Clima adverso e doenças elevam riscos no cultivo de tomate saladete
Ondas de calor, chuvas intensas e alta umidade favorecem problemas fitossanitários; escolha de híbridos adaptados pode ajudar a preservar produtividade, qualidade e valor comercial dos frutos
Publicado em: 15/09/2026 às 15:00hs
A combinação de temperaturas elevadas, excesso de chuvas e alta umidade vem ampliando os desafios enfrentados pelos produtores de tomate saladete no Brasil. Além de interferirem no desenvolvimento das plantas, essas condições climáticas favorecem viroses e doenças foliares, com reflexos sobre a produtividade, a qualidade dos frutos e o aproveitamento comercial da colheita.
Diante desse cenário, o planejamento da lavoura, o manejo fitossanitário e a escolha de híbridos adaptados às condições de cultivo ganham importância para reduzir perdas e aumentar a previsibilidade da produção.
“Quando as condições climáticas e fitossanitárias passam a atuar contra a lavoura, o produtor precisa adotar estratégias capazes de reduzir riscos e contribuir para a manutenção da produção dentro dos padrões exigidos pelo mercado”, afirma Thiago Teodoro, especialista em tomates e pimentões.
Perda de área foliar compromete produtividade do tomate
A redução da cobertura foliar está entre os principais fatores de risco para a cultura. Quando perde folhas precocemente, a planta tem menor capacidade de proteger e sustentar os frutos, o que pode limitar seu potencial produtivo e aumentar a ocorrência de problemas de qualidade.
Em períodos chuvosos e com umidade elevada, a pressão de doenças tende a crescer. Nessas condições, o produtor pode enfrentar maior incidência de rachaduras, frutos fora do padrão comercial e perdas durante a classificação.
A conservação da área foliar, portanto, desempenha papel estratégico no equilíbrio da planta e no desenvolvimento dos tomates. O resultado depende de um conjunto de fatores que inclui genética, nutrição, controle fitossanitário, irrigação e práticas adequadas de manejo.
Qualidade precisa ser mantida até o ponto de venda
Os desafios da tomaticultura continuam depois da colheita. Antes de chegar ao consumidor, o tomate passa pelas etapas de seleção, classificação, embalagem, transporte, distribuição, atacado e varejo.
Durante esse percurso, atributos como firmeza, uniformidade, coloração e aparência interferem diretamente no índice de aproveitamento e no preço recebido pelo produto. Frutos pouco resistentes ao transporte ou com maior suscetibilidade a danos podem perder valor comercial antes de alcançar as gôndolas.
Por isso, a escolha do híbrido precisa considerar não apenas o desempenho agronômico no campo, mas também o comportamento do tomate durante a pós-colheita.
Escolha do híbrido ajuda a reduzir riscos no cultivo
Embora nenhum material genético elimine os efeitos do clima, das doenças ou de falhas de manejo, híbridos com características adequadas ao ambiente de produção podem oferecer maior segurança ao agricultor.
Segundo Teodoro, o Ferrari F1, tomate saladete indeterminado da Topseed Premium, foi desenvolvido para lavouras conduzidas tanto em campo aberto quanto em ambiente protegido. Entre as características atribuídas ao híbrido estão vigor, cobertura foliar, pegamento de frutos, tolerância a rachaduras e desempenho sob períodos chuvosos, além de um pacote de resistências fitossanitárias.
“Além do desempenho no campo, o híbrido também apresenta atributos importantes para as etapas posteriores da cadeia. Com frutos uniformes, firmes, de coloração vermelha intensa e brilho natural, o Ferrari busca atender às exigências do mercado, que começam na produção e se estendem até o ponto de venda”, explica o especialista.
Produtor cultiva 600 mil plantas por ano em São Paulo e Minas Gerais
O produtor Ricardo Pereira Marques utiliza o híbrido há aproximadamente três anos em diferentes regiões produtoras. As áreas estão localizadas nos municípios paulistas de Ribeirão Branco, Taquarivaí, Arandu e Mogi Guaçu, além de Nova Resende, no Sul de Minas Gerais.
Ao longo do ano, Marques planta cerca de 600 mil pés de tomate Ferrari, distribuídos por uma área aproximada de 70 hectares. De acordo com o produtor, o material apresentou adaptação ao sistema de manejo e às diferentes épocas de plantio.
“Esse tomate se encaixou perfeitamente em nosso manejo e nas regiões em que produzimos, mantendo boa produtividade nas diferentes épocas de plantio, com bom calibre de fruto e pós-colheita excelente, além de suportar bem as adversidades climáticas. Outro grande diferencial é a resistência dupla a viroses e ao vira-cabeça”, relata.
Em um ambiente de produção marcado por maior instabilidade climática e crescente pressão fitossanitária, a combinação entre genética, monitoramento da lavoura e manejo técnico torna-se decisiva para reduzir riscos. Para o produtor de tomate saladete, preservar a sanidade das plantas e a qualidade dos frutos é fundamental para alcançar maior regularidade produtiva e atender às exigências do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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