Broca-do-rizoma ameaça bananais e pode provocar perdas de até 80% na produção
Praga de difícil detecção ataca o interior do rizoma, compromete raízes e pode levar ao tombamento e à morte das bananeiras; monitoramento e manejo integrado são fundamentais
Publicado em: 24/09/2026 às 16:00hs
O crescimento da produção de banana no Brasil reforça a importância de manter os bananais protegidos contra pragas capazes de comprometer a produtividade. Entre as principais ameaças está a broca-do-rizoma (Cosmopolites sordidus), conhecida popularmente como moleque-da-bananeira, inseto que atua de forma silenciosa e pode causar perdas expressivas quando não é controlado.
Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE) indicam que a produção brasileira de banana passou de 6,99 milhões de toneladas em 2024 para 7,23 milhões de toneladas em 2025. O país ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais da fruta.
Com aproximadamente 473 mil hectares cultivados e mais de 40 variedades, a bananicultura também tem forte relevância econômica e social. Segundo informações da Embrapa, a cadeia gera mais de 500 mil empregos diretos.
Nesse cenário, a ocorrência de pragas representa um desafio adicional para os produtores, principalmente porque a banana apresenta elevada perecibilidade e depende de produtividade e qualidade para garantir rentabilidade.
Broca ataca o rizoma e compromete desenvolvimento da planta
O principal risco da broca-do-rizoma está justamente na dificuldade de identificar o ataque em seus estágios iniciais.
A fase mais prejudicial ocorre quando as larvas penetram no rizoma da bananeira e passam a se alimentar dos tecidos internos. O dano interfere na formação de novas raízes e reduz a capacidade da planta de absorver água e nutrientes do solo.
Com o avanço da infestação, a bananeira perde vigor e pode apresentar alterações visíveis na parte aérea.
Entre os principais sinais que devem chamar a atenção do produtor estão:
- folhas amareladas e secamento antecipado;
- redução significativa do tamanho dos cachos;
- enfraquecimento da planta;
- comprometimento da gema apical;
- maior facilidade de tombamento;
- redução do potencial produtivo do bananal.
Quando o rizoma perde sua integridade, a planta também fica mais vulnerável ao tombamento, especialmente em situações de maior desenvolvimento vegetativo ou ocorrência de ventos.
Disseminação por mudas aumenta risco de infestação
O gerente de assuntos regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Fábio Kagi, chama atenção para a capacidade de disseminação da praga.
Segundo o especialista, o besouro pode ser transportado entre diferentes regiões por meio de mudas convencionais infestadas com ovos e larvas, favorecendo a introdução da praga em novas áreas.
Sem estratégias adequadas de prevenção e controle, as perdas produtivas podem ficar entre 30% e 80% dos bananais, conforme a infestação e as condições da lavoura.
Por isso, o monitoramento deve fazer parte da rotina da propriedade, principalmente em áreas onde já existe histórico da praga ou quando são introduzidas novas mudas.
Manejo integrado amplia as alternativas de controle
O combate à broca-do-rizoma deve considerar diferentes estratégias e as características específicas de cada área. A adoção de um manejo integrado de pragas (MIP) permite combinar medidas preventivas, monitoramento e métodos de controle.
Uma das alternativas é o controle químico. De acordo com o Sindiveg, entretanto, devem ser utilizados exclusivamente produtos registrados para a cultura da banana, sempre seguindo as recomendações e doses estabelecidas em bula.
Outra prática citada é a limpeza do rizoma por meio do descortiçamento, procedimento que consiste na retirada da camada externa da estrutura do bananeiro.
A recomendação é intensificar as medidas de controle quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu níveis capazes de provocar danos econômicos.
Controle biológico e armadilhas também podem ser utilizados
O manejo pode ainda ser complementado por métodos de controle biológico. Entre as alternativas está o uso do fungo Beauveria bassiana, agente que pode infectar os besouros por contato.
De acordo com as informações apresentadas pelo Sindiveg, a ação do fungo pode levar à eliminação dos insetos em um período de até dez dias, dependendo das condições de aplicação e do ambiente.
Outra ferramenta disponível são as armadilhas com feromônios, que utilizam substâncias atrativas para direcionar os besouros para uma solução aquosa, permitindo o monitoramento e a captura dos insetos.
A combinação das ferramentas deve ser definida de acordo com o nível de infestação, as características do bananal e as condições locais.
Monitoramento é decisivo para reduzir prejuízos
A identificação precoce da broca-do-rizoma é uma das principais medidas para evitar que a infestação avance sem ser percebida.
Como os danos começam no interior do rizoma, o produtor precisa observar não apenas os insetos, mas também alterações no vigor, desenvolvimento e produtividade das plantas.
Quando o nível crítico de infestação é identificado, a adoção rápida de diferentes medidas de controle pode reduzir a evolução dos danos.
A orientação de um profissional habilitado é importante para definir a estratégia mais adequada para cada propriedade. No caso do controle químico, a utilização de produtos registrados e o cumprimento das recomendações de bula são indispensáveis.
Proteção da bananicultura exige estratégia contínua
Com milhões de toneladas produzidas anualmente e forte participação no abastecimento do mercado brasileiro, a bananicultura depende de medidas capazes de preservar a produtividade dos bananais.
A broca-do-rizoma exige atenção justamente por combinar difícil identificação, capacidade de disseminação e danos internos à planta. O monitoramento frequente, a utilização de mudas livres da praga e a integração entre métodos de controle podem ajudar a reduzir os impactos econômicos.
Para produtores, técnicos e profissionais ligados à cultura, a adoção de estratégias preventivas e o acompanhamento sistemático das lavouras são fundamentais para preservar o potencial produtivo e a sustentabilidade econômica da atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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