunda posição entre os maiores produtores

Enquanto a produção africana enfrenta desafios, o Equador apresenta um cenário mais favorável.

A StoneX projeta que o país mantenha sua produção estável em cerca de 600 mil toneladas durante a próxima safra. Caso a estimativa se confirme, o Equador deverá ultrapassar Gana e assumir a posição de segundo maior produtor mundial de cacau.

Segundo a consultoria, investimentos contínuos em tecnologia, manejo das lavouras e tratos culturais aumentam a capacidade dos produtores equatorianos de enfrentar eventuais impactos provocados pelo El Niño.

Produção mundial deve cair, enquanto a demanda continua crescendo

As projeções da StoneX indicam que a produção global de cacau deverá cair cerca de 6% na safra 2026/27, passando de 5,136 milhões para 4,827 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, o consumo mundial segue em expansão. A demanda deverá atingir aproximadamente 4,754 milhões de toneladas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.

Com isso, praticamente todo o excedente atualmente disponível será absorvido pelo mercado, reduzindo significativamente a margem de segurança entre oferta e demanda e aumentando a possibilidade de maior volatilidade nos preços internacionais.

Brasil mantém participação importante no mercado internacional

Para o Brasil, a StoneX estima uma leve redução na produção, passando de 215 mil para 210 mil toneladas.

Apesar da pequena retração, o país continua fortalecendo sua posição no mercado internacional por meio de investimentos em tecnologia, recuperação de áreas produtivas, sustentabilidade e melhoria da produtividade das lavouras.

Esse cenário amplia as oportunidades para os produtores brasileiros, principalmente diante da perspectiva de oferta mais restrita nos principais países exportadores.

Mercado deve permanecer atento ao comportamento do clima

A expressiva redução do excedente mundial indica que o mercado de cacau continuará altamente dependente das condições climáticas durante toda a safra 2026/27.

Caso o El Niño provoque perdas superiores às atualmente projetadas, a disponibilidade global poderá ficar ainda mais limitada, sustentando um ambiente de maior volatilidade nas cotações internacionais e reforçando a importância do acompanhamento constante das condições das lavouras nos principais países produtores.

Para analistas do setor, o equilíbrio entre produção e consumo continuará sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços do cacau nos próximos meses, especialmente diante do crescimento contínuo da demanda global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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