Chuvas e ventos elevam risco de perdas nos citros e acendem alerta para safra paulista
Clima atípico em julho pode comprometer a qualidade das frutas, atrasar a colheita e ampliar os desafios dos produtores, enquanto maior umidade favorece a próxima florada
Publicado em: 31/07/2026 às 11:03hs
O clima atípico registrado em julho no cinturão citrícola de São Paulo tem preocupado produtores e agentes da cadeia de citros. As fortes chuvas e os ventos acima da média para o período podem provocar perdas nos pomares, comprometer a qualidade das frutas e atrasar o ritmo da colheita, segundo avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Tradicionalmente, julho é um mês marcado por condições secas nas principais regiões produtoras de laranja do estado. Neste ano, porém, a mudança no padrão climático trouxe novos desafios para o setor, que já enfrenta dificuldades relacionadas à sanidade dos pomares.
Chuvas podem reduzir qualidade dos frutos
De acordo com pesquisadores do Cepea, o excesso de umidade e a ocorrência de ventos fortes podem afetar o desenvolvimento dos frutos, reduzindo os níveis de sólidos solúveis (Brix), indicador diretamente relacionado à qualidade da fruta e ao rendimento industrial na produção de suco.
Além disso, as condições climáticas desfavoráveis dificultam as operações de campo, retardando a colheita e aumentando a preocupação dos citricultores com possíveis perdas produtivas.
Maior disponibilidade de água pode beneficiar a próxima safra
Apesar dos riscos imediatos, o aumento da umidade no solo também pode gerar efeitos positivos para o ciclo seguinte da cultura.
Segundo o Cepea, a maior disponibilidade hídrica tende a favorecer a indução floral das plantas e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento da próxima safra, desde que o clima evolua de forma equilibrada nos próximos meses.
Greening continua sendo o maior desafio da citricultura
Os pesquisadores destacam que os impactos das chuvas ainda estão sendo monitorados e dependem da evolução das condições climáticas nas próximas semanas.
O cenário, entretanto, amplia as preocupações de uma citricultura que já sofre forte pressão do greening (HLB), doença considerada a principal ameaça aos pomares brasileiros. A enfermidade provoca queda fisiológica dos frutos, reduz a produtividade e eleva os custos de manejo, comprometendo a rentabilidade dos produtores.
Perspectiva para o mercado de citros
Com os efeitos do clima ainda em avaliação, o setor acompanha atentamente a evolução das lavouras. A combinação entre eventos climáticos extremos e os impactos do greening reforça a necessidade de monitoramento constante dos pomares e poderá influenciar tanto a produtividade quanto a oferta de frutas e de matéria-prima para a indústria de suco ao longo da temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
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