Área de tomate cresce 10,8% em São Paulo, mas queda na produtividade limita produção
Safra paulista de tomate de inverno encerra ciclo com 423 mil toneladas e rendimento 11,5% menor; cenário reforça busca por eficiência hídrica e produtiva no campo
Publicado em: 10/09/2026 às 12:30hs
A área cultivada com tomate de mesa na safra de inverno 2025/26 aumentou 10,8% em São Paulo, mas a expansão não foi suficiente para elevar a produção. O estado colheu 423 mil toneladas, volume 1,9% inferior ao registrado no ciclo anterior, após a produtividade média recuar 11,5%.
Os números mostram que o aumento da área plantada nem sempre resulta em maior oferta. Em uma cultura intensiva no uso de irrigação, fertilizantes, defensivos e mão de obra, a eficiência por hectare passa a ocupar uma posição ainda mais estratégica na rentabilidade das propriedades.
Produtividade do tomate cai para 82,3 toneladas por hectare
Levantamento realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), aponta que São Paulo cultivou aproximadamente 5,1 mil hectares de tomate envarado de inverno na temporada 2025/26.
Apesar do avanço territorial, o rendimento médio caiu para 82.324 quilos, ou 82,3 toneladas, por hectare. A redução da produtividade explica por que a produção paulista terminou a safra abaixo do ciclo anterior, mesmo com mais hectares ocupados pela cultura.
O resultado coloca no centro do planejamento fatores como disponibilidade hídrica, manejo nutricional, condições climáticas, controle fitossanitário e aproveitamento dos recursos aplicados na lavoura.
Campinas concentra 11,3% da produção paulista de tomate
A Regional de Campinas respondeu por 11,3% do tomate produzido no estado, mantendo-se como a segunda principal região produtora de São Paulo. Itapeva permaneceu na liderança, com participação de 58,8%.
O cinturão agrícola de Campinas inclui municípios relevantes para a horticultura paulista, como Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu. Nessas áreas, os produtores precisam conciliar o potencial produtivo da cultura com custos elevados de irrigação, adubação, defensivos, energia e mão de obra.
Para Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, a diferença entre o crescimento da área e a retração da produção evidencia os limites de uma estratégia baseada apenas na abertura de novos hectares.
Segundo ele, o produtor precisa analisar quanto cada área consegue produzir e qual é o nível de aproveitamento dos insumos e da estrutura já disponíveis na propriedade.
Manejo da água influencia desenvolvimento e formação dos frutos
A disponibilidade de água exerce influência direta sobre o desenvolvimento do tomateiro, a absorção de nutrientes e a formação dos frutos. Períodos de deficiência hídrica podem comprometer o potencial produtivo, enquanto o excesso de irrigação não garante, necessariamente, melhores resultados.
O desafio não se resume ao volume aplicado. Também é necessário observar quanto dessa água permanece disponível na região das raízes e qual parcela é efetivamente aproveitada pelas plantas.
Em propriedades de Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu acompanhadas pela Hydroplan-EB, a irrigação por gotejamento já integra o manejo do tomate. A busca agora está concentrada em reduzir perdas e ampliar o tempo de permanência da umidade no solo.
“O sistema conduz a água até a lavoura, mas também é necessário avaliar o que acontece após a aplicação. A produtividade depende de quanto desse recurso permanece disponível e pode ser aproveitado pela planta”, explica Carvalho.
Tecnologia busca aumentar retenção de água no solo
Entre as soluções adotadas nas áreas acompanhadas está o HB10 Drip, aplicado diretamente na água utilizada pela irrigação por gotejamento. A tecnologia foi desenvolvida para aumentar a retenção de umidade no solo e prolongar sua disponibilidade ao tomateiro durante o ciclo produtivo.
De acordo com o engenheiro agrônomo Márcio Boldrin, da Biogênese, testes controlados e monitorados em lavouras comerciais indicaram ganhos de produtividade entre 8% e 10% nas áreas tratadas, em comparação com aquelas conduzidas sob o manejo convencional.
O acompanhamento também apontou plantas mais vigorosas, folhas maiores e menor ocorrência de murchamento durante períodos de calor intenso.
Segundo Boldrin, a permanência da água na zona explorada pelas raízes também pode favorecer o aproveitamento dos fertilizantes e reduzir a perda de nutrientes por lixiviação.
Eficiência hídrica pode melhorar retorno econômico da lavoura
O uso mais eficiente da água também tem impacto direto sobre os custos de produção. Irrigação, energia, fertilizantes e mão de obra representam parcelas importantes dos investimentos necessários para conduzir uma lavoura de tomate.
Quando esses recursos são melhor aproveitados, os resultados não ficam restritos ao desempenho agronômico. O produtor pode ampliar a produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a relação entre custo e receita por hectare.
Para Carvalho, parte dos próximos ganhos da tomaticultura poderá vir da otimização da estrutura existente, e não apenas da expansão da área cultivada.
Resultado da safra acende alerta para próximos ciclos
O desempenho da safra de inverno 2025/26 reforça a necessidade de avaliar produtividade, custos e qualidade de forma integrada. Embora São Paulo tenha ampliado em 10,8% a área destinada ao tomate, a queda de 11,5% no rendimento levou a uma retração de 1,9% na produção estadual.
Em uma cadeia marcada por custos elevados e forte sensibilidade às condições ambientais, produzir mais dependerá cada vez mais da eficiência alcançada dentro da propriedade.
O desafio para as próximas safras será elevar o volume e a qualidade dos frutos por hectare, aproveitando melhor água, fertilizantes, energia, tecnologia e mão de obra — sem depender exclusivamente da incorporação de novas áreas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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